Nesta “nova realidade”, a pandemia do vírus Covid-19 condiciona as nossas vidas e todas as atividades que nos rodeiam. O futebol não é exceção. As condições neste desporto para todos os atletas profissionais, treinadores e staff técnico são excelentes em comparação com outro tipo de trabalhos, mas mesmo com cuidados redobrados, os casos positivos continuam inevitavelmente a aparecer. Nestas situações, não é apenas a vida pessoal e profissional dos jogadores que fica afetada, reduzindo as opções dos técnicos e, em muitos casos, enfraquecendo as equipas.

As competições europeias são importantes do ponto de vista competitivo e do espetáculo futebolístico produzido, e também financeiramente. Esta pandemia, habitualmente, quando atinge algum jogador, afeta grande parte do plantel através do contágio. Desta forma, os plantéis mais curtos ou com menos soluções de qualidade acabam por ser os mais prejudicados.

Em termos de leis desportivas, a infeção por Covid-19 é tida em conta como outra qualquer lesão. Mas as repercussões provenientes deste vírus são bastante diferentes. Uma lesão é algo individual, que provém de um choque ou quebra muscular, sendo intransmissível. Relativamente ao coronavírus, ao contrário de uma lesão, é transmissível, podendo afetar um plantel inteiro a partir de uma única fonte de contágio.

Pegando no exemplo do FC Shakhtar Donetsk, a formação de Luís Castro foi bastante afetada. Durante este período em que o plantel esteve reduzido, a equipa ucraniana teve encontros de extrema dificuldade e importância na Liga dos Campeões. Apesar do mais recente resultado negativo nesta prova, com uma derrota caseira por seis bolas a zero frente ao Borussia VfL Monchengladbach, o emblema teoricamente mais fraco neste grupo, o Shakhtar conseguiu resultados positivos nos restantes dois jogos.

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Primeiramente venceu o Real Madrid CF no Estádio Santiago Bernabéu, com um leque de jogadores reduzido, destacando as ausências de Taison, Júnior Moraes e Konoplyanka por infeção de Covid-19. Já com Taison, a principal figura da equipa ucraniana, entre o lote de convocados, e com parte do plantel já recuperado, o Shakhtar empatou em casa com o FC Internazionale Milano.

Por vezes pode haver a tentação, quando os atletas estão assintomáticos, de os colocar em jogo, mas para isso era necessário adulterar a verdade desportiva. E esses jogadores infetados, mesmo sem sintomas, poderiam colocar outros em risco. No plantel do Shakhtar houve dez casos positivos. Segundo declarações de Luís Castro, três desses futebolistas tiveram problemas pulmonares e um teve problemas cardíacos. Nestes casos, o vírus irá deixar marcas e condicionar a vida destes atletas.

A importância especial de algumas partidas, como as da Liga dos Campeões, em que se encontram muitos milhões de euros envolvidos, levam a que sejam tomadas decisões “à última hora”. Recentemente surgiu a história caricata de Davy Klaassen, médio do AFC Ajax, que devido às circunstâncias pandémicas, viajou no próprio dia para a Dinamarca, quando tudo indicava que não poderia jogar.

O emblema holandês levou apenas 17 convocados para a partida frente ao FC Midtjylland, visto que tinha 11 jogadores infetados. No próprio dia de jogo, Klaassen, que estaria confortavelmente em sua casa à espera do encontro da sua equipa, testou negativo para Covid-19, e face ao condicionamento do plantel e à sua recuperação, viajou apressadamente para a Dinamarca. O médio holandês disputou toda a segunda parte na vitória do Ajax.

O novo coronavírus irá certamente condicionar as equipas, e provavelmente afetará a qualidade do futebol praticado. As equipas serão obrigadas a gerir o seu plantel de uma forma mais cuidada, e se parte dos jogadores de uma equipa for afetada irá reduzir as opções e exigir um maior esforço físico dos atletas. Nenhum jogador gosta de faltar a jogos importantes, nem os treinadores de ver as suas decisões condicionadas por motivos externos. Desta forma, poderá existir a tentação de tentar contornar as regras. No entanto fica a seguinte questão: será que este vírus afetará também a verdade desportiva?

Artigo revisto por Diogo Teixeira

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