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Distante vai o rótulo de ‘Special Two’, distante vai um André Villas-Boas que começa a carreira de treinador com pouco mais de 30 anos, distante vai a excitação envolvendo o jovem míster que ganhou tudo ao serviço do FC Porto.

AVB, hoje, está a caminho de completar 40 anos. À medida que a carreira foi avançando fomos descobrindo um apurado Villas-Boas no horizonte dos seus objetivos e ambições. Não escondeu o desejo de treinar fora da Europa, não escondeu o querer experimentar novas culturas. Falou do Brasil, falou do Japão.

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E assim é o presente. O técnico natural do Porto treina na Superliga da China e é um dos treinadores mais bem pagos do mundo, auferindo à volta de 15 milhões de euros brutos por ano.

Depois de dois (aparentes) fracassos na Premier League e um trajeto que granjeou todos os títulos internos ao serviço do Zenit, na Rússia, a 4 de novembro de 2016, o Shangai SIPG Football Club anunciava a contratação de André Villas-Boas.

Deixando o Zenit em maio do ano passado, o treinador anunciou um ano sabático, que, no entanto, se revelou meio ano.

Conhecido como Mr. Chen, o presidente do clube chinês fundado em 2005, pede títulos ao técnico e foi o que Villas-Boas lhe prometeu: que o dono “dormiria com um troféu no final da época”.

Com um Guangzhou Evergrande treinado por Scolari, que já vai no seu hexacampeonato e à procura do ‘hepta’, o maior desafio a enfrentar é destronar o instalado e reinante campeão.

 

O trio brasileiro, Oscar, Hulk e Elkeson, destaca-se na formação treinada por Villas-Boas, que procura destronar o hexacampeão Guangzhou Evergrande Fonte: Globo
O trio brasileiro, Oscar, Hulk e Elkeson, destaca-se na formação treinada por Villas-Boas, que procura destronar o hexacampeão Guangzhou Evergrande
Fonte: Globo

Chegado ao clube e num contexto de limitação de jogadores estrangeiros no campeonato chinês, AVB viu o brasileiro Oscar juntar-se aos compatriotas Hulk e Elkeson, num plantel com cinco estrangeiros, acrescentando-se as presenças do português Ricardo Carvalho e do internacional uzbeque, Odil Akhmedov.

São três o máximo de estrangeiros permitidos a incluir num 11 inicial na Superliga chinesa, para além de obrigatoriamente se incluir um jogador chinês sub-23 no ‘11’ e outro nos 18 convocados.

É um regulamento que procura, numa China de investimento milionário, a formação do seu futebol e de uma competitiva seleção nacional no futuro.

AVB já viu contexto regulamentar semelhante na Rússia, o que não é novidade para o técnico, que contratou também o chinês Wei Shihao, de 22 anos, ao Leixões, nessa mesma lógica formativa.

Bom, o presente é agradável para os objetivos desportivos da equipa. Está nas três frentes. Na liga, 4 pontos separam a equipa do líder e campeão Guangzhou Evergrande e presença nos ‘quartos’ da Taça e da Liga dos Campeões Asiática.

O campeonato aproxima-se do final da primeira volta e, na Taça, há dias, AVB apanhou um valente susto ao quase ser eliminado por uma equipa da 3ª divisão. Na Liga dos Campeões, perspetiva-se um grande embate com o rival Guangzhou Evergrande.

Daqui a uns meses, consoante o corolário de troféus que o treinador luso conquistar nesta etapa asiática, mediremos, por esse critério, o sucesso e o balanço de mais uma aventura do ex-adjunto do ‘Special One’ fora do principal futebol mundial, que é na Europa.

O que é certo é que AVB é um aventureiro no sentido mais livre da palavra. Estará, com certeza, aberto a mais experiências futebolísticas por esse mundo fora. Tão diferente de Mourinho, se dúvidas ainda houvesse.

Mas, agora, este ainda jovem técnico quer fazer história num clube com 12 anos de existência e sem títulos que se destaquem.

AVB, o curioso cultural, tem agora a China no álbum pessoal.

 Foto de Capa: Shanghai Daily