Eden Hazard l O fim precoce de um mago

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Eden Hazard anunciou, aos 32 anos, que irá “pendurar as botas”. Uma das maiores promessas belgas com passagens impactantes em França e Inglaterra, chegou ao seu clube de sonho, o Real Madrid, e não vingou. Um jogador com um potencial fantástico que culminou numa enchente de lesões.

Formado no AFC Tubize, na Bélgica, e, posteriormente, em França, no Lille OSC, Hazard chegou à Liga Francesa como um furacão e em cinco anos no futebol profissional fez um total de 194 jogos, 50 golos marcados e 53 assistências. Mas o que realmente será relembrado são os seus dois títulos com as cores dos “Les Dogues”, nomeadamente a conquista do principal escalão do futebol francês, competição que não venciam há 48 anos e, no mesmo ano, a Taça de França.

Destacando-se pela impressionante capacidade técnica no último terço, acabou por chamar à atenção do mundo todo, inclusive de Roberto Di Matteo que o levaria para o Chelsea na época 2012/13.

Em Inglaterra foi o auge do craque belga que rapidamente viria a demonstrar toda a sua qualidade com o “17” nas costas e posteriormente a camisola “10”. Foram sete anos nos blues onde conquistou quatro troféus, completou mais de 300 duelos e 200 participações em golos.

Um Chelsea que na maioria das épocas necessitou profundamente da imprevisibilidade de Eden Hazard para vencer e ultrapassar os diversos desafios que, todas as semanas, a Liga Inglesa e as competições europeias promoviam.

Eden Hazard
Fonte: UEFA

Antes de “chegarmos” ao momento “Real Madrid”, há que destacar a sua longa história na seleção belga, onde fez parte da maior geração, até ao momento, dos diabos vermelhos, conquistando a melhor posição num mundial (3.º lugar). Com a camisola do seu país fez 126 jogos, 32 golos e 36 assistências. Capitão por vários anos foi determinante para as boas prestações no europeu de 2016 e o mundial de 2018.

As épocas descritas acima levaram a que o Real Madrid investisse nos seus serviços e, em 2019, pagasse uma verba a rondar os 100 milhões de euros por um dos melhores jogadores do mundo naquele momento, mas a boa história que se avizinhava, não sucedeu. Chegou como um diamante, mas ficou por lapidar.

Em Madrid, perdeu quase 100 jogos em aproximadamente quatro anos. Para terem uma noção, no Chelsea, não esteve presente em apenas 20 confrontos, em sete anos. Foram cerca de 16 lesões diferentes, principalmente musculares, que posteriormente culminaram em vários momentos de stress/pressão que como todos sabemos, facilita para haver uma maior probabilidade deste tipo de contusões. E naturalmente, Eden Hazard cansou-se de perder para o seu próprio corpo.

De relembrar que o belga já tinha rescindido com o Real Madrid em junho deste ano e até ao momento do anúncio, dia dez de outubro, rejeitou todas as propostas que recebeu. Equipas da Turquia, Arábia e até mesmo dos Estados Unidos entraram em contacto com os representantes do jogador, mas a sua cabeça já não estava “virada” para o desporto-rei.

Em suma, deixar o futebol foi uma atitude muito honesta de Hazard. Sabendo que poderia arranjar um outro clube, onde ganharia muito dinheiro mesmo não estando na sua plenitude física, o ex-internacional belga preferiu não passar por essa pressão e um risco de novas lesões que só fariam mal para o seu psicológico.

É uma pena, para os amantes de futebol, que as lesões tenham feito um dos jogadores mais técnicos que vi na década passada, desistir do futebol aos 32 anos de idade.

Miguel Costa
Miguel Costa
Licenciado em Jornalismo e Comunicação, o Miguel é um apaixonado por desporto, algo que sempre esteve ligado à sua vida. Natural de Santiago do Cacém, o jornalismo desportivo é o seu grande objetivo. Tem sempre uma opinião na “ponta da língua”, nunca esquecendo a verdade desportiva. Escreve com acordo ortográfico.

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