O campeonato saudita acaba de tornar-se bem interessante. Se já era, devido à presença de Jorge Jesus (e não só), agora tornou-se numa reedição de um duelo pessoal inegável que sucedeu em 2015/2016. Nessa época, como se devem bem lembrar, o Sporting CP contratou Jesus ao SL Benfica e Vitória sentou-se na cadeira vazia deixada por Jorge Jesus.

Durante essa mesma época, ocorreram peripécias de puro entretenimento para qualquer adepto. “Bate bocas” iniciados por Jesus, após vitórias sobre o seu antigo clube, em direção ao técnico que o substituíra animaram o campeonato nesse ano. Porém, a certo ponto, tornaram-se excessivos e tinham pouca razão de ser.

Jesus, pessoa conhecida por dizer o que tem a dizer, independentemente do timing/bom senso, entrou numa onda de “mindgames” e fez tudo para enterrar ainda mais o seu homólogo, que, se bem se lembram, teve sérias dificuldades nos primeiros seis meses de trabalho competitivo.

Depois da Supertaça e de uma tal “instabilidade”, Rui Vitória atingiu uma série de resultados positivos. No campeonato, somava habitualmente três pontos de vento em popa e o Sporting, que tinha entrado em 2016 no primeiro lugar, a alguns pontos de vantagem dos rivais, foi perdendo pontos. A derradeira batalha direta entre ambos deu-se em Alvalade. Quem vencesse ficaria em primeiro. Se terminasse num nulo, o Sporting mantinha-se na frente. Embora faltassem ainda algumas jornadas, aquele jogo era absolutamente decisivo para a crítica.

O Benfica venceu, passou para a liderança, ganhou todos os jogos até ao final e tornou-se bicampeão nacional. Todos os “mindgames” provaram-se infrutíferos. Jesus viu o feitiço virar-se contra si. Jesus não conseguiu fazer do Sporting campeão. Afinal, ainda hoje se pergunta quem o irá fazer…

Outrora, em Lisboa, hoje, em Riade, Jesus e Vitória disputam cara a cara, novamente, outro título. Os dois escreveram uma excelente estória de futebol, através da luta acesa entre dois clubes eternamente rivais que comandavam, e uma vez mais neste desporto vimos justiça poética a ser concretizada na perfeição: à imagem da conquista do Euro 2016 por parte de Portugal, após tanto “ódio” e acusações demeritórias à nossa Seleção, foi possível calar tais vozes. Rui Vitória fez o mesmo a Jesus e aos sportinguistas!

A equipa de Jesus segue isolada no primeiro posto
Fonte: Al-Hilal

O mais curioso é que Jorge Jesus realizou mesmo um excelente trabalho nessa temporada… Aproximou realmente o clube de Alvalade de FC Porto e Benfica e ainda atingiu 86 pontos, o máximo da história do clube em campeonatos com 18 equipas! E um feito destes não chegou para erguer o título…

É na Arábia Saudita que os dois treinadores voltam a ser os dois candidatos ao título nacional. Embora longe, e num campeonato muito, mas muito diferente, acredito que a paixão será a mesma e que assistiremos a um confronto mais calmo. Contudo, os antecedentes entre os dois são bem concretos, toda a gente se lembra, e podem voltar à ribalta mal um pegue no assunto!

Foto de capa: Al-Nassr FC

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