Bamos lá, cambada! | Portugal

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Segue-se Hargreaves, não falha. Petit prepara-se para marcar para Portugal. Há quem aperte as mãos, quem diga pequenas orações, mas a trajetória da bola é imune a súplicas, Petit atira para fora. A carruagem ressentiu-se. Houve quem saísse, fosse arejar pelos corredores do regional. Imune a qualquer tensão dos tripulantes daquele comboio, os jogadores da seleção iam cumprindo a sua sina. Eu já nem me lembrava que tinha um encontro marcado com Shakespeare. O importante não era o destino, era aquela viagem.

É a vez de Gerard, que tem nos pés a possibilidade de colocar Inglaterra na frente do marcador. Corre para a bola. Houve quem quase desmaiasse, quem dissesse que não aguentaria, que não queria ouvir mais, embora fosse espreitando sempre em busca de boas notícias. Remate forte com o pé direito. Toda a carruagem de olhos postos em mim. A tensão, cada músculo do corpo em compressão.

– RICARDO!

Não precisei de dizer mais nada. A explosão que se viveu ali, a 2 mil quilómetros de distância de Gelsenkirchen, foi tal que 16 anos depois ainda me acelera o coração.

– Minha nossa senhora que me vai dar uma coisinha! – dizia uma senhora no comboio, – Meu santo Ricardinho!

– Hélder Postiga. É vez de Hélder Postiga.

Eu ia encostada à janela, mas via melhor Gelsenkirchen do que Ermesinde ou Rio Tinto.

– É agora, é agora… – dizia para mim baixinho.

Os que não aguentavam dores maiores profetizavam um falhanço. Aprendi a não os censurar, é uma defesa para não se magoarem. Hélder Postiga marca, eu grito golo até arranhar a garganta. Valha-nos Deus, onde nos fomos meter, agora vamos sofrer mais ainda. Agora é mesmo possível. Agora é o tudo ou nada. Não existe mais nada. O comboio não tem partida nem destino, nem sabemos onde estamos.  2-1 para Portugal, Carragher prepara-se depois de uma falsa partida. Remata com o pé direito e Ricardo outra vez. Pronto, agora choramos. Choramos todos um pouco, uns com lágrimas pelo rosto, outros só com os olhos cheios, a aguentar, a disfarçar.

Redação BnR
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