A CRÓNICA: SEGUNDA PARTE DA POLÓNIA NÃO FOI SUFICIENTE  

Dia de decisões no grupo E do Euro 2020. Num grupo onde o desfecho, em termos classificativos, era de todo imprevisível, a Suécia, que entrou em São Petersburgo como primeira classificada e com a presença na próxima fase garantida, media forças com a Polónia de Paulo Sousa, uma seleção que somava, até então, apenas um ponto, fruto do empate a uma bola diante da Espanha.

Os polacos, que pisaram em solo russo cientes de que necessitariam de um triunfo para garantir um lugar nos oitavos, não poderiam ter começado o jogo de pior forma. Ainda se estariam a sentar os espetadores mais atrasados e já Emil Forsberg, na sequência de um lance algo confuso perto da área adversária, inaugurava o marcador. Com um remate de pé esquerdo, o camisola dez sueco não deu hipóteses a Szczesny, dificultando ainda mais a tarefa à turma de Paulo Sousa.

Esperava-se, portanto, uma resposta forte por parte dos polacos no que restava da primeira metade. Todavia, tal acabou por não se verificar, não obstante os níveis consideravelmente elevados de posse de bola que a turma de Paulo Sousa ia apresentando. Os pontos fora da curva, durante os primeiros quarenta e cinco minutos, seriam a dupla cabeçada à barra de Lewandowski juntamente com o remate de fora de área de Zielinski, já perto do intervalo.  

Nos segundos quarenta e cinco minutos, não só a atitude polaca veio renovada, mas sim toda a dinâmica do encontro. O que, até ao intervalo, era um jogo muito morno e sem grandes ocasiões de perigo transformou-se num desafio bem mais movimentado; tal transformação traria, inclusivamente, resultados práticos em termos de resultado.

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Primeiramente, numa saída rápida encabeçada pelo recém-entrado Kulusevski, a Suécia dilatou a vantagem para 2-0, uma vez mais através de um golo da autoria de Forsberg. Do outro lado, respondeu o suspeito do costume: Lewandowski. Por volta da hora de jogo, a estrela polaca, em grande estilo, diga-se, diminuiu para 2-1; pouco mais de vinte minutos mais tarde, novamente o número nove fez o gosto ao pé, deixando a sua seleção a apenas um golo da qualificação.

Todavia, o futebol consegue, por vezes, ser verdadeiramente duro. Num momento onde a equipa polaca estava completamente balanceada para o ataque, acaba por ser a Suécia a fazer o terceiro golo por intermédio de Viktor Claesson. Foi, portanto, a machadada final nas aspirações da equipa de Paulo Sousa, que é, assim, eliminada numa fase precoce da competição. Quanto aos nórdicos, com este triunfo garantem o primeiro lugar do grupo E, dois pontos à frente da seleção espanhola.

 

A FIGURA

Robert Lewandowski – Certamente, o goleador polaco trocaria uma notável exibição individual por um triunfo da sua seleção. No entanto, como tal não é possível, resta sublinhar aquela que foi a preponderância de Lewandowski no jogo de hoje: dois golos, um deles de belo efeito, e uma participação ativa nos melhores momentos da Polónia, ofensivamente. Tivessem um daqueles cabeceamentos à barra entrado…

O FORA DE JOGO

Primeira parte da Polónia – A seleção comandada por Paulo Sousa vê a Suécia adiantar-se aos dois minutos no marcador, contudo é incapaz de responder de forma efetiva durante todo o primeiro tempo. Muito desacerto coletivo, pouquíssimo discernimento no último terço e apenas dois lances de perigo junto às redes de Olson. É caso para dizer que a Polónia “deu” a primeira parte de avanço à Suécia.

 

ANÁLISE TÁTICA – SUÉCIA

Do lado da seleção nórdica, a opção tomada pelo selecionador Jan Andersson foi a de manter o sistema tático que havia sido apresentado nos primeiros dois jogos do Euro 2020. A única alteração, face à vitória perante a Eslováquia, residiu na entrada de Quaison para a dupla da frente, por troca de Marcus Berg.

Assim, a Suécia dispôs-se em campo em 4-4-2, procurando manter a sua equipa organizada sem bola e impedir aproximações perigosas da Polónia à baliza defendida por Olson.

Ofensivamente, a inclusão de Kulusevski, no início da segunda parte, concedeu aos suecos uma outra capacidade de explorar as transições rápidas e de ferir o adversário. Todavia, posteriormente, as saídas de jogadores como Isak ou Forsberg acabariam por anular esse efeito, “empurrando” a turma sueca, nos últimos 15/20 minutos do jogo, para uma posição mais baixa no terreno.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Robin Olson (7)

Mikael Lustig (6)

Victor Lindelöf (6)

Marcus Danielson (6)

Ludwig Augustinsson (6)

Sebastian Larsson (6)

Kristoffer Olson (6)

Albin Ekdal (6)

Emil Forsberg (8)

Robin Quaison (5)

Alexander Isak (7)

SUBS UTILIZADOS

Dejan Kulusevski (7)

Marcus Berg (5)

Emil Krafth (6)

Viktor Claesson (7)

 

ANÁLISE TÁTICA – POLÓNIA

Comparativamente ao duelo com a seleção espanhola, Paulo Sousa optou por efetuar apenas uma alteração na sua equipa, com Jakub Moder a dar lugar a Krychowiak, retornado de castigo. Em termos de desenho tático, o técnico português voltou a basear a sua estratégia num 3-4-2-1, onde a estrela da companhia, Robert Lewandowski, recebia apoio da dupla Zielinski-Swiderski.

Durante os primeiros quarenta e cinco minutos, notou-se uma Polónia “sem ideias”, com pouco discernimento, incapaz de criar perigo através de transições rápidas ou em jogo organizado, permitindo que a Suécia se sentisse relativamente confortável.

No segundo tempo, uma postura completamente diferente. A entrada de Frankowski e uma maior intervenção no jogo de Zielinski vieram trazer uma maior dinâmica ao ataque polaco, deixando claramente a ideia de que, caso adotasse esta postura desde o apito inicial, podia ter saído de São Petersburgo com um passaporte para os oitavos de final em mãos.

 11 INICIAL E PONTUAÇÕES 

Wojciech Szczesny (5)

Bartosz Bereszynski (6)

Kamil Glik (6)

Jan Bednarek (6)

Kamil Jozwiak (5)

Grzegorz Krychowiak (6)

Mateusz Klich (6)

Tymoteusz Puchacz (5)

Karol Swiderski (6)

Piotr Zielinski (7)

Robert Lewandowski (8)

SUBS UTILIZADOS

Przemyslaw Frankowski (7)

Jakub Swierczok (6)

Kacper Kozlowski (6)

Przemyslaw Placheta (6)

Artigo revisto por Joana Mendes

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