O legado do clã Kirsten no futebol alemão

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“O nome “Kirsten” vai estar para sempre inseparavelmente associado ao Dynamo” – Benjamin Kirsten (2015)

Ulf “Schwatte” Kirsten é um nome de referência do futebol alemão e, porque não dizê-lo, do desporto rei no velho continente. Nascido em Riesa, na antiga RDA (República Democrática Alemã), Kirsten ficou conhecido pela sua classe dentro das quatro linhas e pela sua capacidade, quase inata, de marcar golos. Ulf foi um elemento chave no poderoso SG Dynamo Dresden da década de 80 e nome de referência do Bayer 04 Leverkusen entre 1990 e 2003. Na verdade, Kirsten apenas conheceu estas duas equipas enquanto sénior, depois de ter passado pelo BSG Chemie Riesa e pelo BSG Stahl Riesa durante a sua formação. Apesar de estar “do outro lado do muro”, o seu talento durante as épocas que passou em Dresden não passou despercebido aos olheiros da Europa Ocidental, que não hesitaram em compará-lo ao lendário Gerd Müller. Kirsten deixou um legado absolutamente brilhante no futebol alemão, apontando cerca de 300 golos em pouco mais de 500 jogos divididos pelo Dynamo, Bayer e pelas selecções da RDA e da Alemanha unificada.

O legado do nome Kirsten no futebol alemão não terminou, porém, quando em 2003, Ulf decidiu pendurar as botas, uma vez que o seu filho, Benjamim, estava preparado para seguir as pisadas do pai, ainda que ocupando uma posição completamente antagónica àquela que fez do lendário Ulf um dos melhores avançados de sempre do futebol europeu. Benjamin, ou Ben, como geralmente é conhecido, é guarda-redes e fez a sua formação no SG Dynamo Dresden e no Bayer 04 Leverkusen. Natural de Riesa, como o seu pai, Ben mostrou desde cedo que o futebol teria um papel de elevada importância na sua vida e aos 2 anos de idade já dava os primeiros toques na bola na academia do histórico emblema de Dresden.

Ulf Kirsten ao lado de Ralf Minge nos tempos de glória do SG Dynamo Dresden na década de 80 Fonte:  weltsport.net
Ulf Kirsten ao lado de Ralf Minge nos tempos de glória do SG Dynamo Dresden na década de 80
Fonte: weltsport.net

A queda do muro de Berlin e consequente desmoronar da RDA precipitaram a saída de vários jogadores da Oberliga para a Bundesliga e Ulf Kirsten foi um deles. O “Schwatte” mudou-se para Leverkusen e levou a sua família consigo. Ben passaria então a integrar as escolas do Bayer 04 e por lá ficou até 2008, alinhando na equipa de reservas do emblema da Renânia do Norte-Vestefália. A falta de oportunidades e de tempo de jogo fez com que Kirsten procurasse a sua sorte noutras paragens e foi curiosamente nesse ano que chegou a Dresden para alinhar pelo Dynamo local, após uma muito breve passagem pelo  SV Waldhof Mannheim. Com apenas 21 anos, Ben começou a conquistar o seu espaço, primeiro na equipa de reservas, onde venceu o Sachsenpokal em 2009, e mais tarde ao serviço da equipa principal, onde chegou, de forma permanente, em 2011 pela mão de Matthias Maucksch.

O que Benjamim Kirsten viveu depois com o SG Dynamo Dresden foi uma verdadeira história de amor, um pouco à semelhança do que havia acontecido com o seu pai na década de 80, mas porventura ainda um pouco mais intensa. Ben fez mais de uma centena de jogos pelo Dynamo e a par do hispano-alemão Cristian Fiél, tornou-se não só uma referência da equipa, como também um verdadeiro herói para os fervorosos adeptos do clube durante os anos que se seguiram.

Joel Amorim
Joel Amorimhttp://www.bolanarede.pt
Foi talvez a camisola amarela do Rinat Dasaev que fez nascer, em Joel, a paixão pelo futebol russo e pelo Spartak Moscovo. O futebol do leste da Europa, a liga espanhola e o FC Porto são os tópicos sobre os quais mais gosta de escrever.                                                                                                                                                 O Joel não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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