A história do futebol é imensa. Desde os seus primórdios; passando pela sua afirmação absoluta; até hoje, uma era de super especialização nas mais variadas áreas profissionais.

A sua visibilidade acarreta muita opinião, muitos querem ter razão, muitos comentam. Mas há muito pouca escuta ativa, as pessoas tendem em ver e andar, em falar sobre o que são levados a conhecer. O que importa, é ter assunto para rir, debater, partilhar.

A especulação dá dinheiro a qualquer economia de risco. Ser visionário é o mote, trazer algo original, numa era em que o acessório vende como nunca, assume-se como um desafio veemente.

O potencial pode, por si só, ter um valor bem considerável. Quanto mais jovem é o jogador, maior a sua margem de progressão. Mas não deixa de ser lógico, na teoria, e com mais procura do que oferta, o espaço para confirmação desse potencial vê-se reduzido. Há quem corra de imediato para caçar o “el dorado”, deixando para segundo plano, ou mesmo ignorando possíveis contrapartidas.

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Haaland é, para mim, um dos principais candidatos a ser eleito Golden Boy. Tem tido registos impressionantes. E não me venham dizer que joga na Liga Austríaca. Ou que “só” marcou nove golos num jogo porque ocorreu num Mundial do escalão sub-20, e o adversário foi a seleção das Honduras. O seu ímpeto na Liga dos Campeões tem sido inolvidável! São seis golos em menos de 200 minutos! Entrou, em Anfield, e pouco depois marcou… Não é algo comum, de facto.

É filho de jogador, teve a sua formação altamente pensada, programada. Não basta isso, é certo, mas dificultar não dificulta. Alf-Inge Haland, ex-Manchester City, planeou meticulosamente a “pré-carreira” do ponta de lança: gerida por, nada mais, nada menos, do que Mino Raiola, sugere que um futuro profundamente idealizado desde muito cedo teve sequência, como por exemplo, a mudança do próprio nome: Haaland, antes de o ser, foi Haland.

Depois de Odegaard, é Haaland quem sobressai nas gerações de base do pouco cotado futebol norueguês
Fonte: FIFA

A “chuva” que lhe é reconhecida, não caiu nas primeiras nuvens. Jogou 16 jogos no seu primeiro clube, o Bryne, sem ter marcado golo algum. Mas atenção…. Fê-lo com apenas 15 anos! Saiu para o Molde, o principal clube da Noruega e, Ruben Gabrielsen, que aí partilhou balneário com o jovem, afirmou até que quando o viu pela primeira vez não imaginava, de forma alguma, o que viria a seguir: “Nunca pensei que ele fosse tudo o que evidenciou depois, ele se desenvolveu de um jeito que eu nunca vi antes. Ele é mais forte do que parece e é muito mais rápido do que parece: ele é uma besta!”

De entre muitos, mas muitos convites para ingressar em vários emblemas com peso, sobressaem City e United. O segundo já contava com claras e precisas referências acerca do miúdo, através do próprio Solskjaer, que o orientou no Molde. O primeiro, por via do pai, ex-cityzen. Mas não são só esses… São esses os que mais aparecem referenciados nos media, porque dispostos a receber o ponta de lança norueguês muitos estão. Inserido no grupo do Liverpool, mais atenção ainda remeteu, nomeadamente, aos emissários ingleses.

O seu destino não é conhecido, mas a sua chegada à elite do futebol europeu acontecerá, naturalmente, a curto/curtíssimo prazo. E ao continuar com este desempenho, dar-se-á ao luxo de ser o próprio a escolher o tubarão a representar, e não vice versa. O próprio diz que escolheu o RB Salzburgo. Talvez pela proximidade, talvez pelo nível, mas a verdade é que o jovem está a prosseguir a bom passo.

À imagem de Kylian Mbappé, que também contou com um acompanhamento muito próximo do pai, ingressou no Mónaco, apesar de haver camadas jovens do PSG, Manchester United, por exemplo, interessadas em instrui-lo e prepará-lo para o mundo sénior.

No caso de Haaland, está a ser feito algo numa linha bem similar. Enquanto Mbappé é comparado a Henry, pela fisionomia e forma de jogar; Haaland, por sua vez, tem Zlatan Ibrahimovic: é muito alto (1m94), e possui uma agilidade tremenda, pouco condizente com essa estatura. Uma característica superlativa, diga-se!

É realmente um jogador que não se prevê nada menos do que um sucesso imediato e constante. Algo menos do que isso surpreender-me-ia muito, mas muito mesmo.

Foto de Capa: FC RB Salzburg

artigo revisto por: Ana Ferreira