Dynamo Kiev – O renascer de um velho gigante adormecido

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Numa entrevista recente a um famoso canal desportivo de língua inglesa, a antiga estrela do Dynamo Kiev e actual treinador do outrora colosso do futebol europeu, Sergei Rebrov, afirmou que em tempos difíceis como aqueles que o seu país actualmente atravessa, o futebol proporciona uma espécie de lufada de ar fresco nas vidas das pessoas, que têm sido atormentadas pela sangrenta guerra civil que continua a assolar o país.

Em contraste com aquilo que tem vindo a acontecer naquela antiga república Soviética, Sergei Rebrov, desde que assumiu o leme da equipa em Abril do ano passado (rendendo Oleg Blokhin, outra lenda do clube e do futebol soviético), tem feito renascer o velho gigante adormecido quer no plano nacional, quer no plano internacional. É legitimo dizer-se que este novo Dynamo está ainda muito distante daquele que, sob a batuta do lendário Valeriy Lobanovksiy, venceu a Taça UEFA em 1986 e mesmo daquele que foi derrotado pelo FC Porto na meia-final da Taça dos Clubes Campeões Europeus um ano depois, mas há, todavia, que saber reconhecer o trabalho de um jovem treinador, que, através de um futebol simples e prático assente num 4-3-3 altamente moldável, está a devolver à equipa ucraniana alguma daquela pujança que há muito parecia perdida.

Sergei Rebrov era um dos meninos de ouro da famosa equipa do Dynamo do final da década de 1990, também ela comandada por Valeriy Lobanovksiy (já na fase final da sua vida) e onde figuravam, entre outros, jogadores como Andriy Schevchenko e Oleksandr Shovkovskiy, que atingiu as meias-finais da Liga dos Campeões em 1999, sendo eliminado pelo poderoso Bayern de Munique.

Rebrov passou de melhor marcador de sempre do campeonato ucraniano a uma “espécie” de herdeiro dos ensinamentos do velho mestre Lobanovskiy e está aos poucos a transportar o Dynamo para uns patamares bem mais elevados do que aqueles, bastante modestos, que a equipa atingiu, por exemplo, nos últimos seis anos. Ao fim de 17 jogos, o “novo” Dynamo de Sergei Rebrov ocupa o primeiro lugar da Liga Ucraniana com 15 vitórias e 3 empates, dez pontos à frente dos seus grandes e maiores rivais, Shakhtar Donetsk (-1 jogo à data deste artigo) e mais oito que o Dnipro.

Sergey Rebrov, o homem que está a fazer renascer o Dynamo Fonte: Facebook do Dynamo Kiev
Sergei Rebrov, o homem que está a fazer renascer o Dynamo
Fonte: Facebook do Dynamo Kiev

Composta por um número significativo de jogadores ucranianos, entre os quais se destacam o versátil avançado Andriy Yarmolenko, o jovem médio Serhiy Sydorchuk e o experiente guarda-redes Oleksandr Shovkovskiy, este Dynamo, renascido das cinzas, conta também com alguns jogadores estrangeiros de boa qualidade, como são os casos dos portugueses Miguel Veloso e Antunes, do internacional holandês Jeremain Lens e do defesa austríaco, actualmente já bastante cobiçado em Inglaterra, Aleksandar Dragovic.

Para além da excelente campanha interna, o Dynamo Kiev está também a puxar pelos galões na Liga Europa, onde, após ter eliminado os ingleses do Everton no mês passado, conquistou um lugar nos quartos-de-final da competição, onde irá enfrentar a sempre imprevisível Fiorentina de Vincenzo Montella. Foi precisamente no jogo da segunda mão contra os ingleses que o defesa esquerdo português ex-Málaga, Antunes, deixou a sua marca com um disparo do meio da rua que deu origem ao quinto golo da equipa Ucraniana.

O futebol consegue, frequentemente, atirar para o baú do esquecimento equipas como o Dynamo Kiev, que muito contribuíram, especialmente durante a década de 1980, para o desenvolvimento táctico e técnico da modalidade, sendo por isso sempre importante relembrar que também se joga bom futebol para além das fronteiras das grandes ligas Europeias e que equipas como este Dynamo poderão ainda voltar a ter uma palavra a dizer no futuro próximo.

Foto de Capa: Facebook do Dynamo Kiev

Joel Amorim
Joel Amorimhttp://www.bolanarede.pt
Foi talvez a camisola amarela do Rinat Dasaev que fez nascer, em Joel, a paixão pelo futebol russo e pelo Spartak Moscovo. O futebol do leste da Europa, a liga espanhola e o FC Porto são os tópicos sobre os quais mais gosta de escrever.                                                                                                                                                 O Joel não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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