Vamos ter saudades do ‘Fenómeno Didier’

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Desta vez foi a sério e, depois de alguma dúvida e especulação, Didier Drogba decidiu-se mesmo a terminar a carreira. Como quando um capítulo, ou, neste caso, uma era termina, o que ficará indelével na história será aquilo que nós pensamos em primeiro lugar quando recordamos alguém.

No caso de Didier Drogba é impossível esquecer a sua forma de ser dentro do campo, sim, forma de ser, mais para além da de estar. O ponta-de-lança natural de Abidjan, a maior cidade da Costa do Marfim, tinha em si tudo o que um defesa mais temia. Arranque, velocidade estonteante e aliar isso a capacidade técnica de excelência fizeram de Drogba um dos melhores números 9 que o futebol africano trouxe para o mundo. Sem esquecer o seu jogo de cabeça e virtudes físicas portentosas, Didier era e é exemplo no que concerne a sua personalidade forte que faziam dele um líder que puxava a equipa para a frente. Fora das quatro linhas, Drogba é outro exemplo a seguir de solidariedade para com os mais necessitados e exemplo disso é a existência da sua fundação que auxilia os seus compatriotas costa-marfinenses…

Mas este artigo serve para louvar os seus méritos futebolísticos, que não foram poucos. Saído muito cedo da sua Costa do Marfim para viver em França, bem longe dos seus pais, o ‘craque’ cumpriu formação no Levallois SC e no Le Mans, onde iniciou carreira sénior. Depois foi no Guingamp que deu nas vistas e assim chegou ao topo do futebol francês pela porta do Marselha. Em 2003/04, chegou à final da Taça UEFA com os marselheses e Mourinho não o deixou fugir, levando-o para o Chelsea. Os dois jogos entre FC Porto e Marselha na fase de grupos da ‘Champions’ nessa época foram mais que suficientes para tirar as dúvidas a José Mourinho…

A 19 de maio de 2012, Drogba viveu a sua noite mais gloriosa de sempre
Fonte: Chelsea FC

E foi em Inglaterra que o costa-marfinense foi mais feliz e onde jogou mais anos, com duas passagens, pelo Chelsea. Se quando chegou a Stamford Bridge, os londrinos não venciam a Liga Inglesa há 50 anos…Didier almejou levantar a ‘Premier League’ por quatro ocasiões, mais quatro Taças de Inglaterra, 3 Taças da Liga e duas Supertaças.

A 19 de maio de 2012, vive a sua noite mais gloriosa de sempre. Marca no tempo regulamentar e converte o penálti decisivo que deu a até agora única Liga dos Campeões aos ‘blues’, contra o Bayern de Munique, em plena Allianz Arena. Já tinha deixado o clube quando, na temporada seguinte, o Chelsea ergueu o troféu da Liga Europa.

China, Turquia, Canadá e EUA foram outras paragens do africano quando a a carreira já se aproximava da sua curva descendente. No Shangai Senhua esteve poucos meses, no Galatasaray venceu todas as competições domésticas, ao passo que Impact Montréal e Phoenix Rising foram as últimas etapas da carreira de Drogba.

A nível de seleção ficou o amargo de boca de, por duas ocasiões, ter perdido a competição mais cobiçada do continente africano nas grandes penalidades. Assim foi em 2006, contra o Egito, e, em 2012, diante da Zâmbia. Quanto a Mundiais, Drogba esteve presente em três fases finais, 2006, 2010 e 2014, mas sem nunca passar a fase de grupos. Outra mágoa…

Individualmente, Didier Yves Drogba Tébily foi considerado, por duas vezes, jogador africano do ano, melhor jogador a jogar em França, venceu um ‘Golden Foot’, esteve, por duas ocasiões, na melhor equipa da CAN, duas vezes melhor marcador da Premier League, no melhor onze a jogar em França, FIFA team of the year e melhor marcador da Liga Europa.

Por todas estas razões e outras mais dizemos, já nostálgicos, que vamos sentir saudades do fenómeno Drogba dentro do campo e de aprender como uma força da natureza sabia e podia sorrir contagiantemente como uma criança.

Foto de capa: Chelsea FC

Revisto por: Jorge Neves

Rúben Tavares
Rúben Tavareshttp://www.bolanarede.pt
O futebol foi a primeira paixão da infância, no seu estado mais selvagem e pueril. Paixão desnuda. Hoje não deixou de ser paixão, mas é mais madura, aliada a outras paixões de outras idades: a literatura, as ciências sociais, as ciências humanas.                                                                                                                                                 O Rúben escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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