Ao ritmo d’El Comandante

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El Comandante. Alcunha que qualquer adepto de futebol português que se preze e que tenha estado atento ao panorama nacional nos últimos anos, reconhece desde logo. Refiro-me, então, a Luís Óscar González, conhecido no mundo do desporto-rei como Lucho González, um dos expoentes máximos do domínio do FC Porto em Portugal em anos recentes (conta seis campeonatos ao serviço dos azuis e brancos) e um centro-campista cuja classe com bola nos pés, aliada a uma inteligência tática e liderança dentro e fora das quatro linhas de elevado nível, o podia ter feito voar bem mais alto na sua carreira.

Argentino formado no Huracán, foi no River Plate (clube com o qual venceu dois Torneios Clausura) que mostrou a sua qualidade técnica e tática ao mundo, o que lhe valeu passaporte para a Europa do futebol, assinando pelo FC Porto em 2005. Tornou-se, desde logo, referência no meio-campo portista e com o passar dos anos virou herói e ídolo dos adeptos.

Lucho não era, no entanto, um 8 ou 10 puro, as suas características permitiam-lhe jogar em ambas as posições, sendo que El Comandante não fez da elevada qualidade de passe a única arma do seu arsenal, pois a capacidade de finalização do argentino também se superou muitas vezes. Foram vários os golos que deu a marcar aos seus colegas de equipa, mas também os tentos que protagonizou. Com enorme capacidade de chegada ao último terço do terreno sempre que possível, nos seus anos de glória estava constantemente presente em jogo, mostrando elevada disponibilidade quer para receber ou entregar a bola aos seus companheiros. Um médio que pautava o ritmo do jogo a seu bel-prazer e que não falhava nos momentos das decisões.

Após quatro épocas de alta rodagem com o símbolo azul e branco ao peito, nas quais contou 111 partidas e 32 golos (excelente índice para um médio!), rumou aos franceses do Marselha, transferência que valeu 24 milhões de euros na totalidade. Negócio que surpreendeu tendo em conta que Lucho já tinha sido associado ao interesse de emblemas com maior projeção internacional (de recordar, Real Madrid e Valência, entre outros) e também pelo facto de que o nível exibido pelo argentino no campeonato português lhe afigurava um destino com uma maior projeção. Certamente que o futebol de El Comandante merecia bem mais. Ainda assim, Lucho protagonizou três temporadas a bom nível no clube francês, no qual celebrou uma Ligue 1, três Taças da Liga francesas e duas Supertaças, sendo ainda o jogador que contabilizou mais assistências (12) no campeonato gaulês em 2009/10.

Lucho assinou contrato com o River Plate
Lucho assinou contrato com o River Plate

No mercado de inverno de 2011/12 voltou a surpreender, ao aceitar reduzir o salário para regressar ao clube que esteve sempre no seu «coração», o FC Porto, e foi, sem dúvida alguma, peça-chave para a conquista de um campeonato que parecia distante para os azuis e brancos. Na segunda passagem por terras lusas, o pesar da idade já era algo com considerável notabilidade nas exibições do argentino, que, não obstante, esteve em grande plano e foi de importância capital para a equipa, tendo em conta a elevada influência que tem dentro de um plantel, pela tremenda capacidade de liderança que sempre demonstrou, o que o fez ser um dos capitães mais carismáticos da história do FC Porto. Em 2014, os milhões do Catar falaram mais alto e rumou ao Al-Rayyan.

Lucho nunca foi daqueles jogadores que se notabilizassem por fintar meia equipa adversária, mas sim pela capacidade de trabalho, de circulação de bola, liderança e cultura tática dentro e fora das quatro linhas. Salta à vista um episódio protagonizado em 2012/13, aquando de um Dínamo Zagreb-FC Porto, em partida a contar para a fase de grupos da Liga dos Campeões, sendo que horas antes do encontro iniciar El Comandante recebeu a notícia de que o pai havia falecido na Argentina. Ainda assim, jogou e ainda fez o gosto ao pé na partida, assinando uma excelente exibição. É por situações deste tipo que, quer se seja benfiquista, portista ou sportinguista, Lucho González é daqueles jogadores que é admirado por qualquer adepto de futebol e é, certamente, uma das figuras mais incontornáveis que passaram pelos nossos relvados.

Aos 34 anos, Lucho González (que conta ainda 44 internacionalizações pela seleção argentina e uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2004) prepara-se agora para abraçar um novo desafio na carreira, um aliciante regresso ao River Plate, clube que o catapultou para a ribalta do futebol europeu, juntando-se aos compatriotas Pablo Aimar e Javier Saviola, que também protagonizaram maravilhas pelos relvados portugueses. O argentino está ainda bem a tempo de voltar a exibir o seu futebol e o campeonato argentino pode ser a montra necessária para encantar os aficionados sul-americanos. Um regresso a “casa” que se saúda, o de El Comandante!

Fernando Gamito
Fernando Gamitohttp://www.bolanarede.pt
O Fernando Gamito é um estudante de comunicação e apaixonado pelo futebol, seja a praticar ou a discuti-lo fora das “quatro linhas”, o que o faz apostar num futuro no jornalismo. Ler jornais desportivos e jogar Football Manager são outras das suas principais preferências. Em Portugal, o seu coração bate pelo Sport Lisboa e Benfica. Lá fora, torce por Barcelona e Chelsea.                                                                                                                                                 O Fernando escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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