Na semana passada, assistiu-se a mais um feito histórico no futebol português. A selecção nacional de sub-15 conquistou o Torneio da CONCACAF realizado em Miami nos Estados Unidos da América. Mas antes de fazer um balanço final desta prova, é preciso que eu explique todos os pormenores que envolveram a participação da equipa das quinas na competição.

O Torneio CONCACAF é uma competição disputada por todas as selecções situadas na América do Norte, América Central e nas Caraíbas. O torneio é dividido em três divisões, sendo que no qual, a selecção portuguesa participou na competição na categoria de país convidado, tal como as selecções da Eslovénia e do Israel.

A primeira divisão do torneio é composta por 16 selecções divididas em quatro grupos, nos quais os dois primeiros classificados se apuram para a fase a eliminar até se definir um vencedor. O Grupo A era constituído por México, Israel, Panamá e Curação; o grupo B era composto por EUA, Haiti, Guatemala e Suriname; o grupo C era constituído pela Eslovénia, Canadá, Guadalupe e El Salvador; e o grupo D tinha as selecções de Portugal, Costa Rica, Barbados e Trinidad & Tobago.

Passando para a equipa que viria a representar o nosso país na Florida, o seleccionador Joaquim Milheiro convocou 18 jogadores para a competição. Sendo o Sporting CP a equipa bicampeã nacional no escalão de sub-15, foi naturalmente o clube mais representado na selecção com sete jogadores: Diogo Pinto, Francisco Silva, Tiago Otávio, David Monteiro, Lucas Anjos, Dário Essugo e Youssef Chermiti. Seguiu-se o FC Porto com quatro jogadores (António Ribeiro, Gabriel Costa, Marco Cruz e Gonçalo Esteves); e o Benfica com três (André Gomes, Diogo Prioste e Ricardo Nóbraga). A selecção contou ainda com João Faria do SC Braga, Herculano Nabian do Vitória SC e com os emigrantes Diego Moreira do Standard Liège e Diogo Monteiro do Servette.

Seis jogadores portugueses integraram o onze ideal da prova
Fonte: Concacaf

A equipa orientada por Joaquim Milheiro entrou na competição com o pé direito ao derrotar a selecção dos Barbados por 6-0. No segundo jogo, a equipa das quinas não foi além de um empate a duas bolas contra a Costa Rica, naquele que foi o único jogo em que a equipa sofreu golos. Para confirmar o primeiro lugar do grupo, a selecção derrotou o Trinidad & Tobago por 3-0.

Nos quartos-de-final, a equipa goleou a selecção do Haiti por 7-0, chegando assim às meias-finais do torneio, onde a competição iria atingir um nível mais elevado. Naquele que seria até então o desafio mais exigente na competição, a equipa das quinas defrontaria a selecção dos EUA, que ainda não tinha sofrido qualquer golo na competição. Contra a equipa anfitriã, a nossa selecção realizou uma segunda parte notável na qual marcou os três golos que carimbaram o apuramento à final por intermédio de Herculano Nabian, Ricardo Nóbrega e Lucas Anjos.

Seguiu-se a final contra outra das selecções convidadas, a Eslovénia, a equipa das quinas selou esta caminhada com um triunfo por 2-0 com golos do capitão de equipa Diogo Prioste e do defesa Francisco Silva. Para além da conquista do Torneio, o onze ideal da competição contou com seis jogadores portugueses: André Gomes, Gabriel Costa, Francisco Silva, Diogo Prioste, Ricardo Nóbrega e Herculano Nabian.

No entanto, para além da conquista em si, este torneio também é particularmente importante para a equipa por outros motivos. O escalão de sub-15 é o primeiro escalão onde existe uma competição a nível nacional entre clubes, o que significa que quando houve o primeiro estágio na última época neste escalão, muitos destes jogadores não se conheciam. Só se conheciam aqueles que eram colegas de equipa no mesmo clube, ou os que já tinham sido adversários nas competições distritais (Benfica vs Sporting, SC Braga vs Vitória SC, etc.). Alguns destes jogadores marcaram presença neste mesma selecção no Torneio das Nações realizado na Áustria, bem como no Torneio Lopes da Silva, que é o maior torneio inter-associações a nível nacional.

Tudo isto faz com que esta competição seja fundamental para que estes jogadores aprendam e se habituem a conviver em grupo. Isto, num país diferente, com outro clima e outro fuso horário. E com certeza que esta convivência diária será muito importante para o futuro destes jovens atletas.

Foto de Capa: Concacaf

artigo revisto por: Ana Ferreira

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