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Zwickau, cidade alemã e capital de um distrito com o mesmo nome, serve de base a um clube modesto chamado FSV Zwickau, que se encontra actualmente a disputar a 3. Liga (terceira escalão da pirâmide futebolística alemã). Longe dos grandes escaparates mediáticos, o FSV Zwickau, que outrora viveu momentos de glória nos tempos da extinta RDA (República Democrática Alemã), tem uma história recente curiosa e vive momentos de grande optimismo. 32 pontos conseguidos nos últimos 13 jogos à conta de 10 vitórias, 2 empates e apenas 1 derrota permitiram ao FSV Zwickau dar um salto gigantesco na tabela classificativa, que os coloca às portas dos lugares de subida a seis jogos do final da temporada. Contudo, ainda que matematicamente possível, uma eventual subida de divisão não se irá realizar, uma vez que o clube não entregou à DFL (Deutsche Fussball Liga) a documentação necessária para se inscrever na 2. Bundesliga na próxima temporada. O porta-voz do clube Tobias Leege explicou há umas semanas atrás o porquê disto ter acontecido e a razão prende-se com o simples facto de o FSV Zwickau, no dia 1 de Março (data limite para a entrega da documentação), estar literalmente afundado no penúltimo lugar da tabela classificativa.

Fonte FSV Zwickau
Os problemas financeiros são outra razão para este impasse administrativo, uma vez que o clube, que subiu esta temporada à 3. Liga, tem apresentado algumas dificuldades em fazer face aos custos que acarreta disputar este escalão do futebol alemão. A ajuda de clubes amigos, como o SG Dynamo Dresden, tem sido uma peça chave para manter o FSV Zwickau a competir nas ligas profissionais.
Apesar deste renascer das cinzas, que tem permitido ao FSV Zwickau subir na pirâmide do futebol alemão, o sucesso dos dias que correm em nada, ou quase nada, pode ser comparado com os momentos de glória que a equipa conseguiu durante as décadas de 1960 e 1970. O sucesso desses tempos, quando ainda jogavam sob o nome BSG Sachsenring Zwickau, confunde-se em toda a linha com o nome de Jürgen Croy, um guarda-redes brilhante e à frente do seu tempo, unanimemente colocado pela crítica especializada no mesmo patamar de Dino Zoff e Sepp Maier.
Jürgen Croy defendeu as redes do BSG Sachsenring Zwickau durante 16 anos e este foi o único clube que conheceu durante toda a sua carreira. Pretendido pelos grandes emblemas da RDA, Croy, ainda que pressionado pelas autoridades, disse sempre que não a uma mudança para Leipzig ou para Dresden e permaneceu em Zwickau, na cidade e no clube onde ele e a sua família se sentiam em casa até ao final da sua fantástica carreira. Numa entrevista concedida à revista 11 Freunde em 2011, Croy contou que não eram 400 Marcos a mais que o fariam mais feliz e negou ter alguma vez recebido uma proposta concreta do outro lado da fronteira, apesar de saber do interesse de alguns clubes da Bundesliga.

Fonte: tag24.de
Croy era um guarda-redes brilhante em toda a linha e nem o facto de não representar um dos principais da extinta Oberliga pesou aquando da sua chamada à selecção, tal era a sua qualidade. Croy realizou 94 jogos pela selecção da RDA e foi figura central nos momentos de glória vividos pelo combinado da Alemanha Oriental durante a década de 1970. A medalha de prata conseguida nas Olimpíadas de 1972 na Alemanha Ocidental e medalha de ouro conseguida nas Olimpíadas de 1976 no Canadá são apenas alguns dos marcos históricos na vida de uma selecção tanta vezes esquecida pela crítica, mas que sob o cunho pessoal do “mestre” Georg Buschner, deixou uma marca incomensurável no futebol mundial.
Para além de ser o esteio do BSG Sachsenring Zwickau, Croy era uma peça chave dessa selecção da RDA. Foi com Croy entre os postes que a RDA venceu a sua vizinha RFA no Mundial de Futebol de 1974 por 1-0 com um golo de Jürgen Sparwasser em Hamburgo, num encontro com uma carga política enorme, mas que no final de contas, como descreve Croy, o que importava para os jogadores da RDA era mostrar ao mundo que eram tão bons ou melhores que os seus parceiros da Alemanha Ocidental. Croy fez uma exibição assombrosa e os alemães da RFA “culparam-no” pelo seu próprio desaire. Croy, bem mais modesto, prefere relembrar o trabalho da equipa e o golo do seu companheiro Jürgen Sparwasser como os momentos mais marcantes desse jogo.

fonte: tag24.de
Com Croy ao leme da equipa, o BSG Sachsenring Zwickau venceu por duas vezes o FDGB-Pokal (Taça da RDA) e teve uma campanha de toda a forma brilhante na Taça dos Vencedores das Taças na época de 1975-76. A quase omnipresença de Jürgen Croy levou o BSG Sachsenring Zwickau até às meias-finais da competição onde viria a cair às mãos do poderoso RSC Anderlecht, que viria a vencer o torneio. Pelo caminho ficaram equipas como a do Celtic FC, a ACF Fiorentina e o Panathinaikos FC às mãos de uma formação inexperiente que tinha em Croy a sua maior referência.
Daquela equipa fantástica de Jürgen Croy nada resta, nem mesmo o nome, mas o “novo” FSV Zwickau tem lutado com unhas dentes para devolver à cidade, que produziu os históricos automóveis Trabant, as glórias futebolísticas que em tempos por lá se viveram.
Foto de capa: mdr.de












