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Difícil pôr o pé entre os grandes… mas possível

Diogo Fresco · 2 min

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O excelente desempenho das equipas holandesas nesta fase de grupos da Liga dos Campeões foi notório. Tinham sido dez anos de eclipse quase total de equipas do país nas fases a eliminar da competição: as últimas “grandes campanhas” foram em 2005/06 – AFC Ajax e PSV Eindhoven chegaram aos oitavos – e em 2006/07- o PSV eliminara o Arsenal FC nos oitavos (2-1 no conjunto das duas mãos), mas caiu nos quartos frente ao também colosso inglês Liverpool FC (4-0 na eliminatória).

Todavia, há um par de anos, depois de tanto tempo sem grandes feitos na prova máxima da UEFA, o PSV ainda ameaçou o Atlético de Madrid: depois de dois “0-0”, os colchoneros avançaram, graças à vitória por “8-7” nas grandes penalidades.

É claro o afastamento de “ex-colossos mundiais” da elite competitiva. Numa era em que já se analisa a possibilidade de criação de uma Superliga europeia, são notórias as dificuldades de equipas como as da Holanda em competir. Mais agravante ainda é a “impossibilidade” em segurar os seus melhores jogadores.

Qualquer coisa, por muito boa ou má que seja, conta com vantagens e desvantagens. Creio que uma liga assim traria muita emoção ao futebol e concentraria os melhores frente a frente: elevava a competividade e aumentava o cachê geral. Contudo, julgo que, à imagem do desvanecer do futebol amador, também algum futebol profissional descerá ao patamar “semiprofissional” ou à segunda linha europeia (se é que já não existe).

O PSV, dentro do possível, portou-se muito bem na prova milionária
Fonte: PSV Eindhoven

Além disso, era mais fácil distribuir prémios individuais. Atualmente, todos os campeonatos são alvo de comparação entre si, ou seja, representam um peso diferente. Assim, bitaites como “o Messi tem de ir para Inglaterra provar que é bom” seriam evitados, felizmente.

De momento, não sou a favor da criação dessa prova. Mas a mudança é inevitável e só assim se saberá se traz progresso. Como negócio, é o melhor que podia acontecer aos poderosos. Já aos “oprimidos”… Como desporto, creio que o futebol ficaria a perder, muito por culpa de uma redução do espaço de oportunidade: deixaria de se ver “tomba-gigantes”, que aparecem com ainda alguma regularidade (debatível).

Nesta fase de grupos, assistimos a um Ajax forte e muito consistente e um PSV a bater-se bem num grupo com Inter de Milão, FC Barcelona e Tottenham Hotspur FC. Creio que será outra época “bem sucedida” singular, sem continuidade. A meu ver, o sucesso momentâneo do Ajax pode muito bem assemelhar-se ao do AS Monaco, que, após ganhar o campeonato e chegar longe na Liga dos Campeões com Leonardo Jardim, “perdeu tudo”. Até agora, Tadić, De Ligt (Golden Boy 2018), De Jong, Dolberg, Ziyech e Tagliafico são nomes tão sonantes como Mbappé, Bernardo Silva, Mendy, Fabinho, Bakayoko, ou Thomas Lemar em 2016/17…

Foto de Capa: AFC Ajax

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Diogo Fresco

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