A reinauguração do histórico Estádio Azteca, agora rebatizado, serviu de palco para um embate que ficou muito aquém das expectativas em termos de espetáculo. Num jogo amigável de preparação para o Mundial 2026, México e Portugal não foram além de um empate a zero, num jogo marcada por um ritmo sonolento e por escassas oportunidades de golo. Sem Cristiano Ronaldo nas opções, Roberto Martínez cumpriu a promessa de dar minutos a vários jogadores e transformou o encontro num autêntico laboratório, utilizando 21 jogadores ao longo dos 90 minutos.
A jogar em casa e empurrada pelo público, a seleção mexicana entrou a pressionar alto e a dificultar a saída de bola da equipa das quinas, embora sem conseguir rematar com perigo na baliza de Rui Silva, que regressou à titularidade. Com o passar do tempo, Portugal foi assentando o seu jogo e assumindo a posse. Foi precisamente nessa fase de crescimento que surgiu a melhor ocasião de todo o jogo, aos 25 minutos, após uma boa combinação entre Francisco Conceição e Bruno Fernandes, o médio colocou a bola na área e Gonçalo Ramos, de primeira, atirou ao poste. Foi o único momento de verdadeira emoção numa primeira parte demasiado mastigada.
No campo das experiências táticas, a aposta de Matheus Nunes a defesa direito teve resultados mistos. Se ofensivamente conseguiu aparecer com critério no último terço, a sua colocação retirou fluidez ao processo de construção, obrigando Francisco Conceição a recuar para zonas de pressão de forma a iniciar as jogadas. No eixo defensivo, a dupla formada por António Silva e Renato Veiga acusou a falta de rotinas conjuntas, demonstrando algum nervosismo e excesso de cautela. Pior esteve Nuno Mendes, que rubricou uma exibição para esquecer, somando inúmeras perdas de posse e falhando constantemente nas tomadas de decisão.
No miolo, a grande novidade foi a estreia a titular de Samu Costa, que aproveitou muito bem a oportunidade para se mostrar sólido nas dobras defensivas e na distribuição. Bruno Fernandes foi a habitual exceção criativa, gerando as únicas ocasiões flagrantes da equipa. No ataque, Gonçalo Ramos mostrou-se invulgarmente displicente nas abordagens ao remate, enquanto a segunda parte revelou um Gonçalo Guedes muito desinspirado, que acumulou dezenas de perdas de bola e não conseguiu concluir qualquer drible com sucesso desde que saltou do banco.
Numa partida tão morna, Roberto Martínez não terá retirado conclusões entusiasmantes para o futuro, servindo o embate essencialmente para testar a profundidade do plantel num ambiente exigente. O único dado estatístico verdadeiramente positivo a reter é a manutenção da invencibilidade histórica frente à seleção mexicana, passando Portugal a somar três vitórias e três empates em seis confrontos. O foco vira-se agora para o próximo teste de preparação, agendado para a madrugada de quarta-feira frente aos Estados Unidos, em Atlanta.

