Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google
Jackson Martinez, Hulk, Oscar, Tevez, Ramires, Alex Teixeira, Gervinho, Lavezzi. Scolari, Pelegrini, Eriksson, André Vilas-Boas.
Estes são apenas alguns dos jogadores e treinadores que, seduzidos pelos milhões chineses, deixaram para trás o futebol europeu em nome de uma aventura futebolística no país mais populoso do mundo, em troca de condições financeiras (ainda mais) astronómicas do que aquelas que normalmente são proporcionadas na Europa.

Fonte: Facebook oficial do jogador
É pública a aposta que o governo e os clubes chineses têm vindo a desenvolver a fim de que, nos próximos 30 anos, a China se torne numa superpotência do futebol mundial, passando essa aposta não só pela contratação de jogadores e treinadores, como também por um forte investimento nas infraestruturas de apoio ao futebol. Até 2020, ambicionam os chineses terem construídos 20 000 centros de treino, 70 000 campos de futebol, e contar com mais de 50 milhões de praticantes do desporto-rei a nível federado.
Mas que impactos é que este surgimento da China como potencial superpotência do futebol mundial, e actual megapotência económica poderá trazer ao futebol europeu?
Até este Janeiro, estávamos habituados a que jogadores em final de carreira, pertencentes aos quadros de “clubes-vendedores”, ou que jogassem em ligas periféricas, optassem por seguir a sua carreira no país mais populoso do mundo. Contudo, se anteriormente já tínhamos assistido a jogadores a preferirem assinar por clubes chineses em vez de jogarem na Premier League, como o caso de Alex Teixeira, vemos agora jogadores com mercado na Europa e na plenitude das suas capacidades a escolher prosseguir a sua carreira no continente asiático, como é o caso de Óscar, contratado ao Chelsea pelo Shanghai SIPG por um valor em torno dos 70 milhões de euros, valor que o clube orientado por André Villas-Boas não teve quaisquer problemas em desembolsar.

Fonte: Facebook oficial do jogador
O fair-play financeiro, o instrumento que a UEFA desenvolveu para procurar trazer mais equilíbrio e justiça às contas dos vários clubes europeus, funciona agora como um entrave que os clubes europeus encontram no momento de contratar, por estarem presos aos valores máximos que lhes são permitidos pelo organismo máximo do futebol europeu. Que é algo a que os clubes chineses, por razões óbvias, não precisam de cumprir no momento de reforçar o plantel.
Muitas são as questões legais que se levantam neste aspecto, nomeadamente a nível da concorrência, mas sendo o maior interesse que mantenho em comum com o leitor o futebol, partilho a minha preocupação pelo futebol europeu, com o precedente deixado pelo brasileiro Óscar.
Os talentosos, que jogam nas melhores ligas do mundo, orientados pelos melhores treinadores, para um público de muitos milhões de espectadores, escolhem agora mudar-se para campeonatos com menor impacto, menor projecção, mas que tem um plano traçado e muito bem definido para conseguir impor-se no panorama do futebol mundial.
Só o futuro o dirá, mas o que temo é que a “nossa” Premier, a “nossa” Champions, se mude para a Ásia, e que o melhor futebol do mundo passe a estar, a médio/longo-prazo, a dezenas de milhares de quilómetros de distância, comprometendo assim o relevo histórico e futebolístico que o Velho Continente representa.

Fonte: UEFA
Apesar do perigo que representa para o futebol e para as ligas europeias este erguer do futebol asiátio, terei sempre a esperança de que o romantismo seja devolvido ao futebol, e que os exemplos a seguir sejam aqueles de lealdade, de glória futebolística, de amor pelo desporto e respeito pela “casa” do futebol, que é, e mantenho a esperança que continue a ser, o continente Europeu.
Foto de capa:Shangai Greenland Shenhuah FC










