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Gastón Pereiro, finalmente

Está mais animada a luta pelo título holandês. Com a vitória do PSV no terreno do rival Ajax (pelo segundo ano consecutivo), por 2-1, o emblema de Amesterdão continua na liderança mas tem a companhia do Feyenoord e viu o adversário de hoje aproximar-se, estando agora a 2 pontos. O clássico teve um desfecho justíssimo, tendo em conta a superioridade evidenciada pela turma de Cocu, que se superiorizou no meio campo e teve um miúdo uruguaio em grande no ataque. Gastón Pereiro, promissor esquerdino, ganhou a titularidade em virtude da ausência de De Jong (obrigando Locadia a jogar como referência) e finalmente mostrou o potencial que fez o PSV avançar para a sua contratação. Foi o homem do jogo, com um bis, e o segundo da conta pessoal é um movimento que vamos ver muitas vezes, flectindo da direita para o espaço interior para rematar de pé esquerdo. Para além do jovem de 20 anos, convém destacar o excelente trabalho do meio campo, onde Guardado está cada vez melhor como pivot defensivo e Propper se confirma como um belíssimo reforço. Brenet, que anulou o perigosíssimo El-Ghazi, e a dupla de centrais composta por Bruma e Moreno também teve um papel importante no triunfo.

Do lado do Ajax, Frank de Boer tem muito trabalho pela frente se quiser recuperar o título. Pior do que a derrota foi a fraca exibição protagonizada pelo Ajax, que nunca conseguiu impor-se no meio campo e revelou uma gritante falta de ideias no ataque. Com El-Ghazi muito apagado e Klaassen pouco influente na criação ofensiva, os lances de perigo dos lanceiros resumiram-se às diagonais de Younes e às arrancadas de Fischer, renascido depois de uma longa ausência (jogou como “falso 9”). Do meio campo para trás, houve muitas dificuldades dos centrais Veltman e Riedewald (que apesar de tudo esteve melhor que o parceiro) perante os atacantes contrários, sendo de realçar também a excessiva agressividade de Tete.

Texto de Tomás da Cunha

Insigne esteve endiabrado na goleada em San Siro Fonte: Facebook do Napoli
Insigne esteve endiabrado na goleada em San Siro
Fonte: Facebook do Napoli

4 de outubro: o dia em que Insigne assombrou Milão 

San Siro, 4 de outubro: aos 77 minutos do jogo entre Milan e Nápoles, os adeptos milaneses começam a abandonar o seu recinto, as bancadas começavam a despir-se. E porquê? Rodrigo Ely, central rossoneri, fazia um auto-golo e colocava o resultado em 4-0 para os forasteiros.

Uma noite de pesadelo para a equipa de Sinisa Mihaljovic, que não mostrou argumentos para se bater com um Nápoles que está em crescendo na temporada e conta com Lorenzo Insigne em grande forma. O italiano está a melhorar a olhos vistos com Maurizio Sarri e consegue, agora, ser regular e ser o homem que decide partidas a favor dos napolitanos. Foi assim esta noite em Milão!

Lorenzo Insigne assumiu a batuta, organizou a orquestra que veio do San Paolo e cedo na partida começou a dar música aos rossoneri. Aos 13’, assistiu Allan (um médio interessante de seguir, já tinha dado nas vistas em Udine) e na segunda parte concluiu o bailinho com dois golos. Primeiro tabela com Higuaín e finaliza de forma perfeita e depois faz um golo do outro mundo, de livre direto, aos 67’. Um castigo justo para os milaneses, que se apresentaram sem qualquer fio de jogo, sem ligação entre a defesa e o ataque e onde os médios simplesmente viam a bola passar pelo ar. Abusavam no jogo direto e Luiz Adriano e Carlos Bacca perderam, invariavelmente, os lances perante os adversários. Balotelli, que até se vinha revelando um bom reforço, hoje não esteve disponível.

O meio-campo do Nápoles, composto por Jorginho, Allan e Hamsik, engoliu os quatro do Milan (Montolivo, Kucka, Bonaventura e Bertolacci), enquanto nas linhas Callejón e Insigne agitavam e faziam a defensiva milanesa tremer. O jogo foi quase sempre isto: o Nápoles a mandar, a explorar as (muitas) fragilidades rossoneri, e a gota de água aconteceu com o auto-golo de Ely, que deu tons de tragédia à derrota milanesa. E podiam ter sido mais, basta só pensar que Higuaín não marcou e depois Gabbiadini teve nos pés várias oportunidades para dilatar a goleada.

Assim, o AC Milan fará uma época igual ou pior à anterior, porque opções no banco também não há. Balotelli não faz milagres e a notícia de que Kevin Prince-Boateng estará de volta em Janeiro só faz pensar que em Milão não há ninguém que pensa futebol. Dá pena ver um histórico mundial neste estado!

O Parque dos Príncipes vestiu-se de gala para o grande clássico Fonte: Facebook do OM
O Parque dos Príncipes vestiu-se de gala para o grande clássico
Fonte: Facebook do OM

Na linha do penálti, Ibra foi Rei

O PSG não ganhava há duas jornadas para o campeonato e recebia um adversário que começou muito mal a época, mas que tem muito valor. Era de esperar um jogo complicado para os parisienses, embora com o passar do tempo a superioridade coletiva e individual se impusesse aos marselheses. Talvez fosse esta a previsão de todos os analistas e adeptos em geral, mas a única diferença entre as duas equipas esteve na marca do penálti, onde Ibrahimovic foi decisivo.

A equipa de Michel surpreendeu Zlatan e companhia e entrou muito forte no jogo, com os quatro homens da frente, principalmente Michy Batshuayi (tem estado de pé quente, apesar da época intermitente do clube) e Barrada, a darem muitas dores de cabeça à defensiva comandada por Thiago Silva. O PSG estava com dificuldades para sair em posse e só Di Maria conseguia, individualmente, levar a equipa para a frente, mas quase sempre sem sucesso. O jogo parecia controlado e o Marselha já justificava o golo, que viria a acontecer à passagem da meia hora.

Barrada assistiu Batshuayi, que, ao segundo poste, de cabeça, desviou para o fundo da baliza de Trapp. Fazia-se justiça no resultado ao que se passava em campo, e o PSG iria precisar de vestir o fato-macaco para levar algo do jogo. Timidamente, Verrati e Matuidi começaram a pegar na bola e a ajudar Di Maria nas transições, mas tudo parecia lento e curto para a qualidade daqueles jogadores. Ibra e Cavani passavam ao lado do jogo, mas, ainda antes do intervalo, a cambalhota aconteceria.

Dois penalties, o primeiro muito duvidoso, que Ibra concretizaria, consumaram a reviravolta em pouco tempo! Na segunda parte, o Marselha bem tentou, mostrou que tem jogadores para subir na tabela classificativa e que podia ter levado de Paris 1 ou mesmo 3 pontos. Aliás, Barrada teve nos pés um penálti para igualar, mas Trapp superiorizou-se.

Um jogo animado, baseado em transições rápidas dos extremos do Marselha e de Di María, por parte do PSG, mas quase sempre sem a melhor definição. Foram poucas as oportunidades de golo e, no final, Trapp ainda foi decisivo, evitando o golo do empate. A igualdade era justa, era um prémio merecido para a qualidade e esforço demonstrado pelo Marselha e castigaria a atitude do PSG, que desde que entrou em campo foi arrogante e acreditou sempre que as coisas iriam surgir, mais tarde ou mais cedo. A sorte bateu à porta!

Conseguiram, vão bem lançados na Ligue 1, mas o que fizeram hoje será muito curto para uma equipa que quer mais da Champions. Só Di María não chega, e as debilidades nas laterais de Maxwell e Aurier podem trazer alguns dissabores. Este não é um PSG imbatível e letal, que tem que ser em França, e assim deslizes virão a caminho. Mas sem gravidade, já que não há adversário interno.

Texto de Luís Martins

Foto de Capa: Voetbal International

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