Portugal 0-0 Ucrânia: Muita cerimónia e pouca objetividade explicam entrada em falso

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No início da caminhada rumo ao Euro 2020, Portugal empatou a zero com a Ucrânia. Num Estádio da Luz bem composto (58 357 espetadores), os comandados de Fernando Santos começaram a defesa do título conquistado em França em falso, muita por culpa própria, ao revelarem pouca objetividade na hora de finalizar.

Havia a expetativa para saber como jogaria de início a “seleção das Quinas” (se em 4-4-2 ou 4-3-3), uma vez que CR7 estava de volta à convocatória, após ter estado ausente dos jogos da Liga das Nações, e ainda por causa das novidades em Dyego Sousa e João Félix – o selecionador nacional optou pelo 4-3-3, com a frente de ataque composta por Ronaldo, Bernardo Silva e André Silva. Do lado ucraniano, o destaque foi para a titularidade de Marlos, que cumpria assim a sua primeira internacionalização, após se ter naturalizado recentemente.

A partida começou com Portugal a querer ter bola, e até conseguiu, embora a defesa ucraniana estivesse bastante compacta, dificultando assim a criação de oportunidades por bola corrida.

Teve de ser um lance de bola parada para a armada lusa conseguir criar o primeiro lance de verdadeiro perigo: ao minuto 16 e na sequência dum canto, Pepe disparou de primeira à entrada da área para uma defesa apertada de Pyatov. No minuto a seguir, William até colocou a bola dentro da baliza, mas o golo foi bem invalidado por fora de jogo do médio.

Portugal voltou a ameaçar a baliza de Pyatov, desta vez pelo suspeito do costume: Ronaldo, numa finta curta já dentro de área, disparou para defesa segura do guardião experiente do Shakhtar Donestk. O capitão da seleção mostrava uma enorme vontade em querer faturar e esteve, de novo, muito perto de abrir o marcador na Luz, aos 27’, mas viu novamente Pyatov a impedir as suas pretensões.

Os atuais campeões europeus até iam tendo mais bola, sobretudo no meio-campo ofensivo, mas a Ucrânia não dava muito espaço aos atacantes portugueses e as tentativas foram todas bem anuladas pela defensiva de Leste, sendo que até ao apito de Clément Turpin para o intervalo, o marcador não se alterou.

Era necessário mais rapidez e inteligência no segundo tempo para quebrar a resistência dos homens de Andriy Schevchenko.

Portugal recomeçou a partida a ameaçar Pyatov, com Ronaldo a amortecer a bola com o peito para André Silva rematar para as mãos do número 12 dos ucranianos. O avançado do Sevilha FC voltou a pôr à prova os reflexos de Pyatov, que respondeu com uma estrondosa defesa, depois de uma jogada bastante trabalhada pela seleção nacional.

Insatisfeito com a produção ofensiva, Fernando Santos sentiu que o jogo pedia um “abanão”, e foi então que chamou Rafa Silva para dentro de campo, tirando um elemento do meio-campo, Rúben Neves.

Contudo, esse tal “abanão” não teve os efeitos desejados e foi preciso dar mais músculo ao ataque: Dyego Sousa rendeu o apagado André Silva, fazendo assim a estreia pela seleção das Quinas. Shevchenko respondeu e também lançou um estreante, Júnior Moraes substituiu Yaremchuk.

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

O jogo ia caminhando para os minutos finais e Portugal até conseguia chegar com alguma facilidade à área adversária, mas demonstrava uma enorme cerimónia em rematar à baliza. Mais uma vez, tinham de ser as bolas paradas a fazer surgir um lance que pudesse desbloquear o nulo: num canto do lado esquerdo, ao minuto 81, Dyego Sousa cabeceou bem para Pyatov defender novamente. Apesar de ter estado remetida grande parte do jogo no meio-campo defensivo, a Ucrânia arriscou nos últimos minutos e esteve pertíssimo de gelar as bancadas da Luz: Júnior Moraes finalizou por cima, após defesa incompleta de Rui Patrício a remate de Konoplyanka.

Até ao final, os atletas portugueses tentaram de todas as formas fazer o golo da vitória, mas sem qualquer êxito. O jogo acabou com 0-0 no marcador e Portugal começou assim a defesa do título de uma forma que não era a mais desejada. Apesar dos lances criados (suficientes para vencer), a muita cerimónia e boa organização defensiva da Ucrânia impediram que o jogo terminasse com o triunfo luso.

Segunda-feira há mais, desta vez contra a Sérvia, e espera-se que Ronaldo e companhia estejam mais inspirados na altura de finalizar.

ONZES E SUBSTITUIÇÕES:

Portugal: Rui Patrício; João Cancelo; Pepe; Rúben Dias; Raphael Guerreiro; William Carvalho; Rúben Neves (Rafa Silva 62’) ; João Moutinho (João Mário 85’); Bernardo Silva; Cristiano Ronaldo; André Silva (Dyego Sousa 73’)

Ucrânia: Andriy Pyatov; Oleksandr Karavaev; Sergii Kryvtsov; Mykola Matviyenko; Vitaliy Mykolenko; Taras Stepanenko; Ruslan Malinovskyi; Oleksandr Zinchenko; Marlos (Vitaliy Tsygankov 67’); Yevhen Konoplyanka (Vitaliy Buyalskiy 86’); Roman Yaremchuk (Júnior Moraes 76’)

Guilherme Costa
Guilherme Costahttp://www.bolanarede.pt
O Guilherme é licenciado em Gestão. É um amante de qualquer modalidade desportiva, embora seja o futebol que o faz vibrar mais intensamente. Gosta bastante de rir e de fazer rir as pessoas que o rodeiam, daí acompanhar com bastante regularidade tudo o que envolve o humor.                                                                                                                                                 O Guilherme escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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João Aroso é atualmente treinador adjunto da seleção da Coreia do Sul. Apesar da longa distância, é um perfil reconhecido em Portugal. Um autêntico homem do futebol, com um profundo conhecimento do jogo, interessando-se de uma forma quase obsessiva (no bom sentido da palavra) pelo que se passa dentro das quatro linhas, deixando de lado polémicas. Os seus primeiros passos foram no Pedras Rubras, dando-se a conhecer mais tarde, já ao serviço do Sporting. Já desempenhou múltiplas tarefas no desporto, alcançando os seus sonhos de adolescente. Para João Aroso, o futebol tem poucos segredos, mas o seu entusiasmo quando fala da modalidade é contagiante. É o mais recente convidado do Entrevista Bola na Rede.