Alex Teixeira: De fantasista a goleador

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Há clubes que, por estarem em ligas mais periféricas, não têm capacidade de manter os melhores jogadores por tanto tempo quanto gostariam. O Shakhtar Donetsk, apesar de não ser propriamente um clube vendedor, teve de lidar nos últimos anos com a perda de craques como Fernandinho, Willian, Mkhitaryan, Douglas Costa ou Luiz Adriano, que atraíram o interesse dos tubarões europeus. Mas a vantagem de ter um plantel recheado de qualidade é precisamente a facilidade de substituir os jogadores que são transferidos. A saída dos dois últimos, para Bayern e Milan, não se tem feito sentir devido a um momento de forma simplesmente incrível de Alex Teixeira. O brasileiro assumiu-se como a principal figura da equipa e tem estado on fire na finalização, somando 18 golos no campeonato. Os tubarões já piscam o olho ao craque, e o Shakhtar já sabe o que o espera.

A qualidade do médio ofensivo não apareceu de repente, bem pelo contrário. As boas exibições no Mundial Sub-20 de 2009, prova em que foi um dos melhores jogadores, impressionaram os dirigentes do Shakhtar, sempre atentos aos novos talentos canarinhos. Alex Teixeira deixou o Vasco da Gama para se aventurar no futebol europeu, mas a afirmação não foi propriamente imediata. Na primeira época praticamente não foi utilizado e só na segunda temporada conseguiu ganhar espaço na equipa, ainda que com um papel secundário. O percurso do brasileiro em Donetsk tem sido marcado por altos e baixos, sobretudo devido à enorme qualidade que sempre existiu à disposição de Mircea Lucescu. A concorrência de nomes como Alan Patrick, Ilsinho, Taison, Bernard e, claro, Willian e Douglas Costa nunca permitiu que Alex Teixeira tivesse o protagonismo que desejava.

Alex Teixeira é uma das grandes figuras do FC Shakhtar Donetsk Fonte: FC Shakhtar Donetsk
Alex Teixeira é uma das grandes figuras do FC Shakhtar Donetsk
Fonte: FC Shakhtar Donetsk

O último ano, já sem Willian no plantel, marcou a explosão definitiva do craque. Não foi certamente por Alex Teixeira que o Shakhtar perdeu o título para o Dínamo de Kiev, já que o brasileiro foi o melhor jogador da equipa, com uma influência superior ao próprio Douglas Costa. Foi uma época de grande regularidade para o médio ofensivo em termos exibicionais e também na marcação de golos – foram 17, que lhe valeram o estatuto de melhor marcador do campeonato. A relação com a baliza contrária atingiu números estratosféricos nesta temporada e esse registo já foi superado. Em apenas 12 jogos, Alex Teixeira apontou, imagine-se, 18 golos, sendo que nem sequer é avançado. Desde que passou a actuar preferencialmente sobre o corredor central, ao invés de jogar descaído sobre um flanco, o jogador de 25 anos passou a ter uma dimensão superior no seu futebol e juntou à velocidade, criatividade e qualidade técnica que sempre teve uma facilidade incrível de aparecer a finalizar. As esperanças do Shakhtar de recuperar o título passam muito pela capacidade do brasileiro de manter a boa forma durante toda a temporada.

Não admira que o médio ofensivo esteja a ser cobiçado por tantos emblemas. Para além da qualidade que está a demonstrar, tem a seu favor o facto de todos os jogadores que saíram do Shakhtar estarem a brilhar noutros clubes. Fernandinho é muito importante na manobra do Man City, Willian tem sido porventura o melhor do Chelsea nesta temporada, Mkhitaryan está a ter, finalmente, o ano de explosão em Dortmund e Douglas Costa está simplesmente a ser uma das figuras da época a nível europeu. Com esta valorização dos talentos que deixam Donetsk, é garantido que Alex Teixeira será um dos elementos mais apetecíveis na próxima abertura de mercado (veremos se fica até ao final da temporada). O salto para um campeonato mais mediático deverá abrir-lhe as portas da selecção brasileira, fechadas até agora por actuar numa liga como a ucraniana. Mas Coutinho, Firmino, Willian e Óscar que se preparem, porque em breve vão ter mais um adversário na luta pela titularidade.

Foto de Capa: FC Shakhtar Donetsk

Tomás da Cunha
Tomás da Cunha
Para o Tomás, o futebol é sem dúvida a coisa mais importante das menos importantes. Não se fica pelas "Big 5" europeias e tem muito interesse no futebol jovem.                                                                                                                                                 O Tomás não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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