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Ucrânia | O dia em que a bola deixou de rolar

João Pedro Gonçalves · 3 min

Ucrânia | O dia em que a bola deixou de rolar
Foto: UEFA

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Era previsível e é agora uma certeza, o campeonato ucraniano foi suspenso devido à situação de guerra entre a Ucrânia e a Rússia.

A prova estava em pausa de inverno e tinha recomeço marcado para sexta-feira. Esta suspensão nunca será inferior a um período de 30 dias. Depois das interrupções por causa da Covid-19, a duração da paragem poderá sentenciar o futuro do futebol ucraniano.

Um pouco mais de meio campeonato jogado, este ano, a Federação Ucraniana de Futebol tinha conduzido algumas alterações ao modelo competitivo. Alargamento de equipas e, também, desde a temporada passada, o fim dos play-offs. Alterações que pareciam trazer resultados. No topo uma luta acesa, a meio de tabela e nos lugares de despromoção tudo muito próximo. Esta temporada, a Ucrânia já não tinha presença nas competições europeias o que coloca em perigo a sua posição no ranking da UEFA.

Com a suspensão e o impasse futuro, a Liga ucraniana poderá estar por um fio. A nível financeiro os clubes podem não sobreviver a mais uma pausa, depois do choque da pandemia, e parece ser impossível as equipas continuarem com o mesmo nível sem entrada de dinheiro, até porque o mais certo é os patrocinadores abandonarem os emblemas. Além disso, com o impasse e com muita dúvida no ar, e num exercício de futurologia desconhece-se a capacidade dos clubes para marcarem presença em competições europeias e tornar o país atrativo a nível futebolístico – que até vinha a ser para o mercado brasileiro, especialmente -.

Com recursos financeiros em perigo, os ativos, mais propriamente os jogadores internacionais, poderão abandonar os seus clubes – dependendo do desenrolar dos acontecimentos – como já tem sido dado conta -. Esta perda de algumas estrelas, além de significar o não retorno de um investimento feito nas equipas, manda também uma mensagem que coloca a Ucrânia fora da rota dos mercados apetecíveis para os jogadores.

O FC Shakhtar Donetsk, talvez o principal clube nos últimos anos, é quem mais poderá sofrer já que 14 dos 29 atletas são estrangeiros, e uma equipa técnica maioritariamente italiana. As restantes formações são equipas que vivem muito das academias, que vão estar um tempo indeterminado com paragem.

Com este risco até de falência, mas neste momento, de paragem de competição, o ranking da UEFA, onde a Ucrânia tem a Sérvia, a Bélgica e a Suíça muito perto, poderá colocar em Xeque-Mate a presença ucraniana nos próximos anos nas três competições europeias. No que diz respeito ao ranking da FIFA e com o apuramento para o mundial a começar em março, estará a Ucrânia preparada para poder jogar? Na última convocatória quase 70% da formação vinha do campeonato ucraniano.

Tudo depende do tempo de paragem, mas o futuro do futebol da Ucrânia não se augura próspero. Com a possibilidade de os clubes não resistirem a mais uma crise, ao facto de escalões jovens demorarem o seu tempo a retomar, aos próprios rankings terem quedas abruptas e até o próprio risco da Ucrânia não disputar um lugar no Mundial, o efeito dominó poderá tornar um campeonato em expansão e uma seleção que parecia rejuvenescer em anos travessia do deserto do futebol.

João Pedro Gonçalves

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O Sunderland é uma das equipas mais românticas desta edição da Europa League. Não pelo futebol, mais próximo da ideia genérica do futebol inglês e britânico e pouco dado a estéticas e modernidades, mas pela história de um clube tradicional que, aos olhos de todo o mundo, desceu à 3.ª Divisão, fez o caminho das trevas e, à primeira, garantiu o acesso às competições europeias. Nesta caminhada, a série «Sunderland ‘Til I Die» ajudou o clube do Nordeste de Inglaterra a tornar-se mais global, solidarizando e sensibilizando adeptos de todo o mundo. No que toca a ter as ruas do seu lado, há poucos clubes mais bem posicionados do que o Sunderland. Um deles, ainda assim, é o Torreense. Por mais que seja interessante olhar para lá do óbvio, não nos podemos esquecer, em qualquer análise, que a competição para o emblema de Torres Vedras é altamente desigual. Enquanto se debela com um arranque de época delicado na Segunda Liga, o Torreense vai usando a Europa League como uma diversão cada vez mais competitiva, como uma montra de luxo para se publicitar enquanto clube e como uma recompensa merecida a um feito extraordinário. Este carinho natural para com o outsider roubou algum do protagonismo à primeira deslocação europeia do Sunderland em 53 anos. E, mais do que os dados lançados antes do jogo, o rumo dos 90 minutos ajuda a ganhar um sentimento de identificação com o Torreense.

Diogo Ribeiro · 7 min de leitura
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