Realizou-se na passada segunda feira, em Paris, a 64ª edição da Bola de Ouro da revista France Football. Conhecida por ser a mais importante do mundo do futebol europeu, esta gala distingue o melhor jogador (masculino e feminino) de cada ano e o melhor jogador jovem. Para além disso tivemos nesta edição a introdução do Troféu Yashin, que congratula o melhor guarda-redes.

Ainda que todos sejam merecedores de grande destaque, o mais ambicionado troféu é, naturalmente, a Bola de Ouro. Esta indica, ainda que com margem para discussões, quem é o melhor jogador do mundo. Há uma semana atrás poderíamos dizer que era Luka Modric, médio do Real Madrid CF. Hoje o nome é outro, e o testemunho foi assim entregue a quem por seis vezes já o recebeu: Lionel Messi. O astro argentino foi coroado mais uma vez e passou assim a ser o recordista nesta categoria. Como disse, a discussão será eterna e a unanimidade nunca existirá, mas a verdade é que a competição entre ele e Cristiano Ronaldo conhece agora uma nova realidade e o português terá de ter um ano magnífico para conseguir voltar a igualar o craque do Barcelona.

A lista era longa e a verdade é que Ronaldo não ficou sequer no segundo lugar, desta feita ocupado pelo estreante Van Djik. A polémica foi, como sempre, grande, mas creio que este ano (ao contrário do anterior onde deveria ter ganho Cristiano Ronaldo) a justiça foi feita e o prémio foi entregue a quem realmente o mereceu. Com 54 golos em 58 jogos na passada época, Leo Messi brindou-nos com exibições de tirar o chapéu, com golos inexplicáveis, com lances simplesmente magníficos. Quando assim é e quando este jogador tem um ano inteiro ao seu melhor nível é muito complicado de superá-lo.

Sobre este prémio é ainda importante não esquecer que o Top 30 contou também com a presença de mais dois portugueses: Bernardo Silva no nono lugar e João Félix no 28º, fazendo com que Portugal fosse dos países mais bem representados.

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Outro dos prémios muito aguardado é a Bola de Ouro Feminina, uma vez também que lhe é dado cada vez mais protagonismo e importância. Este ano foi ganho por Megan Rapinoe, que sucede então à norueguesa Ada Hegerberg. Superou assim a inglesa Lucy Bronze e a sua companheira de seleção Alex Morgan. A jogadora norte americana foi recentemente coroada com o prémio The Best e parece estar, aos 34 anos, na melhor fase da sua carreira.

Megan Rapinoe foi eleita a melhor jogadora do mundo pela revista France Football
Fonte: Reign FC

A revista France Football não seria tão conceituada como é se não se preocupasse em avaliar e premiar as mais jovens promessas do mundo do futebol. É nesse âmbito que existe o Troféu Kopa, que elege o melhor jogador do mundo, mas desta vez destinado aos atletas com menos de 21 anos. O vencedor foi o defesa central Matthijs De Ligt, atual jogador da Juventus mas que fez uma época notável ao serviço dos holandeses do Ajax que foram campeões nacionais e, simultaneamente a surpresa da Liga dos Campeões, atingindo as meias-finais da competição. O prémio está muito bem entregue, no entanto foi criada alguma confusão uma vez que cinco dias antes o prémio de Golden Boy tinha sido entregue ao português João Félix que, desta feita, ocupou o terceiro lugar atrás também de Jason Sancho, promessa do Borussia Dortmund.

Matthijs De Ligt ganhou o Troféu Kopa, sucedendo assim Kylian Mbappé
Fonte: Juventus FC

Por fim, mas não menos importante falta falar do novo troféu, criado para distinguir o melhor guarda redes do mundo. Antes de mais deixar uma palavra sobre a importância de haver um prémio que congratule os guarda-redes que muito dificilmente podem ganhar uma bola de ouro mas que merecem tanta ou maior importância que os chamados jogadores de campo. Assim, o primeiro vencedor foi Alisson Becker, atual guarda-redes do Liverpool e vencedor da Liga dos Campeões e da Copa América de 2019. Foi realmente um guarda-redes muito capaz e muito importante na conquista de ambos os troféus, mas não seria verdadeiro se concordasse com tal nomeação. Sendo este um prémio que distingue uma individualidade, não se deveria de pautar pelas conquistas coletivas que determinado jogador obteve e foi esse mesmo problema que impediu Cristiano Ronaldo de ganhar a Bola de Ouro na passada época.

Se o critério fosse outro, creio que o resultado seria outro e que aqui falássemos de Marc-André Ter Stegen ou de Jan Oblak. Ainda assim o brasileiro fez uma época notável e não deixa de ser um dos melhores guarda-redes do mundo.

Alisson Becker foi o primeiro vencedor do Troféu Yashin
Fonte: Liverpool FC

Depois da entrega de todos os prémios deu-se por encerrada mais uma gala da revista France Football, desta vez apresentada pelo ex-jogador Didier Drogba que brindou os convidados com a boa disposição característica dos craques africanos. Considerada menos polémica e mais justa que a do ano passado, a cerimónia elegeu quatro atletas de grande nível, três deles que se estrearam num palco tão grande como este.

Posto isto, resta-nos aceitar e continuar a apreciar os momentos que estes e outros jogadores têm para nos oferecer. Para o ano cá estaremos para assistir novamente à cerimónia, com votos de que a justiça seja feita e de que ganhe o melhor.

Foto de Capa: FC Barcelona

 

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O Guilherme estuda Jornalismo na Escola Superior de Comunicação de Comunicação Social e é um apaixonado pelo futebol. Praticante desde os 3 anos, desde cedo que foi rodeado por bola e por treinadores de bancada. Quer ser jornalista desportivo, e viu no Bola na Rede uma excelente oportunidade para começar a dar os primeiros toques.                                                                                                                                                 O Guilherme escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.