A CRÓNICA: POSSE DE BOLA NÃO PODE SER TUDO PARA A SELEÇÃO ESPANHOLA

A última partida do dia oferecia-nos um Espanha – Polónia, jogo da segunda jornada do Grupo E, disputado em Sevilha, no Olímpico de la Cartuja. Em 10 encontros entre as duas seleções, a Espanha levava a melhor com oito triunfos e apenas uma derrota.

Ambas as equipas começaram mal o Campeonato da Europa, a Espanha não foi além de um empate com a Suécia (0-0), enquanto a Polónia foi derrotada pela seleção eslovaca (1-2).

A Espanha começou por cima no jogo, a encostar a Polónia atrás, através de várias investidas pelas alas. O lado direito foi o mais explorado, com Gerard Moreno e Marcos Llorente muito ligados ao ataque.

Aos 25 minutos, jogada na direita de Gerard Moreno, que puxa para dentro e de pé esquerdo cruzava para Álvaro Morata encostar para dentro das redes de Szczesny. O árbitro italiano Daniele Orsato ainda foi confirmar no vídeo-árbitro, mas estava desfeita a igualdade. Morata marcava o seu 4.º golo em Campeonatos da Europa, o seu primeiro nesta edição.

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Aos 33 minutos, Dani Olmo numa incursão rápida pelo meio, acaba por ser travado em falta pelo central Glik, mesmo à entrada da área polaca. Gerard Moreno assumiu o livre frontal e por muito pouco que não era o segundo, com a bola a passar ligeiramente ao lado do poste esquerdo.

A resposta da Polónia era dada de imediato, passados dois minutos. Lewandowski cruzava na direita e Swiderski aparecia na pequena área, atirando um pouco por cima do guardião Unai Simón. Era o momento mais perigoso da Polónia.

A fechar a primeira parte, aos 42 minutos, Karol Swiderski aproveitava o espaço aberto pela defesa da Espanha e atirava de longe, com a bola a embater com estrondo no poste esquerdo de Simón. Na recarga, Lewandowski não conseguia aproveitar, com um remate defensável para Simón afastar para canto. Moreno ainda teve uma boa oportunidade para finalizar uma jogada proveniente do flanco esquerdo, mas desviou às malhas laterais.

Uma primeira parte com domínio da Espanha até ao momento do golo de Morata. Depois disso, a Polónia respondeu e até teve duas ou trÊs oportunidades flagrantes que não conseguiu concretizar.

Aos 54 minutos, Robert Lewandowski empatava a partida, ao conseguir superiorizar-se a Laporte, com um grande cabeceamento. O cruzamento foi feito na direita, por intermédio de Kamil Jozwiak, e levava as medidas corretas para o avançado do Bayern finalizar na perfeição e empatar a partida.

Aos 56 minutos, Moder pisava Gerard Moreno e era assinalada grande penalidade. O próprio Moreno assumiu a conversão do penálti e atirou ao poste. Esta falha dos espanhóis animou os polacos e causava muito nervosismo para a “La Roja”.

Os comandados de Luís Enrique bem tentavam, mas não estava fácil ultrapassar a muralha defensiva da Polónia. Glik comandava as operações na defesa. Com 73 minutos decorridos, Llorente cruza na direita para a cabeça de Ferrán Torres, mas este a atirar ao lado. O avançado de 21 anos do Manchester City tinha espaço para fazer melhor. A seis minutos do fim, confusão na área polaca, após um cruzamento de Jordi Alba, o guardião da Polónia a conseguir fazer a mancha ao remate de Morata, com a bola a sobrar para Ferrán Torres que atirava por cima.

A Espanha conseguia construir jogo, mas o último passe raramente era bom. A defesa da Polónia esteve sempre muito sólida e tinha de haver mais engenho no último terço do terreno por parte dos espanhóis. Saía do banco Oyarzabal, para o lugar de Morata, quando faltavam apenas quatro minutos para o fim. Era a última tentativa de Luís Enrique, de refrescar as unidades no ataque.

Até ao apito final, a Espanha tentava bombear a bola para a área polaca, mas sempre com pouco critério. Era mais coração e menos cabeça. Os polacos tiveram sempre firmes na defesa e apostaram num jogo direto que acabou por resultar. Se tivessem sido mais eficazes, até poderiam ter vencido a partida. Os 70% de posse de bola dos espanhóis não se revelaram em golos e, parece mesmo, que faltam ideias na frente de ataque. Morata acabou por calar alguns críticos com um golo, mas pouco mais conseguiu fazer. Moreno até esteve bem na primeira parte, mas na segunda metade caiu de rendimento. Do banco não saíram ideias novas.

Este ponto fica a saber a pouco para a Espanha, mas é importante para as aspirações dos polacos. A seleção espanhola continua a desiludir e a revelar vários problemas no último terço do terreno, com várias falhas na finalização e no último passe.

A FIGURA

Robert Lewandowski – O comandante das operações acabou por marcar o golo do empate e ajudou a criar os lances mais perigosos da Polónia. Correu e ajudou muito no processo defensivo, notando-se que queria fazer mais. O ponto conquistado permite manter as esperanças de passagem à próxima fase.

O FORA DE JOGO

Dani Olmo – Esteve muito aquém do expectável. Fez algumas incursões pela esquerda na primeira parte, mas faltou a sua magia nos pés. Foi o primeiro a sair da seleção espanhola, para dar lugar a Ferrán Torres, aos 61 minutos.

 

ANÁLISE TÁTICA – ESPANHA

A seleção espanhola alinhou num 4-3-3. Relativamente ao último jogo, Luís Enrique proporcionava a saída de Ferrán Torres para a entrada de Gerard Moreno no onze. A dupla de ataque parecia que ia resultar na primeira parte, mas depressa se percebeu que faltavam ideias. Um jogo marcado pelos 70% de posse de bola, que não se traduziram em nada. Muitos passes, pouca eficácia.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Unai Simón (6)

Marcos Llorente (7)

Pau Torres (6)

Aymeric Laporte (6)

Jordi Alba(C) (7)

Rodri Hernández (6)

Koke (6)

Pedri González (6)

Gerard Moreno (6)

Álvaro Morata (6)

Dani Olmo (5)

 SUBS UTILIZADOS

Ferrán Torres (5)

Fabián Ruiz (5)

Pablo Sarabia (-)

Mikel Oyarzabal (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – POLÓNIA

A disposição tática da Polónia foi assente num 3-4-2-1, com Lewandowski a ser o homem-alvo na frente. Paulo Sousa apresentou algumas alterações, com três saídas, Rybus, Krychowiak (expulso no jogo anteriore) e Linetty não constaram no onze inicial, para as entradas de Swiderski, Puchacz e Jakub Moder.

Karol Swiderski foi dos mais inconformados, e teve as melhores chances de golo na primeira parte para a equipa polaca. A equipa teve sempre as suas linhas muito unidas e compactas, apostando no pragmatismo e num estilo de jogo com passes diretos.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Wojciech Szczesny (6)

Bartosz Bereszynski (6)

Kamil Glik (6)

Jan Bednarek (6)

Kamil Jozwiak (6)

Mateusz Klich (5)

Jakub Moder (6)

Tymoteusz Puchacz (6)

Karol Swiderski (6)

(C) Robert Lewandowski (7)

Piotr Zielinski (6)

SUBS UTILIZADOS

Kacper Kozlowski (5)

Przemyslaw Frankowski (5)

Pawel Dawidowicz (-)

Karol Linetty (-)

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