Gabriel Silva: O que não ajudou nas prestações da Seleção Nacional | Portugal x França

- Advertisement -

Gabriel Silva está na Tribuna VIP do Bola na Rede. É treinador de futebol e inicia o seu espaço de opinião no nosso site em pleno Euro 2024. O técnico de 31 anos foi treinador do Esmoriz e adjunto no Torreense e Trofense.

Dificuldades contra equipas com bloco compacto

Ao longo do torneio, Portugal demonstrou dificuldades contra equipas que defendem com o bloco compacto, nomeadamente a República Checa, a Geórgia e a Eslovénia. Contra a Geórgia o apuramento estava garantido e existiu rotatividade de jogadores, mas perceberam-se também dificuldades no equilíbrio defensivo após a perda.

A nível ofensivo, apesar de ter muita posse de bola (até ao jogo com a França era a seleção com mais posse de bola do Torneio e uma das melhores na eficácia do passe), Portugal foi pouco incisivo a procurar diferentes soluções para criar situações de finalização. Os poucos golos marcados por Portugal relevam falta de capacidade de criação de oportunidades.

A procura constante de cruzamentos para a área com Cristiano Ronaldo sozinho ou com o extremo do lado oposto entre pelo menos três defesas adversários é exemplo disso. A ineficácia no momento de finalização, excetuando o jogo com a Turquia, foi notória num Torneio marcado pelo autogolo.

Cristiano Ronaldo Portugal Euro 2024
Fonte: Filipe Oliveira/Bola na Rede

Faltou forçar mais o corredor da bola com combinações curtas e rápidas, trocas posicionais e movimentos de entrada no espaço dos médios. Como exemplos positivos, o movimento do Bruno Fernandes no jogo contra a França que resulta numa oportunidade de golo e o golo do Bernardo Silva frente à Turquia que nasce de uma boa combinação no corredor lateral contrário.

Adaptação ao adversário retirou rendimento coletivo e individual a Portugal

Viram-se muitas vezes os jogadores portugueses “fora de posição”. A tentativa de ter Nuno Mendes e Cancelo a jogar por dentro quando são mais competentes por fora não foi muito bem-sucedida. Apesar de se perceber as intenções do selecionador, as adaptações retiraram capacidade de aceleração nos corredores laterais, tornando-nos muito dependentes de Rafael Leão para conseguir criar desequilíbrios na defesa adversária. 

Rafael Leão Jules Koundé Portugal França
Fonte: UEFA

A alternância de sistema tático, entre defesa a 3 ou a 4 também não potenciou o entrosamento entre os jogadores. A esse nível o jogo com a França foi o mais competente. Os jogadores estiveram mais sincronizados e adaptados às funções que tinham de desempenhar.

Eliminação com a França

Exceção importante a esse melhor entrosamento e articulação sectorial da equipa no jogo com a França foi a ligação dos médios e laterais com Ronaldo e Rafael Leão. Foi percetível a procura de Leão no espaço após a recuperação de bola em zonas médias ou baixas e com Ronaldo a fazer o movimento contrário de vir receber em apoio. Contudo, com o passar do tempo a França ajustou, reforçou a cobertura a Leão e retirou possibilidades a Portugal de conseguir aproveitar os contra-ataques.

Roberto Martínez
Fonte: Filipe Oliveira / Bola na Rede

Em jogo posicional essa ligação foi ainda mais frágil uma vez que os centrais da França conseguiram controlar os movimentos de Ronaldo no espaço (pouco solicitado mesmo com bola descoberta), o que o obrigou a procurar entrelinhas para tocar ou rodar e encarar o 1×1 no qual já não consegue criar os mesmos problemas ao adversário que no passado.

Rafael Leão ficou também muito encostado à linha sem apoio para conseguir ultrapassar a defesa francesa. Ainda assim conseguiu, por vezes, ser bem-sucedido no 1×1 e 1×2 e cruzar, o que levou a que houvesse muitos cantos para Portugal.

Portugal ineficaz também na bola parada

Foram 47 os cantos a favor de Portugal. A seleção diversificou desde cantos com batida aberta e fechada a combinações com 2 e 3 jogadores, mas mostrou-se incapaz de marcar ou até rematar dentro, ou fora da grande área. Também os livres não foram bem-sucedidos e podemos sempre questionar as opções.

Muitos livres descaídos para o corredor lateral poderiam ser mais bem-sucedidos se a bola tivesse sido cruzada para a área ao invés de se optar sempre por remate direto de uma zona com muito baixa probabilidade de ser golo.

João Félix Portugal Euro 2024
Fonte: Filipe Oliveira/Bola na Rede

A escolha de João Félix na lista de marcadores no desempate de penáltis é questionável tendo em conta não a qualidade de Félix, mas sim toda a envolvência negativa em torno do jogador.

Redação BnR
Redação BnRhttp://www.bolanarede.pt
O Bola na Rede é um órgão de comunicação social desportivo. Foi fundado a 28 de outubro de 2010 e hoje é um dos sites de referência em Portugal.

Subscreve!

Artigos Populares

Saber cair de cabeça erguida, num palco onde se viveu História | Friburgo 3-1 Braga

O Braga caiu aos pés do Friburgo durante a noite de quinta-feira, falhando a final da Europa League, que se realiza em Istambul.

Carlos Vicens responde ao Bola na Rede: «O que tentámos foi manter uma estrutura que nos permitisse estar juntos em tudo o que fizéssemos,...

Carlos Vicens respondeu a uma pergunta do Bola na Rede, depois da eliminação do Braga da Europa League.

Carlos Vicens: «Não podem passar tantos anos para o Braga estar sem lutar por finais europeias»

Carlos Vicens analisou a derrota do Braga contra o Friburgo, num encontro da segunda-mão das meias-finais da Europa League.

Há quatro treinadores espanhóis nas três finais europeias: sabe quem são

As três finais europeias da época registam a presença de quatro técnicos espanhóis: Mikel Arteta e Luis Enrique na Liga dos Campeões; Unai Emery na Liga Europa; e Inigo Pérez na Liga Conferência.

PUB

Mais Artigos Populares

Pau Víctor após eliminação do Braga: «Se conseguíamos o 3-2, tínhamos dado a volta no prolongamento»

Pau Víctor já reagiu ao encontro entre o Braga e o Friburgo, relativo à segunda-mão da meia-final da Europa League.

Champions League, Europa League e Conference League: Há 1 equipa inglesa em cada final

Já estão definidas as três finais das competições europeias. Há, pelo menos, uma equipa inglesa em cada uma das finais.

Hóquei: Barcelona bate Sporting no prolongamento e marca encontro com o Benfica nas meias-finais da Liga dos Campeões

O Sporting foi eliminado da Liga dos Campeões de Hóquei em Patins aos pés do Barcelona, perdendo por 2-0 no prolongamento com um bis de Marc Grau. Os catalães seguem em frente e vão defrontar o Benfica nas meias-finais.