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Campeão antecipado

Tomás da Cunha · 4 min

Campeão antecipado

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Apesar da imprevisibilidade do futebol, há campeonatos onde, por muito que se tente acreditar que vai haver uma luta pelo título até final, já se sabe quem vai ganhar antes de a época começar. Não havia grandes dúvidas em relação ao vencedor da Bundesliga, nem da Serie A, isto para não falar de ligas como a escocesa ou a croata. Este ano a Eredivisie também teve um campeão antecipado. “Trabalhámos nos bastidores para manter Memphis em Eindhoven esta temporada”, referia Marcel Brands, o director-desportivo do PSV, em Agosto do último ano. Saberia ele que a renovação de Depay tinha garantido o título ao clube?

Se não sabia, não demoraria muito até perceber. O jovem holandês tem feito uma temporada do outro mundo e vai sair pela porta grande, como campeão nacional pelo clube onde foi formado. Está a jogar a um nível assombroso e não tem rival interno; para além de melhor jogador, é o melhor marcador do campeonato. Foi acertada a decisão de permanecer em Eindhoven; ganhou o PSV, que finalmente vai quebrar o jejum de títulos, e o próprio jogador, que pôde crescer num ambiente familiar antes de dar o salto para outro patamar competitivo. Pela qualidade que tem demonstrado, dificilmente não terá sucesso.

Um craque do ponto de vista técnico, um “monstro” em termos físicos. Depay é um avançado muito completo e a estrela maior do PSV, mas não é o único responsável pelo título do conjunto orientado por Phillip Cocu. Não se pode ignorar mais uma grande temporada de Wijnaldum, que assumiu, juntamente com Maher, o protagonismo no meio campo da equipa. Também ele já merece outros palcos. Luuk de Jong, depois de más experiências na Alemanha e em Inglaterra, voltou ao campeonato holandês para reacender a chama goleadora (15 golos no campeonato). Bruma foi o patrão do sector defensivo. Willems provou que é um dos laterais-esquerdos mais promissores do futebol europeu, destacando-se no capítulo das assistências (grande qualidade no cruzamento). Narsingh, extremo rapidíssimo, foi um dos principais desequilibradores. Em suma, o primeiro lugar é apenas a confirmação de que este plantel é bem superior ao do rival Ajax.

Wijnaldum, De Jong, Bruma e Maher, apesar da juventude, são jogadores com larga experiência. Terá sido também por aí que se estabeleceu a diferença entre o PSV e o Ajax. A turma de Frank de Boer, depois de quatro títulos consecutivos, desta vez foi traída pela baixa média de idades. Em termos de resultados, o ano não foi, de todo, positivo para o emblema de Amesterdão, mas voltaram a aparecer (ou a florescer) muitos jovens com potencial na equipa principal, sobretudo do meio campo para a frente.

Schöne é, provavelmente, a maior referência da equipa Fonte: Facebook do Ajax
Schöne é, provavelmente, a maior referência da equipa
Fonte: Facebook do Ajax

Sightorsson e Viktor Fischer perderam protagonismo em relação a anos anteriores e assistiram à afirmação de promessas como Anwar El-Ghazi, potente e com facilidade de remate, ou Ricardo Kishna, que mostrou ser um extremo desconcertante, criando desequilíbrios a qualquer momento. Milik, avançado polaco de 21 anos, foi uma das revelações da temporada, apesar de Lasse Schöne, a maior referência do conjunto de de Boer por esta altura, ter feito muitos jogos como “falso 9”. O médio ofensivo Daley Sinkgraven chegou do Heerenveen em Janeiro (deu nas vistas no início da época, sendo um dos melhores do campeonato) para formar um meio campo muito requintado do ponto de vista técnico com Davy Klaassen, mas não agarrou o lugar e tem sido suplente nos últimos encontros. A equipa da capital é notoriamente virada para o ataque, já que Bazoer, jovem de apenas 18 anos, é o único médio com características defensivas.

Na Holanda há três clubes grandes, mas o Feyenoord continua sem conseguir aproximar-se de Ajax e PSV. O emblema de Roterdão viu sair muitas peças importantes no início de temporada (Martins Indi, de Vrij, Janmaat e Pellè, para além de Ronald Koeman) e vai terminar novamente no terceiro lugar. Em abono da verdade, era difícil o trabalho do técnico Fred Rutten nesta época. As saídas não foram bem colmatadas (especialmente a de Pellè, até porque Kazim-Kazim não é um homem de área) e jogadores como Clasie, Vilhena ou Böetius estiveram bem longe da melhor forma, o que fez realçar as diferenças para os rivais ao nível da qualidade do plantel.

Elvis Manu tem brilhado no ataque do Feyenoord Fonte: Facebook do Feyenoord
Elvis Manu tem brilhado no ataque do Feyenoord
Fonte: Facebook do Feyenoord

Individualmente, Kongolo assumiu-se como o patrão da defesa, Toornstra e Immers, médios com uma excelente capacidade finalizadora, estiveram em bom plano, e no ataque Elvis Manu, extremo supersónico, e Anass Achahbar, avançado que é um regalo do ponto de vista técnico, ganharam definitivamente o seu espaço. Se no caso do PSV se pode falar num campeão antecipado, no caso do Feyenoord, tendo em conta a falta de competência na abordagem ao mercado, pode dizer-se que o terceiro lugar estava praticamente garantido.

Foto de Capa: Facebook do PSV

Tomás da Cunha

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