Zenit: dar um passo em frente

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O Zenit é, actualmente, o clube mais poderoso do futebol russo. Todos os anos o emblema de São Petersburgo investe muitos milhões de euros no reforço do plantel, que tem cumprido com a obrigação de, pelo menos, lutar pelo título. No entanto, o conjunto orientado por Luciano Spalletti ainda não conseguiu dar um passo em frente a nível internacional, não só em termos de resultados como também no que toca às exibições. Apesar de estar pela segunda vez na sua história na fase a eliminar da Champions League – na primeira defrontou o Benfica -, depois da derrota por 2-4 na recepção ao Dortmund muito dificilmente a equipa dos portugueses Neto e Danny conseguirá evitar o afastamento da prova.

Desde 2005, ano em que a Gazprom iniciou o investimento no clube, o Zenit teve um crescimento notório. Em 2008 venceu de forma surpreendente a Taça UEFA e, na época seguinte, viria a conquistar a Supertaça Europeia. Os dois títulos continentais marcaram o princípio da afirmação internacional do emblema de São Petersburgo, que desde então tem sido presença assídua na Champions League. Contudo, apesar da enorme qualidade do plantel, ainda não é desta que os russos vão ultrapassar a barreira dos oitavos-de-final. Depois do fracasso que foi a última temporada, onde a equipa não conquistou qualquer título, o fim da linha para Spalletti parece estar próximo.

Um dos factores que certamente terá prejudicado o Zenit no confronto com o Dortmund foi o facto de o campeonato estar parado desde Dezembro. A equipa acusou a falta de competição e não conseguiu manter a intensidade e a concentração ao longo dos 90 minutos. Mas os problemas já vêm de trás: na fase de grupos as exibições não foram melhores – especialmente frente ao Áustria de Viena – e em condições normais os russos nem teriam conseguido apurar-se.

Em 2008, o Zenit surpreendeu com a conquista da Liga Europa  Fonte: UEFA
Em 2008, o Zenit surpreendeu com a conquista da Liga Europa
Fonte: UEFA

A nível interno, o campeonato vai recomeçar nesta semana e o conjunto de Spalletti chega a esta segunda metade da temporada com possibilidades de recuperar o título. O emblema de São Petersburgo está no primeiro lugar, em igualdade pontual com o Lokomotiv, tendo uma vantagem de 1 ponto para o Spartak, 5 para o Dínamo e 6 para o campeão CSKA. Ainda nada está decidido.

A política de mercado do Zenit deu sempre prioridade à contratação de jogadores que actuam no próprio campeonato, aproveitando para enfraquecer os rivais. O último exemplo desta situação é Rondón, avançado que chegou do Rubin Kazan por 18 milhões de euros e que preenche uma das principais lacunas do plantel. Ainda assim, o emblema de São Petersburgo é um cliente habitual do futebol português. Hulk e Witsel foram os últimos jogadores a rumar à Rússia. Depois de ter passado por alguns problemas de adaptação na última temporada, o “Incrível” tem feito uma época positiva e é um dos elementos mais influentes da equipa. Em relação ao belga, que podia ser um dos melhores médios da Europa, não evoluiu e nesta fase parece óbvio que tomou uma péssima decisão para a carreira. No que diz respeito aos portugueses, Danny continua a ser uma das principais figuras do conjunto de Spalletti; pelo contrário, Neto tem somado erros nos últimos encontros.

Apesar da capacidade financeira do Zenit, o plantel não é tão completo como poderia ser. Na defesa falta um central de topo – não surpreende o interesse em Garay – e no meio-campo, onde a idade avançada de elementos como Zyrianov ou Tymoschuk não ajuda, existem poucas opções. Com a contratação de Rondón, o ataque está bem servido. O principal problema, porém, está no banco. Spalletti já não consegue passar as suas ideias para os jogadores, tanto a nível técnico-táctico como em termos de entrega ao jogo. A saída do treinador italiano poderá ser a solução para que os russos consigam dar o tal passo em frente.

Tomás da Cunha
Tomás da Cunha
Para o Tomás, o futebol é sem dúvida a coisa mais importante das menos importantes. Não se fica pelas "Big 5" europeias e tem muito interesse no futebol jovem.                                                                                                                                                 O Tomás não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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