Publicidade

Rangers FC: Do drama à glória em dez anos sofridos

Gabriel Henriques Reis · 3 min

Rangers FC campeão
Foto: Rangers FC

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Comentários (1)

O Rangers FC foi este domingo consagrado campeão escocês pela 55ª vez na sua história, reforçando o estatuto de clube com mais títulos nacionais no mundo. O clube volta a alcançar assim o patamar mais alto do futebol nacional, dez anos depois da última conquista. Esta conquista sabe ainda melhor se tivermos presente o delicado momento que viveu o clube.

A época de 2010/2011 marca a última vez que os “Gers” celebraram o título escocês. No ano seguinte, em 2012, a direção, envolvida em polémicas devido a contratos de jogadores na década anterior, viu-se proibida de se inscrever em competições profissionais. Foram relegados para a quarta divisão nessa temporada e aos graves problemas financeiros acresceram os desportivos. Abriu falência, vários jogadores rescindiram e a crise estalou de forma definitiva. O clube mais titulado do mundo estava agora fora da elite. Era necessária uma mão firme e os adeptos foram parte integrante do processo de reestruturação, nunca abandonando o clube e sem perder a esperança de que era possível dar a volta.

As dificuldades foram evidentes, mas a reestruturação foi ganhando forma e em 2016/17 o Rangers FC voltou a estar na Primeira Liga Escocesa. A adaptação foi bastante complicada e o domínio continuava a ser do Celtic FC, que aproveitou a falta de concorrência para somar nove (!) títulos consecutivos. Para se perceber a força destes dois clubes, é preciso recuar até à temporada de 1984/85 para ver um outro campeão: o Aberdeen FC.

Em 2018/19, Steven Gerrard, figura e lenda do Liverpool FC, assumiu o comando técnico, naquela que seria a sua primeira experiência como treinador principal de uma equipa sénior, depois de abandonar o cargo de treinador dos sub-18 do Liverpool FC. Gerrard tinha a possibilidade, pela sua reputação no futebol mundial, de começar em clubes certamente melhores. Mas a verdade é que preferiu traçar o seu percurso, começando por baixo, e tem todo o mérito exatamente por isso. Depois de duas épocas a ser “vice”, é campeão com um registo verdadeiramente impressionante. São nove golos sofridos e 77 marcados em 32 jogos. Pelo caminho, e este é outro dos méritos de Steven Gerrrard, conseguiu a valorização de atletas como Alfredo Morelos, Ryan Kent, James Tavernier, Goldson, Ianis Hagi, entre outros, que tiveram espaço para brilhar apoiados pela experiência e veterania de Allan McGregor, Steven Davies ou Jermain Defoe.

Desengane-se quem achar que o trabalho do treinador inglês termina com a conquista do título. Fora de portas, a passagem pela Liga Europa tem sido um sucesso, tendo-se qualificado em primeiro lugar do grupo D, onde encontrou o SL Benfica, por exemplo. Na fase a eliminar, já deixou pelo caminho o Royal Antuérpia FC e segue-se agora o SK Slavia Praga. O foco será agora total nesta competição e tem tudo para continuar a surpreender.

Para a semana temos novamente dérbi do Old Firm, um dos maiores e mais entusiasmantes confrontos do futebol mundial, ainda que sem adeptos. Desta feita, o vencedor vai ser outro que não o Celtic FC, para variar. O futebol escocês, e não só, precisa de um Rangers FC forte e capaz de lutar por objetivos maiores, como manda a sua história.

Gabriel Henriques Reis

Redação Bola na Rede · ver artigos

Comentários 1

  1. Vitor Cardoso

    Comentário muito competente, que faz corar de inveja muitos “jornalistas desportivos consagrados” do mundo futebolístico. Agora, é com expectativa muito elevada, que ficamos a aguardar os próximos artigos! Votos de muito sucesso na difícil carreira da profissão abraçada!

Respeita os outros leitores: insultos, spam e discurso de ódio são removidos. Política de privacidade.

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

FC Copenhaga 3-0 Braga | E o Gverreiro gelou

O Copenhaga nunca tinha ganho no Parken a um opositor português. Vindos da pior época da sua história (sétimo lugar interno, disputa da fase de manutenção), aos dinamarqueses resta fazer pela vida para reassumir a dianteira do seu futebol. No fim-de-semana, a derrota no terreno do Midtjylland encurtara a vantagem no topo para apenas dois pontos – poderia esse tropeção adornar o encontro com o Braga de importância extra? Pareceu definitivamente que sim, dada a energia com que a equipa de Bo Svensson entrou a pressionar Gverreiros. O ímpeto, típico de anfitrião em jogo europeu, não deveria assustar arsenalistas, tão ou mais habituados que o Copenhaga a contexto internacional. E, mesmo por isso, passando a primeira onda de histeria, o jogo acalmou. No meio do marasmo ainda surgiu oportunidade para balançar as redes portuguesas, mas Travassos estava concentrado e salvou golo certo. O agressivo 4-2-3-1 de Bo Svensson (2,4 golos por jogo na Superligaen e 17 golos nos play-offs da Conferência) era manietado pelo 3-5-2 híbrido de Carlos Vicens, com o miolo Moutinho-Tiknaz-Gorby a ganhar ascendente na luta física e na luta pela posse de bola. No apito final da primeira metade, os portugueses contavam com 63%, superioridade notável ao nível do passe (301 completos para 169) e mais oportunidades reais de aproximação à outra baliza.

Pedro Cantoneiro · 2 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.