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Inglaterra: A glória Internacional está próxima

Pedro Machado · 2 min

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É quase matemático: em alta competição, um jogo de futebol mal preparado é jogo perdido. A evolução da tática encarregou-se de enaltecer o estudo do adversário, pelo que a mutabilidade de um sistema é essencial nos tempos que correm. Assim, velhos paradigmas tácticos como como o “kick-and-rush” caem em desuso pela sua previsibilidade. Ciente disto, e dos sucessivos trambolhões nas principais provas de seleções (não esteve no Europeu de 2008, por exemplo, e não passa os quartos-de-final desde 1996), a Inglaterra, ‘cliente’ habitual desta espécie de filosofia, adaptou-se e mudou. Não erradicou completamente o ‘pontapé para a frente’ em busca da velocidade ou do físico de uma referência ofensiva aéreo, por exemplo, mas também incutiu outros princípios de jogo… de raíz, sem que se sugasse o “kick-and-rush” do ADN (aliás, seria impossível fazê-lo, porque é um modelo transversal a muita gerações).

Ao ver as seleções jovens de Inglaterra jogar apercebemo-nos disso. À medida que se baixa o escalão, vai ficando cada vez mais nítida a aposta em modelos alternativos (que tomaram, por exemplo nos sub17, a opção principal) que contemplam mais técnica e um futebol ofensivo construído de forma mais apoiada. Na hora de defender, a abordagem já não é exclusivamente agressiva, permitindo alguma expectativa perante o que possa fazer o adversário. Ou seja, já não existe tanta vulnerabilidade à qualidade técnica do adversário.

Inglaterra venceu o último Mundial de Sub20 Fonte: FIFA
Inglaterra venceu o último Mundial de Sub20
Fonte: FIFA

Neste contexto, a Inglaterra preparou-se para disputar, de igual para igual, encontros frente a seleções como a espanhola ou a portuguesa, mais capazes tecnicamente, sem desvirtuar o que de bom tem o kick-and-rush e que permite a imposição do físico. Os resultados estão à vista: as seleções jovens dos três leões só não chegaram à final de uma competição neste verão, perdendo nas grandes penalidades frente ao vencedor do torneio (Alemanha, em sub21). De resto, disputaram 3 finais e ganharam duas. Nos sub17, perderam de forma ingrata (estiveram a vencer até aos 6 minutos de compensação, mas consentiram o golo que levou o jogo para prolongamento, vindo a perder o troféu para a Espanha nas grandes penalidades, nos sub 19, venceram o Europeu, batendo Portugal na final e nos Sub 20, venceram o Mundial.

Perante factos, não há argumentos. Mantendo esta aposta na formação, dotando-a de mais qualidade técnica (veja-se Foden ou Mason Mount, por exemplo… e até Pickford!, guarda-redes que promete vir a colmatar um drama de vários anos relativo à posição) e, claro, maior capacidade táctica (McEachran, Chalobah ou Lewis Baker), a Inglaterra pode muito perfeitamente vir a vencer uma grande competição nos próximos anos.

Foto de Capa: Mirror

Pedro Machado

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