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A sua personalidade um tanto egocêntrica tem fundamento. Todos sabemos de onde veio, o que teve de fazer para chegar onde está hoje… Melhor, onde estava há uns meses. A lesão veio em má altura. Tudo e todos salientavam a sua performance na Premier League, competição em que se estreou apenas esta época. Muitos diziam que vinha tarde, que já estava acabado para este nível desgastante de encontros (muitas vezes de 3 em 3 dias), mas quando se fala em Ibrahimovic ninguém deveria ousar proferir tal espécie de declarações. Isto porque um homem que se mantém no topo aos 35 anos, desempenhando o seu papel sem alaridos, focado e sem recorrer a declarações controversas acerca da equipa, sem criar conflitos internos por causa de resultados menos bons, privilégios que o seu status quo claramente lhe concedem, e em vez disso opta por se manter forte, e sobretudo positivo.

 

Nada o assusta. Tem noção. Noção do que acarreta montar uma equipa de top (mesmo com um dos melhores técnicos do mundo), noção de como se prepara um jogo decisivo, noção de como o futebol se está a transformar. Daqui a uns anos, poucos serão os jogadores que cresceram a jogar nas ruas, são poucos os que nem iam comer, por mais que a mãe ou avó gritassem, alto e bom som, pela varanda, o seu nome completo… São poucos os que não cresceram num apartamento. Enfim, que levavam a essência do futebol puro para o futebol profissional.

 

Na minha opinião, quando as gerações deste milénio começarem a preencher quase a totalidade do lugar dos ativos deste desporto é que se vai perceber bem esta minha tese, um tanto por culpa da indústria de jogadores de futebol a que se assiste no período de formação dos clubes. Isso e as novas tecnologias… Um vício da maioria dos jogadores, bem como também das pessoas em geral. Hoje em dia, ou para elevar a sua auto estima, ou para se aproximar dos fãs, o recurso a contas em redes sociais é uma clara tendência, que se for usado de forma incompatível com a profissão, no caso em que me debruço, a de futebolista, se pode tornar um problema. Mas neste artigo não me vou alongar mais neste ponto. Não digo, e muito menos desejo que a real essência se perca, trata-se apenas de uma previsão que faço com muito pesar… Felizmente, engano-me em muita coisa, e tenho noção disso.

 

Noção é uma das grandes qualidades do goleador sueco. Parece que tem noção de tudo o que existe à face da Terra e como as burocracias e afins funcionam. É talvez por isso que seja uma das personalidades deste mundo que tem sempre a resposta debaixo da língua. E nunca perde a oportunidade para ficar calado: sempre que solicitado, o conteúdo das suas declarações aos media é sempre muito interessante e pertinente. É por isso que, ao citá-lo, é fácil fazer manchetes de jornais. Tem impacto. Diz o que muitos não têm coragem de dizer em público. Não deve nada a ninguém, é um enorme jogador com uma carreira ímpar, é um ídolo para milhões, mas melhor que tudo isto, tem noção.

 

É por ter noção que, ao contrário de um outro jogador qualquer, não abandonou a carreira de atleta profissional após a grave lesão sofrida frente ao Anderlecht. Sabe o que vale, sabe que o seu registo enquanto profissional ainda não está concluído. E ainda bem. Para mim é um orgulho e uma honra escrever sobre este tipo de jogadores. Há quem diga que não gosta dele por ser muito ríspido nas respostas que dá a jornalistas, mas é rara a situação em que Zlatan “se enterra”.  É claramente aquele fulano que “enterra os outros”, que nunca fica mal visto e que impõe um respeito absoluto. Já olharam bem para ele?

 

O passado já todos conhecemos, o presente é uma batalha diária, e o futuro? Futuro para Ibra não é esperar que ele venha, é trabalhar para que ele aconteça. É isso que o move, é isso que não lhe permite pendurar as chuteiras. Ele sabe bem o que quer, certamente nem a mulher, nem o agente, nem os fãs o convencem do contrário, e nem querem tal coisa. Isto porque tais pessoas, umas mais que outras, o conhecem e sabem que o sentimento que une o avançado a este desporto é de paixão, e a paixão é eterna. E se essa eternidade terminar nos 39, 40 anos, eu e muitos ficaremos agradecidos por não ter terminado aos 35.

 

Confiança na sua pessoa é a sua arma mais letal. O seu olhar semicerrado diz tudo Fonte: zimbio.com
Confiança na sua pessoa é a sua arma mais letal. O seu olhar semicerrado diz tudo
Fonte: zimbio.com

 

Reconheço que, no final da época 2015/2016, depois dos anos que esteve no P.S.G. , e ao olhar para o histórico de equipas que ergueu ao peito, faltava que uma delas fosse da Liga Inglesa. Para mim é, de longe, a liga com o futebol mais atrativo do mundo, e como amante do futebol praticado em Inglaterra, qualquer jogador de topo tem de jogar lá, nem que seja apenas um jogo… Não é uma obrigação, mas vejo como se fosse.

 

Já existem fanáticos por bola que se fartam de ver um jogo. Isto, dito há uns tempos atrás seria impensável. Mas, analisando bem a coisa, temos ligas em que, literalmente, “não se passa nada”… Reparem na Liga Alemã, só dá Bayern; olhem a Italiana, só dá Juventus; olhem a Portuguesa, só dá Benfica. E quando o futebol em si é uma autêntica “pasmaceira”, lá vêm aquelas novelas do balneário, das relações entre instituições desportivas, lá vem os desentendimentos e as exigências dos agentes. Futebol não é isto car#$%! Futebol é treinar, jogar e vencer. O que se passa dentro do relvado não tem o impato que certas situações “extra futebol” têm, muitas vezes. E esse mesmo facto do fora das quatro linhas ter mais relevância do que o lá dentro é um autêntico absurdo! Jogam-se umas 10 jornadas a cada fim de semana, em que saem umas 50 notícias sobre possíveis escândalos ou outras peripécias dessa índole, e apenas 20 ou 30 sobre essas dez partidas disputadas. Dá que pensar.

 

Voltando ao assunto da competividade, mas não me refiro aos clubes em questão, mas será que numa liga onde um clube consegue deter uma hegemonia absoluta, seja possível esperar mudanças constantes nas posições da primeira metade da classificação? Muito dificilmente. Se jogos renhidos são os melhores, imaginem campeonatos que o sejam. Descansem, não precisam de imaginar, a resposta já foi dada e está enunciada acima.

 

Quanto ao futuro do craque, faixa negra de Taekwondo, melhor marcador de sempre pelo seu país, uma lenda em atividade e que, mesmo sentado no trono ambiciona mais conquistas, levanta-se e dirige-se a todos os recintos e combate na frente de batalha, o que posso dizer mais? Posso dizer que é ele que marca o seu caminho, mais ninguém. Marca o caminho e golos, obviamente!

 

No entanto, se a mim fosse entregue a decisão, a única opção viável só poderia passar pela Premier League. Isto por uma tão incessante curiosidade de o ver calar os críticos novamente. Voltam a dizer que está arruinado… Enganar-se-ão uma vez mais.

 

Depois da saída de Suarez, ficaria muito contente em ver a equipa de Anfield novamente com um ponta de lança de classe mundial. Combinando com Roberto Firmino e Philipe Coutinho, e o mais recente reforço, Mohamed Salah, um Ibra no seu melhor, mesmo com 35 anos, constituiria uma frente de ataque extremamente ofensiva, recheada de jogadas e toques com classe e subtis, mas ao mesmo tempo determinantes para o desfecho da jogada. Ibra está mais lento, mas não lento. E não perdoa. Conhece a pequena área como a sua casa e sabe sempre onde se posicionar para finalizar, mesmo em lances em que a bola não lhe chegue “redondinha”. Desta remota possibilidade de integrar o Liverpool não tenho noção de como seria, mas, para já, contento-me com a imaginação.

 

Tenho a certeza de que ofertas não param de chegar, mesmo tendo em consideração o seu estado físico atual. Tanto do oriente, como dos Estados Unidos, investidores de clubes abonados com uma favorável vertente financeira, poderão avançar com um contrato irrecusável.

 

Mas será que mesmo que algum magnata lhe endereçasse um cheque em branco, ele o retornaria ao remetente, alegando que “Zlatan Ibrahimovic é priceless”?

Foto de Capa: Independent.co.uk

artigo revisto por: Ana Ferreira

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