Brasil 3-0 Argentina: Ela não anda, ela desfila!

- Advertisement -

Cabeçalho Futebol Internacional

Um Brasil-Argentina vai muito além das quatro linhas. É o expoente máximo do fervor sul americano aplicado ao futebol. A expressão da competitividade bairrista, entre vizinhos numa perspectiva macro e ilustrada numa tela verde com traços brancos e pontos amarelos e azuis em constante movimento.

É arte, sim, mas pode não ser bela. Porque imita a vida, e a vida nem sempre o é. Pode ser dura, agressiva e impessoal quanto a resultados. Assim foi em campo. Um duelo “rasgadinho”, em que o contacto era procurado e, havendo possibilidade de se aleijar o rival, não se hesitaria.

Talvez tenha sido por isso que Bauza, seleccionador argentino, tenha trazido para o Mineirao um meio-campo de combate, onde Mascherano e Biglia, no miolo, fechava, o corredor central com dureza, auxiliados pela flexão de Enzo Perez da direita (onde começou) para o meio. O Brasil respondia com o trio Augusto-Fernandinho-Paulinho.

Isto resultou num início pouco espectacular, que “encravou” a bola no centro do terreno. Porém, aos poucos, o bloco compacto argentino foi dispersando. Não por iniciativa própria, mas pela magia de Coutinho e Neymar, capaz de furar por entre cada brecha que ora eles, com bola, ora Gabriel Jesus, de forma posicional, iam conseguindo criar no muro argentino, e que prenderam o jogo para o lado do escrete durante o primeiro tempo.

Coutinho&Neymar, uma sociedade odiada em toda a Argentina Fonte: CBF
Coutinho&Neymar, uma sociedade odiada em toda a Argentina
Fonte: CBF

Graças a estas iniciativas, ambos conseguiram marcar. Coutinho, flectindo do lado esquerdo do ataque para o meio, rematou com sucesso ao canto superior esquerdo da baliza defendida por Sérgio Romero (24 minutos). Neymar, com astúcia (e depois de já ter avisado com um remate ao poste), e patrocinado pela genialidade de Gabriel Jesus (recebeu e rodou de forma brilhante, desamparando quem lhe marcava), ficou cara-a-cara com o guardião argentino e não desperdiçou. A bola ainda foi ao centro, mas o árbitro apitou logo a seguir. 2-0 e acabava a primeira parte de forma tranquila… e favorável para o escrete.

Algo tinha de mudar na Argentina. E mudou. Bauza, sem medo de correr riscos, fez entrar Aguero para o lugar de Enzo Perez. O jogo abriu no início da segunda parte – a Argentina tornou-se mais acutilante, mas abriu espaços nas costas. Isso trouxe oportunidades ao jogo. Paulinho numa iniciativa individual fintou Romero e atirou para a baliza descoberta, mas Mascherano salvou, e na resposta Di Maria atirou as malhas laterais da baliza brasileira. Cheirava a golo. Marcou o Brasil. Marcelo levantou a bola ao segundo poste, onde apareceu Renato Augusto, em esforço, a tocar para a entrada de Paulinho, terminado em golo. 3-0. Jogo resolvido aos 59 minutos.

Até final sentiu-se o prazer das bancadas na humilhação do seu Brasil à rival Argentina. Neymar foi figura maior, com mudanças de velocidades e fintas que enervavam o adversário, nunca meigo na hora de responder – Higuain puxou o brasileiro de forma duríssima, Funes Mori virou-o (literalmente!) e Otamendi agrediu, com uma cotovelada, Gabriel Jesus.

Por milagre (ou por competência da equipa de arbitragem) não houve expusões até final de um jogo que acabou por ser, também, um espelho da classificação da zona de qualificação sul-americana. O Brasil é cada vez mais primeiro, com 24 pontos, enquanto que a Argentina luta por entrar na zona de qualificação, encontrando-se num vergonhoso 6º lugar. A “galera” sorri. O cenário é-lhes favorável. São embalados pela melodia de dois génios que fazem a equipa dançar por entre cenários de guerra como o que encontraram no Mineirão. Como a mulher de uma música funk muito conhecida, a canarinha “não anda, ela desfila, é top, é capa de revista!”.

 Foto de capa: CBF

Pedro Machado
Pedro Machado
Enquanto a França se sagrava campeã do mundo de futebol em casa, o pequeno Pedro já devorava as letras dos jornais desportivos nacionais, começando a nascer dentro dele duas paixões, o futebol e a escrita, que ainda não cessaram de crescer.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Circulação rápida, movimentos de rutura e o corredor esquerdo como chave: como o Sporting dominou o Moreirense

Análise tática ao triunfo do Sporting sobre o Moreirense: circulação rápida, movimentos de rutura e a importância do corredor esquerdo.

Dani Ceballos assume a responsabilidade da derrota do Real Madrid frente ao Osasuna

Um erro de Dani Ceballos originou o golo da vitória do Osasuna sobre o Real Madrid. Após a partida, o médio espanhol assumiu a responsabilidade.

Benfica goleia Damaiense e abre provisoriamente 10 pontos de vantagem sobre o Sporting na liderança da Primeira Liga Feminina

O Benfica reagiu à eliminação na Taça de Portugal Feminina com uma goleada. Vitória contundente sobre o Damaiense na Primeira Liga.

Felgueiras e Penafiel empatam a zero na 23.ª jornada da Segunda Liga

Na 23.ª jornada da Segunda Liga, o Felgueiras e o Penafiel não foram além do empate sem golos durante a manhã deste domingo.

PUB

Mais Artigos Populares

Benfica x Real Madrid: Há momentos no futebol em que o jogo deixa de ser apenas jogo

João Prates está na Tribuna VIP do Bola na Rede. É treinador de futebol, licenciado em Psicologia do Desporto e está no seu espaço de opinião no nosso site.

Darwin Núñez está a viver dias complicados no Al Hilal e tem 2 interessados no seu regresso à Premier League

Darwin Núñez está fora da lista interna do Al Hilal e atravessa um período delicado. Avançado atraiu o interesse de dois conjuntos ingleses.

Real Madrid quer reforçar a defesa e pensa em antigo destaque do Vitória SC

O Real Madrid quer contratar um novo defesa central no verão, pelo menos. Edmond Tapsoba é um dos alvos dos merengues.