Na semana passada, a Libertadores da América 2019 iniciou a sua fase de grupos, onde sete clubes brasileiros – com grandes diferenças orçamentais – se estrearam com vitórias, derrotas e um empate.

Com exceção do São Paulo FC, que vergonhosamente foi eliminado na primeira fase pelo fraco Talleres, os brasileiros que sobreviveram na competição continental jogaram, mais uma vez, com o estigma de que “equipas brasileiras não sabem jogar na Libertadores”. A máxima foi verdadeira, pelo menos, nas últimas cinco edições, com apenas um título de uma equipa brasileira, conquistado pelo Grêmio em 2017.

Nos jogos dos emblemas brasileiros realizados na primeira jornada da fase de grupos da Libertadores tivemos de tudo, inclusive um empate apático do último campeão continental brasileiro e um “autocarro” vergonhoso da equipa com o maior orçamento da América do Sul.

Nas duas últimas décadas, a Libertadores da América tornou-se a competição mais desejada pelos clubes brasileiros, que procuram compensar pelos anos que passaram sem dar valor ao título. E por causa de toda essa pressão acabam por jogar de forma nervosa e inconsequente.

Disputa de bola entre Alex Castro (Tolima) e Rony (Atético MG) 
Fonte: Conmebol

Nesta primeira jornada, por exemplo, o único clube que jogou bem foi o Cruzeiro, que venceu o Huracán fora de casa por 1 a 0. Treinado pelo experiente e “copeiro” Mano Menezes, o Cruzeiro é uma das equipas mais sólidas no Brasil e, sem dúvidas, vai lutar pelo título continental.

Já o campeão da Taça Sul Americana de 2018, o Athletico Paranaense, jogou muito mal e perdeu seu jogo por 1 a 0 com o Tolima, fora de casa, o que mostra que o Athlético não está pronto para a competição e que provavelmente não vai muito longe.

Outra decepção, desta vez maior, foi a derrota do Atlético Mineiro, em casa, para o Cerro Porteño – que está na terceira posição no Campeonato Paraguaio. Com uma equipa tecnicamente superior, o “Galo mineiro” vacilou diante da equipa paraguaia e, se continuar a praticar o medíocre futebol mostrado até agora, não chegará à próxima fase da competição.

Os milionários Flamengo e Palmeiras, apesar das vitórias conquistadas em cima de San José e Junior Barranquilla, respectivamente, pelos placares de 1-0 e 2-0, tiveram desempenhos vexantes, atuando muito abaixo das expectativas para equipas que valem juntas cerca de R$ 800,8 milhões (cerca de 184 milhões de euros).

O Palmeiras, mesmo jogando fora de casa, ao fazer o primeiro golo, recuou como equipa pequena e passou o jogo quase todo sob pressão da equipa colombiana, que no final da partida acabou por ceder um contra-ataque que possibilitou o segundo golo do Palmeiras. Felipe Scolari já recebera muitas críticas por parte da torcida alviverde. Já o Flamengo sofreu para ganhar pelo placar mínimo contra o fraquíssimo – e quase horrível – San José.

Mais uma temporada começa e – mais uma vez – os clubes brasileiros entram em campo com a necessidade de provar que “sabem jogar na Libertadores”, pressionados pelos adeptos, pela própria imprensa, pelas direções e até mesmo pelos próprios orçamentos. Talvez isso mude quando perceberem que não há mística, espírito ou fatores externos; quando perceberem que para ganhar a Libertadores basta apenas jogar futebol.

Foto de capa: CONMEBOL

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