É na cidade de Pasching que reside um dos projetos mais entusiasmantes da época do futebol europeu. Linzer-Athletik-Sport-Klub ou, simplesmesnte, LASK Linz é resultado de uma fusão entre um clube fundado em 1908 por Albert Siems, membro do Império Austro-Húngaro, e o FC Linz, em 1997. A junção destas duas equipas, que decorreu dos sucessivos maus resultados de ambas, originou aquela que vem sendo uma das equipas sensação da presente temporada.

Cimentado o lugar na principal divisão do país, o campeonato austríaco tem servido de encubadora a uma formação que, de forma soberana e soprano, tem dado música além-fronteiras, bem ao jeito de Schubert.

Foi já há mais de dez anos que o (para cada vez menos pessoas) desconhecido LASK se fixou na Bundesliga Austríaca, uma competição que podia servir de modelo à Liga NOS: detentora de uma competitividade assinalável, são apenas 12 as equipas que competem nesta divisão. Entre si jogam duas voltas, sendo as primeiras seis classificadas qualificadas para aquela que se designa Liga dos Campeões; nesta Liga, os pontos amealhados na primeira fase são reduzidos para metade e as equipas apuradas voltam a jogar entre si.

1.º e 2.º classificados apuram-se para a Champions League, 3.º e 4.º para Liga Europa, 5.º joga um novo play-off e o 6º passa ao lado de qualquer recompensa europeia. O mesmo acontece com os últimos seis, com a diferença de que só o último destes encontra uma consequência: a descida à segunda divisão.

À partida para a 15.ª ronda do campeonato, a equipa liderada pelo francês Valérien Ismaël – cujo início de carreira enquanto treinador ficou marcado pela longa passagem por equipas B alemãs, antes de assumir a equipa principal do Wolfsburg – ocupa o segundo posto da tabela, a apenas três pontos do também interessante e consolidado projeto de uma marca de bebidas energéticas que ganhou asas nas últimas épocas: o Red Bull Salzburg.

Detentor da melhor defesa da prova, com apenas oito golos concedidos, o LASK vai prosseguindo a cruzada da reconquista de um título que lhe foge desde a temporada 64/65, época que culminou também com a conquista da Taça da Áustria.

Fonte: LASK Linz

Se internamente os Die Laskler vão dando cartas, na Europa têm baralhado as contas de quem os deu como eliminados à partida, num grupo onde pontificam nomes como Sporting, PSV e Rosenborg.

Completados dois terços da competição, os austríacos somam sete pontos, os mesmos que os holandeses e apenas menos dois que o líder Sporting, com quem vão medir forças na última jornada do Grupo D da Liga Europa.

Já para a Taça, o encontro com o Sturm Graz a contar para os quartos-de-final da competição está marcado para início de fevereiro do próximo ano.

Ainda que a principal força desta equipa esteja assente numa ideia coletiva bem definida, individualidades como Thomas Goiginger, Klauss ou Peter Michorl têm engordado as estatísticas pessoais e contribuído para o melhor arranque de campeonato da história dos Alvinegros.

Após perder João Victor, o melhor jogador da equipa na época transata para o Wolfsburg por 3,5 M€, este pequeno império austríaco vem provando jogo a jogo que, apesar de uma ou outra batalha perdida, tem condições para vencer a guerra.

Foto de Capa: LASK Linz

Artigo revisto por Diogo Teixeira

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