Portugal 6-1 Suíça: Ramos e companhia com mira afinada para os quartos

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A CRÓNICA: COM GOLEADA E BOM FUTEBOL SABE SEMPRE MELHOR

Os primeiros minutos de jogo fizeram pensar que ia ser mais um clássico duelo em que íamos terminar de coração nas mãos. A verdade é que Portugal até entrou pior e demorou a entrar de corpo e alma na partida, mas quando Gonçalo Ramos, aposta mais que ganha de Fernando Santos, que fez valer o ‘risco’ de sentar Cristiano Ronaldo no banco, disparou de pé esquerdo para o fundo das redes da baliza de Yann Sommer, tudo ficou mais fácil.

O talento e a qualidade técnica portuguesa começaram a aparecer e o domínio luso foi-se intensificando com o decorrer dos minutos. Já depois da meia hora o (quase) quarentão Pepe subiu às alturas e batendo os dois centrais suíços, marcou o segundo para Portugal, oferecendo a calma que a equipa precisava.

Na entrada para a segunda parte as “pistolas” de Gonçalo Ramos voltaram a ativar e as redes de Sommer voltaram a balançar. Mais tarde, sem perder muito tempo, Raphaël Guerreiro fez o quarto e Ramos o quinto. Portugal ia jogando bem e com a tranquilidade de quem sabia o que fazia dentro de campo – algo raramente visto por estes lados -, ainda que Manuel Akanji tenha feito um golo de honra lá pelo meio.

Fica a ideia de que João Félix, Bruno Fernandes, Bernardo Silva e companhia jogam melhor quando não têm Cristiano Ronaldo para servir de forma quase obrigatória. A equipa jogou um futebol fluído e irrepreensível como penso nunca ter visto a seleção portuguesa exibir em largos anos. Se tantas vezes se critica, há também que elogiar quando se acerta. Fernando Santos, acusado por muitos de ser conservador, analisou com toda a serenidade as necessidades da seleção e não teve medo de sentar no banco jogadores como João Cancelo e Cristiano Ronaldo, demonstrando coragem e surpreendendo tudo e todos. Chapeau!

A FIGURA

Gonçalo Ramos – O fator golo é sempre o principal indicador de que um jogador foi decisivo. Neste momento e depois de um jogo destes, fica mesmo impossível não atribuir o destaque a Gonçalo Ramos, que assina um hat-trick na estreia a titular pela seleção.

Destaque também para as excelentes exibições de João Félix e Bruno Fernandes, que confirmam a consistência e qualidade exibicional apresentada. Parecem ter agora toda a liberdade criativa de que necessitam para fazer o que melhor sabem: jogar bom futebol. Jogaço!

 

O FORA DE JOGO

Xherdan Shaquiri – Esperava-se mais de um dos elementos teoricamente mais temidos dos suíços. Esteve sempre muito apagado ou distante da partida e quando teve a bola no pé demonstrou-se incapaz de criar algo diferente. Pedia-se mais, mas compreendem-se as dificuldades.

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

No papel parecia que Fernando Santos iria fazer alinhar Portugal em 4-3-3, ou 4-1-2-3 se preferir, com um ataque mais móvel e sem Cristiano Ronaldo. Contudo, na prática, o esquema não se revelou tão rígido quanto o esperado.

Em momentos de construção, Bernardo Silva descia para junto dos médios ou até mesmo defesas-centrais e até João Félix, a atuar como extremo-esquerdo, fazia movimentos interiores para apoiar os médios na construção e oferecer mais criatividade a um meio-campo, já por si dinâmico e com muita capacidade de posse. Bruno Fernandes serviu como “falso extremo-direito”, se assim podemos chamar ao papel desempenhado: raramente recuava para construir e focava-se mais em aparecer nos momentos de possível criação de perigo ofensivo.

Gonçalo Ramos funcionou maioritariamente como elemento referência, o que não o proibiu de continuar a fazer alguns movimentos deambulantes pelo ataque português, confundindo marcações e desestabilizando o momento defensivo suíço.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Diogo Costa (7)

Raphaël Guerreiro (7)

Rúben Dias (7)

Pepe (8)

Diogo Dalot (8)

William Carvalho (8)

Bruno Fernandes (8)

Otávio (7)

Bernardo Silva (8)

João Félix (9)

Gonçalo Ramos (9)

SUPLENTES UTILIZADOS

Cristiano Ronaldo (5)

Vitinha (6)

Ricardo Horta (5)

Rúben Neves (-)

Rafael Leão (7)

 

ANÁLISE TÁTICA – SUÍÇA

A Suíça apresentou-se frente a Portugal em 3-5-2 ou 3-1-4-2, com Breel Embolo a surgir a partir da posição de ponta-de-lança, tendo sido claramente o elemento mais perigoso para a defesa portuguesa. Xherdan Shaquiri era a figura mais próxima de Embolo, mas raramente o ataque suíço conseguiu dar frutos de alguma construção planeada e pensada.

Se durante a primeira parte a Suíça funcionou com os laterais bem abertos, Manuel Akanji servia de central pela direita e Ricardo Rodriguez pela esquerda com Fabian Schär ao meio, na segunda parte Murat Yakin abandonou o 3-5-2 e abraçou o 4-4-2 com as entradas de Haris Seferovic na frente de ataque para fazer companhia a Embolo. Apesar das alterações táticas o conjunto helvético raramente conseguiu surtir qualquer tipo de perigo para a baliza portuguesa.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Yann Sommer (5)

Ricardo Rodríguez (5)

Manuel Akanji (6)

Fabian Schär (4)

Edimilson Fernandes (5)

Remo Freuler (5)

Granit Xhaka (6)

Djibril Sow (6)

Ruben Vargas (5)

Xherdan Shaquiri (5)

Breel Embolo (6)

SUPLENTES UTILIZADOS

Eray Comert (5)

Denis Zakaria (6)

Haris Seferovic (5)

Noah Okafor (5)

Ardon Jashari (-)

Gabriel Henriques Reis
Gabriel Henriques Reishttp://www.bolanarede.pt
Criado no Interior e a estudar Ciências da Comunicação, em Lisboa, no ISCSP. Desde cedo que o futebol foi a sua maior paixão, desde as distritais à elite do desporto-rei. Depois de uma tentativa inglória de ter sucesso com os pés, dentro das quatro linhas, ambiciona agora seguir a vertente de jornalista desportivo.

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