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La vergüenza del fútbol mundial

César Mayrinck · 2 min

La vergüenza del fútbol mundial

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Bem-vindos à “Melhor final do Mundo”. Assim ficou conhecida a final da Libertadores de 2018 entre River Plate e Boca Juniors. Mas o que tinha tudo para se tornar a maior final de Libertadores da história, acabou por se tornar a maior vergonha da história da competição. Então vamos corrigir a nomeação. Bem-vindos à “Final mais vergonhosa do Mundo”.

O episódio que ocorreu na tarde de sábado em Buenos Aires é de conhecimento de todos. Então não precisamos de continuar a mencionar as ações dos “selvagens”, pois todos viram o covarde ataque que sofreu o autocarro da comitiva do Boca Juniors quando se aproximava do Monumental de Núñez. Este não foi o primeiro, nem será o último episódio de ataques bárbaros que acontecem no futebol argentino. Há poucos dias, um torcedor do San Martín de Tucumán foi assassinado por adeptos do Boca Juniors e, na última quarta-feira, 50 adeptos do All Boys (clube da terceira divisão nacional) agrediram policias e afugentaram-nos do local onde trabalhavam. Todos esses lamentáveis episódios refletem bem a podridão que existe no futebol argentino e, inclusive, na atual sociedade argentina. Atualmente, Boca Juniors contra River Plate deixou de ser uma rivalidade, para se tornar numa questão de ódio.

A Conmebol também teve a sua parcela de culpa no fiasco desta final se ter se tornado ainda maior. Após as agressões que os jogadores do Boca Juniors sofreram, era evidente que não haviam condições de jogo. O Mundo sabia disso. O próprio River Plate sabia disso. Mas parece que a Conmebol não. A entidade queria forçar o Boca a entrar em campo. O locutor do estádio anunciava constantemente que o jogo iria ocorrer, o que gerou euforia e aumentou as expectativas dos 60 mil espetadores presentes no Monumental de Núñez. Após duas horas e meia de atraso, a Conmebol anunciou o adiamento da partida. Houve uma revolta nas arquibancadas e armou-se uma grande confusão. Por sorte, não houve relatos de pessoas feridas com maior gravidade.

Fonte: River Plate

Na próxima terça-feira, dia 27, os dirigentes dos dois clubes e a Conmebol vão reunir-se na sede da entidade, no Paraguai. Dessa reunião saíra a decisão sobre o desfecho da Libertadores. O Boca Juniors exige ser declarado campeão e relembra o episódio que ocorreu em 2015 entre as duas equipas rivais, na Libertadores: dois adeptos xeneizes lançaram gás de pimenta nos atletas do River Plate, quando os mesmos iam para o balneário no intervalo do jogo. Como punição, a Conmebol excluiu o Boca da competição e o River avançou. A grande questão que a Conmebol enfrenta é que essa final foi vendida ao mundo inteiro. Até o dia e o horário do jogo foram adequados para se adequarem ao mercado europeu. A final também aqueceu o calejado mercado argentino, gerando empregos e impostos. Agora resta aguardarmos o que acontecerá. A única certeza que temos é que a “maior final da história” se tornou na maior vergonha da história do futebol mundial.

Foto de capa: River Plate

César Mayrinck

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