Brasil | E assim nasce um Rei (e uma equipa)

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Dois dos mais tradicionais e icónicos ‘países do futebol’ voltaram a defrontar-se quase sete anos depois. Foi o 27.º encontro entre Inglaterra e Brasil. O histórico de confrontos dava vantagem ao Brasil (11 vitórias contra quatro), mas o momento atravessado pelas duas seleções atribuía, por si só, um ligeiro favoritismo à seleção dos Três Leões.

A Inglaterra partia para este encontro com outra bagagem (terceiro lugar no ranking e 10 jogos consecutivos sem perder) e perfeitamente identificada com as ideias do seu treinador (91.º jogo com Gareth Southgate no comando técnico) enquanto o Brasil passa, atualmente, por um período de transição.

Aliás, este duelo marcou a estreia de Dorival Júnior como selecionador brasileiro, depois da saída de Tite e a curta passagem de Fernando Diniz. E a verdade é que o ex-técnico do São Paulo não podia ter pedido uma melhor estreia – vitória por 1-0, em Wembley, num jogo que contou com muitos aspetos positivos do lado da seleção canarinha e a estreia de Wendell, lateral do FC Porto.

A partida começou a todo o gás e em apenas 18 minutos ambas as equipas já tinham tido claras oportunidades de golo. O nulo foi subsistindo e provando-nos que um 0-0 também pode ser um bom jogo de futebol. Entretenimento não faltou, desde lances caricatos, grandes pormenores técnicos (festival de Paquetá), bolas no poste e até uma saída por lesão – Kyle Walker.

O Brasil entrou mais forte, com várias recuperações de bola por parte dos médios (Bruno Guimarães, João Gomes e Paquetá complementam-se muito bem e provaram hoje que não é por acaso que têm sido três dos melhores médios desta edição da Premier League) e constante exploração dos três homens da frente.

Sem ponta de lança fixo, Dorival apostou num ataque extremamente rápido e dotado tecnicamente. Neymar está fora por lesão sem perspectivas de regressar num futuro próximo, mas os brasileiros podem contar com outros três ‘diabos’ para infernizar a vida às defesas adversárias. Vinícius Júnior, Rodrygo e Raphinha combinaram bem, mas falharam no momento da finalização.

Do lado inglês, houve um pequeno período em que os comandados de Southgate tomaram as rédeas do encontro, mas faltou arte e engenho para ferir um Brasil com uma defesa longe do nível individual de outros tempos. Bellingham e Foden, as duas maiores estrelas do futebol inglês, atualmente, não tiveram o protagonismo que as suas qualidades merecem.

Mas saltamos para o minuto 71 (até porque a segunda parte teve pouquíssimos momentos de interesse), altura em que o novo prodígio do futebol brasileiro entrou em campo, no mítico Wembley.  Com o número 21 nas costas, Endrick, na primeira vez que pisou o maior estádio do Reino Unido, foi decisivo para a vitória do Brasil perante os ingleses. Após um grande passe (de ‘olhos fechados’) protagonizado por Andreas Pereira e novo desperdício de Vinícius Júnior, o jovem avançado de 17 anos aproveitou o ressalto e atirou a contar. Pelé estreou-se a marcar com 16 anos, Neymar com 18 e agora Endrick com 17. O Brasil é um viveiro de talentos e o futuro avançado do Real Madrid parece vir a ser a próxima esperança de um povo que respira futebol.

No último lance do jogo, Endrick esteve muito perto de voltar a marcar. O remate saiu contra Pickford, que assim evitou o segundo golo da seleção canarinha. No entanto, a estreia gloriosa a marcar de Endrick Felipe Moreira de Sousa já ninguém conseguirá apagar.

Do ponto de vista geral, as indicações dadas pela ‘nova’ seleção brasileira são muito positivas. O Brasil aguentou-se muito bem defensivamente, pareceu sempre confortável no jogo e mostrou inúmeros argumentos para ferir as defesas contrárias. Passem os anos que passarem, o Brasil terá sempre uma fornada incrível de jogadores para aproveitar.

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