A CRÓNICA: EXPULSÃO TRAVOU ASPIRAÇÕES DOS CAMPEÕES

O AFC Ajax até podia ter beneficiado do facto de estar a jogar a decisão da Supertaça Holandesa em Amesterdão, mas foi o PSV Eindhoven que, de uma forma muito pragmática, goleou por 4-0 e levou o troféu para casa, pela 12.ª vez na história.

O jogo não poderia ter começado melhor para a equipa de Eindhoven. Logo na primeira jogada, o primeiro golo, ainda sem que estivessem decorridos dois minutos de jogo. À semelhança do que tem sido o seu estilo de jogo, o PSV recuperou a bola no meio-campo, rapidamente mobilizou as peças ofensivas em transição e Noni Madueke tratou de inaugurar o marcador.

O Ajax não tardou em reagir e ameaçou o empate por duas vezes ainda dentro do primeiro quarto de hora. Primeiro, Berghuis obrigou Drommel a desviar a bola para a barra, a seguir foi a vez de Haller finalizar uma fantástica jogada coletiva, mas que viria a ser anulada pelo VAR devido a um fora de jogo

No entanto, contra a corrente de jogo, seria o PSV a chegar ao segundo golo. Götze inventou um lance de génio lá atrás e originou um contra-golpe que seria exemplarmente concluído por Madueke, assinalando o “bis” no encontro à meia hora de jogo. O nervosismo de uns era a euforia de outros, de tal forma que o jogo começou a entrar numa espiral de conflitos individuais e de difícil gestão para o árbitro Björn Kuipers. O lance mais flagrante originaria mesmo a expulsão de Tagliafico, após uma entrada imprudente sobre Philipp Max ao minuto 40 a valer um cartão vermelho direto e a deixar o Ajax em apuros, com menos uma unidade em campo.

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Para o segundo tempo, perspetiva-se um PSV a gerir o resultado (também devido ao ciclo de jogos disputados nesta reta inicial de época) e um Ajax a correr riscos para reduzir a desvantagem e sonhar com algo mais. Num ritmo de jogo mais “morno”, Madueke e van Ginkel tiveram a possibilidade de ampliar a vantagem para os philips em transições, enquanto que os lancers apenas ameaçaram numa incursão de Mazraoui.

A verdade é que o terceiro golo do encontro estaria reservado para o minuto 76, a cargo do recém-entrado Vertessen, que viu ainda o companheiro de equipa Mario Götze assinar o último tento da goleada do PSV por 4-0, diante do rival Ajax.

Ao nono jogo na competição entre as duas equipas, a formação do português Bruma (que não chegou a sair do banco) vence o Ajax pela quarta vez, vinga a derrota da última edição, por 2-0, e arrecada a 12.ª supertaça da história, também designada por “Johan Cruyff Schaal”, em homenagem à mítica estrela do emblema de Amesterdão.

 

A FIGURA

Noni Madueke – Mas que grande exibição do jovem avançado do PSV! Condução de bola, leitura de jogo, eficácia de passe, potência de remate e movimentações imprevisíveis e desequilibradoras. Nada falhou na atuação de Madueke que, juntando todos estes ingredientes, teve a capacidade e frieza necessárias para somar dois excelentes golos, obtidos através de remates muito fortes. Mesmo na segunda parte, o jovem, de 19 anos, dispôs de mais duas grandes ocasiões para ampliar a vantagem. Há condições para que este seja um dos grandes destaques da equipa esta época.

O FORA DE JOGO

Nicolás Tagliafico – Um dia para esquecer por parte do lateral esquerdo do Ajax. Uma sucessão de erros nas abordagens às movimentações dos oponentes permitiu que fosse a partir do seu corredor que nascessem os dois golos do PSV no primeiro tempo. E se isso já tinha manchado a exibição do argentino, o cenário ficou ainda pior quando a sua imprudência valeu a expulsão ainda antes do intervalo. Talvez esse momento tenha “arrumado” com as aspirações do Ajax para o que restava do encontro, e muito por culpa de Tagliafico.

 

ANÁLISE TÁTICA – AFC AJAX

Erik ten Hag optou por repetir o “onze” que lançou no particular diante do RB Leipzig (1-1), mexendo apenas no dono das redes, ao colocar Remko Pasveer no lugar de Maarten Stekelenburg.

Alinhado em 4-3-3, o conjunto de Amesterdão soube reagir ao golo madrugador sofrido e quase todas as jogadas foram caracterizadas por momentos de entreajuda e um forte espírito coletivo, causando muitas dificuldades à linha de quatro do PSV. O golo obtido aos 14 minutos nasceu precisamente dessa união e parecia que podia mudar o destino do jogo, dada a intensidade colocada em campo. No entanto, o facto de ter sido anulado traiu as esperanças da equipa, que voltou a pecar nas transições defensivas, por culpa do enorme espaço concedido ao adversário.

A ligação entre os setores intermédio e ofensivo estava a funcionar na perfeição, mas o mesmo não foi possível dizer relativamente às descoordenações entre o meio-campo e a defesa. A expulsão de Tagliafico fez com que Blind recuasse no terreno e as organizações para o ataque até fluíssem de forma mais direta, mas o PSV impediu que os lancers pudessem sonhar em relançar a partida.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Remko Pasveer (6)

Nicolás Tagliafico (3)

Lisandro Martínez (5)

Jurriën Timber (5)

Noussair Mazraoui (6)

Daley Blind (7)

Ryan Gravenberch (6)

Davy Klaassen (5)

Dusan Tadic (7)

Steven Berghuis (6)

Sébastien Haller (6)

SUBS UTILIZADOS

Devyne Rensch (6)

David Neres (6)

Danilo (5)

Jurgen Ekkelenkamp (5)

Lisandro Magallán (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – PSV EINDHOVEN

Em relação ao triunfo por 3-0 diante do FC Midtjylland, a contar para a Liga dos Campeões (o terceiro jogo da época), Roger Schmidt promoveu apenas uma alteração no “onze” estável que tem utilizado, com o regresso de Olivier Boscagli ao eixo da defesa, para render Armando Obispo.

O PSV apresentou-se em 4-3-3 e apoiou-se nas fortes movimentações de Götze para levar perigo à baliza contrária, assim como de Zahavi (ambos já com três golos cada neste início de época). Apesar disso, a verdade é que foi no corredor direito que houve um nome a brilhar mais na hora de rematar à baliza, o de Noni Madueke, ao furar a defensiva contrária com desequilíbrios notáveis. Nos momentos em que foi chamada a defender, a equipa de Eindhoven formou um 4-4-2 compacto e a missão passou sempre por recuperar e sair em transição rápida ao primeiro toque. Tal pragmatismo foi crucial para o filme de grande parte do primeiro tempo, numa altura em que ainda estavam onze para onze.

Já na segunda parte, foi notória a gestão do esforço, mantendo-se intacta a estratégia planeada para o jogo, com um bloco defensivo coeso e boas saídas em profundidade para o contra-ataque. As substituições de Roger Schmidt foram plenamente estratégicas para equilibrar a equipa perante as investidas adversárias e dar frescura ao ataque, de tal forma que o terceiro golo nasceu…do banco.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Joël Drommel (7)

Philipp Max (7)

Olivier Boscagli (6)

André Ramalho (7)

Phillipp Mwene (6)

Marco van Ginkel (7)

Ibrahim Sangaré (6)

Mario Götze (7)

Cody Gakpo (7)

Eran Zahavi (6)

Noni Madueke (9)

SUBS UTILIZADOS

Yorbe Vertessen (7)

Jordan Teze (6)

Davy Pröpper (6)

Armando Obispo (5)

Fredrik Oppegard (-)

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos

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