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Cabeçalho Futebol InternacionalO futebol consegue tantas vezes, no seu microcosmos que é da vida humana, ser uma espécie de romance real.

E quem diz o futebol, diz, claro está, um jogo de futebol. Este texto não pretende falar apenas de um jogo, nem apenas de um jogador, nem apenas da sua carreira, mas propõe-se a ser algo intermédio a estes três elementos.

Bom. Vamos lá clarificar este início confuso e ir diretos ao assunto. Feyenoord 3-1 Heracles Almelo. 14 de maio de 2017. Dirk Kuyt. Hat-trick. Feyenoord campeão. 18 anos depois.

O jogo marcou um título há muito desejado, os golos foram marcados todos pelo capitão-símbolo, Dirk Kuyt, que pôs um ponto final na carreira desta forma tão expressiva. Afinal de contas, o jogo número 907 e último do holândes mostrou um Kuyt igual a si mesmo. Foi a sua primeira e única Eredivisie. Parecia que estava a começar!

O jogo não poderia ter começado melhor e assumiu algo como uma carga mística quando o avançado de 36 anos, depois de aplicar um forte remate cruzado com o pé direito, ter visto o esférico entrar na baliza entre os 36 e os 37 segundos de jogo. O segundo golo foi um manual autêntico de como marcar golos de cabeça, ao responder a um cruzamento com cabeceamento em voo ao primeiro poste desviando a bola até ao poste mais distante.

Já o terceiro golo do camisa 7 foi a coroação plena, de penálti, do artilheiro, batendo-o da forma clássica, guarda-redes para um lado e bola para o outro. Dirk Kuyt tirou a camisola, colocou-a na bandeirola de canto e ergueu-a bem alto à medida que a equipa o engolia em felicitações. Naquele momento, para os adeptos e mesmo para a equipa, se lhes perguntassem, nem saberiam dizer se o que pesava mais seria a camisa de Kuyt ou a Eredivisie prestes a erguer.

Agora que já nos detemos acerca do jogo, passemos da metáfora destes três golos para falar deste camaleónico e completíssimo atacante. É daqueles jogadores que nenhum treinador dispensa no 11 inicial. E a sua carreira bem o comprova.

Excetuando o início de tudo, em 1997/98, ao serviço do Quick Boys, um clube modesto da sua região, com um Kuyt, então, com 17 anos. Na época seguinte transferiu-se para o FC Utrecht e, de 1998/99 até esta época o mínimo de jogos que fez numa temporada completa foi 36. É obra!

Sempre enérgico, incorpora logo à primeira vista o protótipo do guerreiro, aquele avançado que é o primeiro a defender. Com 1,84m e 79 Kg, o holândes aliava a sua presença física a uma intensidade de jogo a todo o campo, 90 minutos. Destro, jogava a ponta de lança mas também jogou várias vezes na extrema direita ou, agora em fim de carreira, desceu um pouco até ao meio-campo ofensivo.

A jogar a extremo a sua utilidade era imensa pela intensidade e capacidade pulmonar a defender e a fazer o flanco todo no ir-voltar que se requer a uma posição do corredor. Lembro-me de, inclusivamente, nos tempos do Liverpool, em momentos do jogo, sobretudo em momentos de risco ofensivo, Kuyt descer para a posição de lateral.

No coração da área, no perfil do homem-golo, era letal, pé direito capaz de potentes remates, dentro e fora da área, mas com uma canhota também com potência suficiente para fazer a rede balançar, bem como um jogo de cabeça mortífero, e, sem esquecer, também incluía a cobrança de grandes penalidades no seu cartão de visitas. Quem se lembra de quem cobrou a grande penalidade que eliminou o Chelsea de Mourinho na meia-final da ‘Champions’ de 2006/07?

Os seis anos em Liverpool foram o capítulo mais longo da carreira de Dirk Kuyt Fonte: Daily Mirror
Os seis anos em Liverpool foram o capítulo mais longo da carreira de Dirk Kuyt
Fonte: Daily Mirror

Por último, e sempre fiel aos três elementos que norteiam este nosso artigo, termino por discorrer sobre a carreira de Dirk Kuyt e os seus factos e números.

Depois de atingir a maioridade no clube da sua terra e da sua formação, o Quick Boys, onde marcou 3 golos em 6 jogos na época 1997/98, numa temporada em que foi promovido da equipa ‘B’, o holandês transfere-se para o FC Utrecht, onde passa cinco épocas, de 1998/99 a 2002/03, com predominância e papel determinante na equipa e terminando, na última temporada, por conquistar a Taça da Holanda. Foram 184 jogos e 67 golos.

De seguida, Feyenoord, uma passagem, de 2003/04 a 2005/06. Uma passagem sem títulos coletivos, mas com muitos golos e a promoção a capitão da equipa, conquistando o coração dos adeptos. 122 jogos, 83 golos, sendo o melhor marcador da Eredivisie em 2004/05.

Atenta à carreira do holandês goleador, estava a Europa do futebol, e o Liverpool chegou-se à frente abrindo o capítulo mais longo do livro da carreira de Dirk Kuyt. Foram seis anos. Da época 2006/07 a 2011/12.

No início, na primeira época com a camisola dos ‘reds’, Kuyt assumiu o protagonismo no centro do ataque da equipa. Na temporada seguinte, com a chegada de Fernando Torres, o holandês passou a jogar mais pela direita até que, depois da saída do avançado espanhol em 2010/11, Kuyt voltou para posição de ponta de lança.

O atacante do ‘país das tulipas’, no seu espírito aguerrido, abraçou na plenitude a alma do clube do ‘You’ll Never Walk Alone’. Até 2011/12 e a sua saída para os turcos do Fenerbahçe, foram 285 jogos e 71 golos, com dois títulos coletivos. A supertaça de Inglaterra, em 2006, e a Taça da Liga Inglesa, na última época na cidade do condado de Merseyside, numa final onde o holandês mostrou outra predileção sua: marcar em jogos importantes. Faturou no prolongamento dessa final diante do Cardiff City, numa partida em que a equipa treinada por Kenny Dalglish viria a ganhar nas grandes penalidades.

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