Ucrânia | O dia em que a bola deixou de rolar

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Era previsível e é agora uma certeza, o campeonato ucraniano foi suspenso devido à situação de guerra entre a Ucrânia e a Rússia.

A prova estava em pausa de inverno e tinha recomeço marcado para sexta-feira. Esta suspensão nunca será inferior a um período de 30 dias. Depois das interrupções por causa da Covid-19, a duração da paragem poderá sentenciar o futuro do futebol ucraniano.

Um pouco mais de meio campeonato jogado, este ano, a Federação Ucraniana de Futebol tinha conduzido algumas alterações ao modelo competitivo. Alargamento de equipas e, também, desde a temporada passada, o fim dos play-offs. Alterações que pareciam trazer resultados. No topo uma luta acesa, a meio de tabela e nos lugares de despromoção tudo muito próximo. Esta temporada, a Ucrânia já não tinha presença nas competições europeias o que coloca em perigo a sua posição no ranking da UEFA.

Com a suspensão e o impasse futuro, a Liga ucraniana poderá estar por um fio. A nível financeiro os clubes podem não sobreviver a mais uma pausa, depois do choque da pandemia, e parece ser impossível as equipas continuarem com o mesmo nível sem entrada de dinheiro, até porque o mais certo é os patrocinadores abandonarem os emblemas. Além disso, com o impasse e com muita dúvida no ar, e num exercício de futurologia desconhece-se a capacidade dos clubes para marcarem presença em competições europeias e tornar o país atrativo a nível futebolístico – que até vinha a ser para o mercado brasileiro, especialmente -.

Com recursos financeiros em perigo, os ativos, mais propriamente os jogadores internacionais, poderão abandonar os seus clubes – dependendo do desenrolar dos acontecimentos – como já tem sido dado conta -. Esta perda de algumas estrelas, além de significar o não retorno de um investimento feito nas equipas, manda também uma mensagem que coloca a Ucrânia fora da rota dos mercados apetecíveis para os jogadores.

O FC Shakhtar Donetsk, talvez o principal clube nos últimos anos, é quem mais poderá sofrer já que 14 dos 29 atletas são estrangeiros, e uma equipa técnica maioritariamente italiana. As restantes formações são equipas que vivem muito das academias, que vão estar um tempo indeterminado com paragem.

Com este risco até de falência, mas neste momento, de paragem de competição, o ranking da UEFA, onde a Ucrânia tem a Sérvia, a Bélgica e a Suíça muito perto, poderá colocar em Xeque-Mate a presença ucraniana nos próximos anos nas três competições europeias. No que diz respeito ao ranking da FIFA e com o apuramento para o mundial a começar em março, estará a Ucrânia preparada para poder jogar? Na última convocatória quase 70% da formação vinha do campeonato ucraniano.

Tudo depende do tempo de paragem, mas o futuro do futebol da Ucrânia não se augura próspero. Com a possibilidade de os clubes não resistirem a mais uma crise, ao facto de escalões jovens demorarem o seu tempo a retomar, aos próprios rankings terem quedas abruptas e até o próprio risco da Ucrânia não disputar um lugar no Mundial, o efeito dominó poderá tornar um campeonato em expansão e uma seleção que parecia rejuvenescer em anos travessia do deserto do futebol.

João Pedro Gonçalves
João Pedro Gonçalveshttp://www.bolanarede.pt
Quem conhece o João sabe que a bola já faz parte dele. A paixão pelo desporto levou-o até à Universidade do Minho para estudar Ciências da Comunicação. Tem o sonho de fazer jornalismo desportivo e viver todos os estádios.

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