Os alicerces da nova casa de Ronaldo: a história do Al-Nassr FC

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Tal como evidencia a subida explosiva do número de seguidores da conta oficial de Instagram do Al Nassr FC, que aumentou de 800 mil para mais de 11 milhões desde a chegada de Cristiano Ronaldo, o interesse no novo clube do astro português é enorme, embora pouco se saiba deste emblema no panorama internacional. Assim, para estes curiosos, segue-se um resumo da história da nova casa de CR7.

O Al-Nassr foi fundado em 1955, em Riade, capital da Arábia Saudita, pelos irmãos Hussein e Zeid Al-Já’ba, sendo um dos clubes mais antigos deste país. O nome da equipa, que em árabe significa “vitória”, é partilhado por diferentes conjuntos noutros países vizinhos, mas a nova formação de Ronaldo foi a primeira e é a mais famosa com esta designação.

Em 1960, o Príncipe Abdul Rahman bin Saud Al Saud assumiu a presidência do Al-Nassr – ocupou o cargo durante quase 40 anos, tendo sido o primeiro de vários membros da família real a presidir a organização – e este deixou de ser um clube amador, passando ao estatuto profissional e começando a disputar a segunda divisão saudita. Foram também da sua autoria as cores e o emblema da equipa, que contém o mapa da Arábia representado, com o deserto a servir de inspiração para o amarelo e os mares que rodeiam a península árabe para o azul.

Pouco depois, em 1963, o clube subiu à primeira divisão e, volvidos dez anos, conquistaram o seu primeiro troféu e iniciaram uma sequência consistente de conquistas durante os anos 70, 80 e 90, que incluiu seis Campeonatos (1975, 1980, 1981, 1989, 1994 e 1995), duas Taças da Arábia Saudita (1973 e 1974) seis Taças do Rei (1974, 1976, 1981, 1986, 1987 e 1990), duas Taças da Federação Saudita (1975 e 1997), duas Taças do Golfo (1996 e 1997) uma Supertaça Asiática (1998), uma Taça dos Campeões de Taças Asiáticas (1998), bem como a sua melhor participação de sempre na Liga dos Campeões Asiática (chegaram à final em 1995) e uma histórica presença no primeiro Campeonato do Mundo de Clubes, em 2000, ganhando a alcunha de “o clube internacional”.

Muito deste sucesso deveu-se ao chamado “trio de ouro saudita” com que o Al-Nassr contava no seu plantel, constituído por Fahd al-Herafy, Mohaisn al-Jam’aan e Majed Abdullah. Este último é considerado uma das maiores figuras de sempre do futebol saudita e passou toda a sua carreira no Al-Nassr, sendo o melhor marcador da história do clube, da seleção da Arábia Saudita (72 golos) e da liga desta nação (189 golos).

Com a aposentação das suas referências, o Al-Nassr passou por algumas dificuldades na primeira década deste milénio, tendo inclusivamente lutado pela manutenção na primeira divisão até à última jornada em 2007, mas, mais recentemente, voltou aos triunfos, conquistando mais três Campeonatos (2014, 2015 e 2019), uma Taça da Arábia Saudita (2013), duas Supertaças (2019 e 2020) e uma Taça da Federação Saudita (2007).

Foi também neste período, mais precisamente, em 2015, que o atual estádio do emblema da capital saudita foi inaugurado (entretanto, em 2020, foi já remodelado). Trata-se do Mrsool Park, que tem capacidade para 25000 espectadores e que já foi palco de diversos eventos desportivos e culturais, desde jogos solidários, partidas da Supertaça Espanhola, combates de boxe, espetáculos da WWE, concertos pop e Grandes Prémios da Fórmula 1. 

Analisando os nomes que já passaram pelo Al-Nassr, facilmente se conclui que Cristiano Ronaldo é, sem dúvida, a figura mais icónica de sempre a ingressar na equipa – e, no fundo, em todo o futebol árabe –, no entanto, não é o primeiro Bola de Ouro a representá-la, já que também Stoichkov passou por Riade, bem como Cannavaro, embora o italiano tenha sido apenas treinador. 

Entre outros nomes familiares a envergar esta camisola, destacam-se ainda Denílson, Musa, Funes Mori, Amrabat, Charisteas, Maicon, Luiz Gustavo, Ospina, Aboubakar e Talisca, estes últimos quatro ainda ao serviço do clube. Para além de Cannavaro, também Mano Menezes, Henri Michel, Walter Zenga, René Higuita (como treinador de guarda-redes) e Rudi Garcia (atual treinador) orientaram a equipa. Já no panorama nacional, Hugo Porfírio foi o único atleta português a jogar neste conjunto, ao passo que Artur Jorge, Mariano Barreto, Hélder Cristóvão, Pedro Emanuel e Rui Vitória comandaram a equipa técnica, tendo este último, inclusive, conquistado o mais recente campeonato deste emblema.

Apesar de todos estes nomes e troféus, a verdade é que o Al-Nassr não é o clube mais titulado do seu país, já que o seu opositor de Riade, o Al-Hilal, tem mais conquistas tanto a nível doméstico (possui o dobro dos campeonatos nacionais), como internacional (é a equipa com mais Ligas dos Campeões Asiáticas, enquanto o emblema de CR7 nunca ganhou a prova). Para além deste, também o Al-Ittihad, de Gidá, apresenta um palmarés mais recheado.

Todavia, com o Al-Nassr a ocupar a primeira posição do Campeonato e com um dos melhores futebolistas da história no seu plantel, as condições para reconquistar a liga saudita e voltar (este ano, falharam o apuramento) a marcar presença na Liga dos Campeões Asiática na próxima temporada são ótimas. E quem melhor do que o maior artilheiro da história da liga milionária para trazer o tão ambicionado título continental a Riade e inverter o estatuto do Al-Nassr comparativamente aos seus rivais?

Artigo da opinião de Simão Vitorino.

Redação BnR
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