Liderança contra o tempo: Os capitães de futebol com mais tempo de serviço na Europa

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O mundo do futebol está em constante movimento. As fases mais entusiasmantes são a época de transferências, os arranques de temporada e a fase final quando tudo está equilibrado.

A adrenalina de não saber como vão acabar um jogo, o medo do pénalti, a preocupação com a lesão do jogador preferido. Tudo isto resume, um pouco, daquilo que faz os apaixonados por futebol continuarem a fazer deste desporto o rei. 

Mas há algo, não tão notado, que ilude completamente o adepto de futebol: o mesmo jogador ficar na mesma equipa durante anos.

É extremamente raro, hoje em dia, um jogador permanecer no clube por mais de duas ou três épocas. Às vezes é opção do profissional, outras, opção da administração. Nem sempre se deve aos maus resultados, mas a ambições pessoais ou coletivas que pedem mais.

Ainda assim, ao longo da história, vários jogadores desafiaram esta tendência, passando metade das suas carreiras profissionais a ser capitães da mesma equipa.

O primeiro a referir, como não podia deixar de ser, é Francesco Totti, que liderou quase duas décadas à frente da AS Roma.

Francesco Totti
Fonte: UEFA

Francesco Totti, foi o jogador que mais tempo permaneceu num único clube. Durante quase duas décadas, Totti usou a braçadeira de capitão da AS Roma, tornando-se um símbolo de lealdade e liderança no futebol moderno. Durante os seus 19 anos como capitão, entre 1998 e 2017, o clube conquistou vários títulos importantes, incluindo o campeonato da Serie A em 2000/01, dois troféus consecutivos da Coppa Italia em 2006/07 e 2007/08, e a Supercoppa Italiana em 2001 e 2007. Totti também levou a Roma a seis vice-campeonatos da Serie A.

Totti é mais que um nome de estatística. É um ídolo de qualquer adepto italiano, e do mundo, por se manter quase tatuado na AS Roma. O seu nome ecoa pelo mundo do futebol como um dos melhores de todos os tempos, mas só quem viu sabe o quanto este senhor foi um jogador como nunca existirá.

Franco Baresi vem logo atrás dele como o segundo capitão mais antigo da história do futebol, liderando o AC Milan por 15 épocas, entre os anos 80 e 90. Um ícone defensivo cujas habilidades táticas o tornaram um dos maiores defesas de todos os tempos e, ainda, guiou o Rossoneri durante a sua era de ouro. Durante esse período, o clube conquistou seis títulos da Serie A e três Copas da Europa/Liga dos Campeões, além de muitos outros troféus nacionais e internacionais.

Mas não foi só na liga italiana que este fenómeno se desenrolou. Outras duas lendas do futebol estão ao lado de Baresi: Tony Adams e Ron Harris, cada um deles capitão das suas equipas por, nada mais, nada menos, do que 14 anos. Adams liderou os Gunners a vários títulos da Premier League, enquanto Ron “Chopper” Harris se tornou o capitão mais antigo do Chelsea e uma figura marcante na história do clube.

John Terry
Fonte: Chelsea

Seis outros jogadores de futebol passaram bem mais de uma década como capitães de equipa: John Greig (Rangers, 1965-1978), John Terry (Chelsea, 2004-2017) e Loïc Perrin (Saint-Étienne), cada um tendo usado a braçadeira por 13 anos.

Bryan Robson passou 12 épocas à frente do Manchester United, entre 1982 e 1994. Paolo Maldini liderou o AC Milan por 12 anos, enquanto Steven Gerrard foi capitão do Liverpool pelo mesmo período.

Gerrard
Fonte: Liverpool FC

Todos continuam ligados, de várias formas, ao futebol. Mas todos ficaram eternizados nos clubes onde jogaram como autênticas lendas. A verdade é que a cultura atual já não segue a linha do “one man club”. Mas será que isto faz com que os clubes deixem de ter lendas? Ou apenas demonstra um desporto em constante evolução e cada vez mais competitivo?

Outro facto interessante é que cinco dos dez capitães com mais tempo de serviço, Adams, Harris, Terry, Robson e Gerrard, passaram as suas carreiras nos principais clubes da Inglaterra, mostrando que a Premier League valoriza não só o talento, mas também a liderança e a consistência. Três jogadores, Totti, Baresi e Maldini, passaram as suas carreiras a jogar por gigantes italianos, e apenas um, Loïc Perrin, na Ligue 1 francesa.

Além disso, o Chelsea é o único clube de futebol com dois nomes nesta lista. Olhando para as suas posições, uma coisa se destaca. Sete dos dez capitães mais antigos eram defesas, provando que os clubes costumam depositar a sua confiança a longo prazo na linha defensiva.

Há nomes que ecoarão para sempre nos estádios, que ficaram gravados na memória de quem os viu e no coração de quem gostava de ter visto. 

Francisca Marafona Graça
Francisca Marafona Graça
A Francisca apaixonou-se pela bola ainda antes de saber andar. Vive o desporto como quem joga de primeira e escreve como quem faz um passe em profundidade. Licenciada e mestre em jornalismo, vibra com uma boa tática — seja no relvado ou no papel.

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