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Após o empate no mítico Stadio San Paolo na passada quinta-feira, o nome “Dnipro Dnipropetrovsk” fez a manchete dos jornais desportivos por essa Europa fora, criando também algum rebuliço um pouco por todas as redes sociais e nos websites da especialidade. Pela primeira vez, não foi à conta de Yehven Konoplyanka que o Dnipro se tornou notícia de capa, mas antes pela extraordinária campanha que estão a levar a cabo na Liga Europa.

O Dnipro, que, sob o nome Dnepr, foi dos poucos clubes capazes de fazer frente ao poderoso Dynamo Kiev durante a década de 80 do século passado no futebol soviético, conseguindo na altura conquistar duas Super Ligas Soviéticas (1983 e 1989), foi a primeira equipa a tornar-se inteiramente profissional na ex-URSS. Com uma notável academia de formação, o Dnipro teve sempre ao dispor (especialmente durante as décadas de 70 e 80) jogadores de elevada qualidade, como os casos do antigo goleador soviético Oleg Protasov e do talentoso médio Gennady Lytovchenko (também ele internacional pela URSS), mas acabava sempre por perdê-los para o clube do regime, o Dynamo Kiev.

O novo Dnipro nada tem a ver com o velho Dnepr de Volodymyr Yemets do início dos anos 80, mas o espírito combativo e o estilo de jogo altamente meticuloso estão de volta pela mão daquele que é por muitos considerado o melhor treinador ucraniano da actualidade: o incomparável Myron Markevych. O treinador, natural de Lviv, que antes do jogo contra o Nápoles afirmou não ter medo da equipa italiana, conseguiu mudar por completo a forma de jogar do Dnipro desde que tomou o leme do clube em Maio de 2014. Com apenas três derrotas em 22 jogos na liga ucraniana esta época, este Dnipro é um osso duro de roer para qualquer adversário. Markevych tem vindo, aos poucos, a implementar na equipa um sistema de jogo baseado num 4-2-3-1 altamente moldável que se transforma num 4-3-3 mais ofensivo sempre que a situação o exige.

Myron Markevych – O homem por detrás da cortina Fonte: Dnipro
Myron Markevych – O homem por detrás da cortina
Fonte: FC Dnipro

Com um meio-campo de combate, onde se destacam jogadores como o georgiano Jaba Kankava e os internacionais ucranianos Valeriy Fedorchuk e Ruslan Rotan (capitão de equipa), o Dnipro baseia muito o seu jogo no talento do inconfundível Yehven Konoplyanka e na técnica apurada de Roman Bezus, que jogam muitas vezes pelas alas ou um pouco mais por dentro, servindo como suporte ao ponta de lança da equipa. É precisamente para essa posição que o Dnipro conta com jogadores de elevadíssima qualidade, como o caso de Yehven Seleznyov, Roman Zozulya (actualmente lesionado) e o internacional croata Nikola Kalinic. Outro dos segredos do sucesso da equipa ucraniana a nível internacional esta época assenta na qualidade do seu guarda-redes, Denys Boyko, um produto das escolas do Dynamo Kiev, que foi possivelmente o homem do jogo na passada quinta-feira no San Paolo.

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Markevych sacudiu, após a sua chegada, uma certa apatia que tinha tomado conta do estilo de jogo da equipa durante os últimos anos do reinado de Juande Ramos, apesar de este ter conseguido levar a equipa ao segundo lugar da liga ucraniana na época passada. A dependência dos momentos de inspiração do seu número 10, Yehven Konoplyanka, diminuiu significativamente à medida que a equipa começou a crescer como conjunto e passou a construir o seu jogo de forma mais calma e confiante desde trás.

Yehven Konoplyanka – O menino de ouro do Dnipro Fonte: Página do VK (rede social) de Yehven Konoplyanka
Yehven Konoplyanka – O menino de ouro do Dnipro
Fonte: Página do VK (rede social) de Yehven Konoplyanka

Markevych é um pensador do futebol e o seu trabalho de quase uma década no Metallist Kharkiv não pode deixar ninguém indiferente. Na sua primeira temporada à frente do Dnipro, o treinador de 64 anos conseguiu, para já, levar a equipa às meias-finais da Liga Europa e mantém em aberto a possibilidade de alcançar o Shakhtar na 2ª posição da liga ucraniana e até mesmo chegar ao título, uma vez que está a apenas seis pontos de distância do actual líder, Dynamo Kiev.

Os lendários Andriy Biba e Valeriy Lobanovskyi colocaram o Dnipro no mapa do futebol soviético no final da década de 1960, ao passo que Markevych poderá ficar na história como o homem que reapresentou o histórico emblema ucraniano ao mundo, devolvendo o Dnipro aos grandes palcos europeus, algo que já não sucedia há um quarto de século.

Foto de Capa: FC Dnipro