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Um amor platónico chamado Futebol

Duarte Amaro · 3 min

Federação Alemã de Futebol dá liberdade a jogadores transexuais. Já se conhecem as cidades do Mundial de 2026. Clube banido após marcar 41 autogolos num jogo Benfica árbitro português Portugal desporto
Foto: Bola na Rede

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Embora o seu nascimento esteja associado à mais nobre burguesia inglesa, rapidamente o futebol se alastrou por todas as classes sociais e, à medida que os anos foram passando, acabou por adquirir uma importância tremenda nas mais diversas sociedades que constituem o mundo no qual vivemos.

Esta importância é notória quando, ainda antes de nascermos, já somos sócios de um determinado clube. O futebol acaba por ser uma religião para um grande número de pessoas que veem neste desporto o expoente máximo da vida, através da arbitrariedade, da sorte ou do azar e da meritocracia.

Sendo um adepto fervoroso do futebol, amo quase tudo o que o compõe. Não se trata só de vinte e dois jogadores a correr atrás de uma bola, mas sim de todos os sentimentos a si associados, quer na felicidade das mais belas vitórias, quer na tristeza das mais dolorosas derrotas.

Todavia, associada à palavra paixão está a palavra cegueira. O futebol acaba por ser um amor platónico que nos cega, por completo, fazendo-nos esquecer que, neste mar de rosas, existe um “Titanic” afundado no mar.

O aspeto cultural (que devia ser o mais importante) é, talvez, o menos importante quando comparado a outros como o económico, o social ou o político. E é devido a esta pluridimensionalidade que o futebol é um dos fenómenos mais relevantes nas sociedades contemporâneas.

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Fonte: Sebastião Rôxo / Bola na Rede

Associada a esta relevância vem uma responsabilidade tremenda que nunca poderá ser posta de lado. Como qualquer outro negócio, o futebol exige administrações competentes e sóbrias. Esta dificuldade em conciliar a vertente económica com a vertente desportiva creio que é uma das maiores lacunas que este desporto tem. Basta olharmos para a realidade portuguesa, na qual a maioria dos clubes se encontram endividados. Dívidas que acabam por ser disfarçadas devido à dimensão social do jogo. Contudo, isto não sucede só em Portugal, mas sim um pouco por todo o mundo, e o grande problema está quando estas lacunas económicas passam a lacunas sociais, onde o que existe de mais importante na vida de qualquer ser humano é esquecido: os seus direitos. Atrás do espetáculo económico gerado, está um circo social e o Mundial do Catar é o expoente máximo do que o futebol representa nos dias de hoje. Um desporto que devia pertencer a todos, pertence só a alguns, no qual o dinheiro prevalece sobre os nossos direitos e onde pessoas dão a vida para construir estádios em modo relâmpago, num país que, de futebol, nada tem.

A ideia de que o futebol pertence às pessoas é ultrapassada a cada dia que passa, mesmo diante o nosso ignorante olhar.

Para o fim, deixei a parte política, pois é das que mais me inquieta. Inquieta-me porque o futebol (e o desporto em si) tem um poder tremendo para se constituir como um pilar deste espetro. Basta recordar as medidas que têm sido tomadas ao longo da guerra entre Ucrânia e Rússia para sancionar o regime de Vladimir Putin.

Mesmo assim, existe um complexo muito grande quando se tenta misturar estes dois mundos e, apesar de aceitar, não podia discordar mais, muito por razões como as que acabei de enunciar. Relativamente à questão da minha aceitação, esta passa muito pelo panorama atual do mundo e a descredibilização da política.

Posto isto, resta-nos refletir sobre o panorama atual do futebol, cabendo-nos a nós, amantes do futebol, não fazer vista grossa a todas as atrocidades que acontecem diariamente neste desporto, sobre as quais nós não temos a mínima perceção. E este é o perigo: a nossa ignorância.

A ânsia de ver um jogo que nos cega, relegando todos estes perigos para “debaixo do tapete”, dando a imagem de um desporto perfeito.

Duarte Amaro

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