Teatro alla Scala, Milão. Este foi o palco da mais mediática noite de prémios do futebol mundial, que tinha como “prato forte” o anúncio do melhor jogador do mundo. A “Bola de Ouro”, como é frequentemente denominada, agora chama-se “The Best”, e tem como nomeados:

Cristiano Ronaldo, que venceu a Serie A italiana na primeira época na Juventus, apesar de falhar a conquista da tão cobiçada Liga dos Campeões. Para além disto, mas não menos importante, liderou a seleção nacional à conquista da primeira edição da Taça da Nações.

Lionel Messi, “La Pulga” do Barcelona, que foi o melhor marcador da La Liga e das competições domésticas, ganhando a Bota de Ouro. Venceu a competição a liga espanhola e caiu nas meias-finais da Liga dos Campeões.

Virgil Van Dijk, o patrão da defesa do Liverpool, campeão europeu, segundo classificado numa luta a dois pela Premier League com o Manchester City, que acabou por perder no “photofinish”.

Por volta das 20h56, Gianni Infantino, Presidente da UEFA, anunciou o vencedor, no mínimo, surpreendente: Lionel Messi. Sim, é um craque fantástico, mas na minha opinião, o mais justo seria Virgil Van Dijk. Venceu a melhor competição de clubes do mundo e levou a Holanda à final da Liga das Nações, onde perdeu para Ronaldo. Para além disto, fez uma Premier League do brutal, com jogos de alta dificuldade todos os fins-de-semana e depois durante a semana, sempre com uma alta bitola. Messi, torna-se, assim, no jogador com mais prémios de “melhor do mundo”, ultrapassando o português.

O 11 “ideal”

O 11 ideal
Fonte: FIFA

Melhor guarda-redes: Alisson

O melhor onze do mundo em 2018/19 teve algumas decisões pacíficas e, na minha opinião, justas. A baliza, desde logo defendida por aquele que foi na temporada passada o melhor do mundo na sua posição, Alisson Becker. Oblak está num nível muito alto, mas não ganha nada, o que se faz sentir nestas alturas.

Temos os clientes do costume: Ronaldo e Messi, acompanhados do defesa-central que liderou o Liverpool na vitória da “Champions”, Virgil Van Dijk. Podemos ver ainda as duas estrelas do Ajax, importantíssimos na época fantástica e surpreendente dos holandeses, De Jong e De Ligt. Observamos, também, a presença de Hazard, sem qualquer dúvida, o melhor jogador da Liga Europa e o melhor o do Chelsea, premiando uma temporada de grande qualidade. Por último, Mbappe, na linha de sucessão dos dois melhores de sempre, está também neste onze com toda a justiça.

No entanto, há outras decisões que, para mim, são apenas marketing por parte da FIFA. Sabemos bem que o Real Madrid é o maior clube do mundo, mas a época 2018/19 não justifica a presença de três jogadores no onze do ano. Sérgio Ramos, ainda assim, consigo compreender. Apesar das más exibições da equipa, era o jogador, a par de Benzema, que ia conseguindo estar a um nível mais elevado.

Quanto a Modric e Marcelo, considero ser uma autêntica aberração. Nada contra a qualidade dos jogadores, já sabemos que a têm, mas fazer parte do “The Best” não pode ser um “posto”, mas sim um lugar adquirido. Dito isto, eu mudaria a táctica daquela equipa, para estarem só três defesas, e substituía Marcelo por Sadio Mané, do Liverpool, e Modric por Kanté, do Chelsea.

O melhor treinador

Foi logo o segundo prémio a ser entregue: Jürgen Klopp, o treinador do Liverpool e o melhor técnico do mundo. Creio ter sido um prémio justo e, da lista de nomeados, penso que apenas Pep Guardiola poderia ser um eventual escolhido, em vez dele.

Os seus reds, com a tal tática mais virada para o “heavy metal” e menos para a música clássica, ganharam uma “Champions” épica, que teve muitas reviravoltas ao longo da competição, tendo feito uma campanha brilhante da Premier League, suficiente para ganhar em qualquer outro ano, menos neste.

Futebol Feminino

Apesar de não ter a mesma magnitude a nível mundial que o seu irmão masculino, o Futebol feminino está a crescer, com particular sucesso para o Mundial, que decorreu este ano. As senhoras tiveram direito a novos prémios, individuais e coletivos.

Melhor guarda-redes: Sari van Veenendaal

O onze feminino do ano, dominado por jogadoras dos melhores clubes do mundo, com superioridade para o Lyon, e nas selecções, com destaque evidente para as norte-americanas, cinco ao todo.

O onze ideal: Sari van Veenendaal, Lucy Bronze, Wendie Renard, Nilla Fischer, Kelley O’Hara, Amandine Henry, Julie Ertz, Marta, Rose Lavelle, Megan Rapinoe e Alex Morgan.

A primeira mulher a ser campeã do mundo por duas vezes no futebol feminino, Gil Ellis foi eleita, sem surpresa, a melhor do mundo.

Já a melhor jogadora do mundo, apesar de ter uma qualidade fantástica, é uma activista incansável pela igualdade entre sexos: estamos a falar de Megan Rapinoe. Creio que também isto pesou na sua eleição, sem prejuízo da sua qualidade. Mais uma vez, vou discordar da decisão. Somente pela qualidade exibida dentro de campo, creio que Alex Morgan seria a vencedora mais justa deste prémio.

Notas finais:

O prémio fair-play foi entregue Marcelo Bielsa, do Leeds United, que deixou o Aston Villa marcar um golo sem oferecer resistência, depois da sua equipa ter marcado com um jogador adversário no chão. Uma história muito comentada na altura, pois esse jogo era essencial para a possível subida de divisão do clube inglês que o argentino treina.

Já o “Puskas”, com vários golos na sua carteira, ficou com a bicicleta de Daniel Zsori, Debreceni. Gostos são gostos e este é um grande golo, mas para mim teria sido escolhido o tiro de meia-distância de Andros Townsend (Crystal Palace), em plena casa do Manchester City.

O melhor adepto foi para a brasileira Silvia Grecco, que relata os jogos para o filho, que é invisual. O seu discurso foi, talvez, o momento mais emotivo da noite.

Para terminar, achei estranho o facto de apenas haver prémio para melhor guarda-redes e não para o resto das posições essenciais para o jogo.

Foto de Capa: FIFA

Texto revisto por Joana Mendes

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