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O RESCALDO

Argélia e Alemanha entraram para este encontro com ambições antagónicas. Enquanto os africanos tentavam manter vivo o sonho de chegar aos Quartos-de-Final para continuar a superar os argelinos, os germânicos tentavam não desiludir o povo alemão, cumprindo aquilo que era esperado à partida para este jogo: vencê-lo. O favoritismo pendia, à priori, para a selecção do velho continente. A superioridade táctica e técnica, assim como a experiência, iriam entrar em confronto com a atitude, crença e raça argelinas. Mas a distância existente entre a qualidade das duas formações dissipou-se com os minutos iniciais. A Argélia entrou sem medo, pressionante e destemida, criando algumas oportunidades de golo. Porém, a Alemanha, que pareceu surpreendida com a forte entrada dos argelinos, não se soube encontrar e permitiu que se abrissem espaços na sua defesa que por pouco não acabaram dentro da baliza.

Até à meia hora de jogo, a Argélia esteve por cima e até chegou a marcar um golo através de um excelente cabeceamento de Slimani, jogador do Sporting, ao minuto 14, mas o lance foi bem anulado por posição irregular do avançado argelino. Esta ocasião animou os argelinos e fê-los acreditar em que era possível discutir este jogo olhos nos olhos com os germânicos. A equipa alemã foi tentando responder mas foi a selecção africana que esteve sempre mais perto do golo, através de ataques rápidos e boa circulação da bola. Neuer defendeu categoricamente a baliza dos alemães, evitando o golo por diversas ocasiões, tendo reagido como um autêntico defesa em duas situações em que se viu obrigado a sair da grande área para interromper o ataque argelino.

A selecção germânica começou a organizar-se e os restantes 15 minutos da primeira metade do encontro foram dominados pelos alemães, que estiveram perto do golo por diversas ocasiões. A falta de eficácia e Mbolhi foram os responsáveis por o nulo se ter mantido até ao final dos primeiros 45 minutos.

O intervalo chegou e a imagem que ficou da primeira parte foi a de que a Argélia estava em campo para discutir o resultado e pôr a Alemanha em sentido. Foram 45 minutos muito bem disputados. Um futebol muito bem praticado de parte a parte, fazendo qualquer adepto desta modalidade ficar colado ao ecrã à espera de mais 45.

As duas formações estiveram em pé de igualdade ao longo de toda a partida. Fonte: FIFA
As duas formações estiveram em pé de igualdade ao longo de toda a partida.
Fonte: FIFA

Na entrada para o segundo tempo, Joachim Löw mexeu na equipa da Alemanha e fez entrar Schürrle para o lugar de Götze. Do outro lado, a selecção da Argélia entrava em campo com o mesmo onze que tinha ido para os balneários. Os germânicos entraram mais fortes e estiveram perto de abrir o marcador, com destaque para um remate de meia distância de Lahm, aos 55 minutos, que só não entrou porque Mbolhi fez a melhor defesa da noite, desviando a bola para canto. A Argélia aguentou-se e respondeu muito bem, não baixando os braços em nenhum momento e mantendo sempre o rigor táctico e a raça que fizeram com que a Alemanha se apercebesse de que esta eliminatória seria um osso duro de roer. Cada vez que havia um lance numa baliza havia uma resposta do outro lado. Um jogo intenso, sem momentos mortos e muito bem disputado em todas as zonas do terreno, com lances que faziam as delícias de quem assistia ao encontro. Os minutos finais da segunda parte, assim como os da primeira, voltaram a pertencer ao alemães, que foram crescendo com o tempo, mas a raça e o querer dos jogadores argelinos levaram o jogo para prolongamento. O sonho da formação africana parecia possível e esteve perto de acontecer, mas a experiência dos alemães não permitiu que assim fosse.

Havia 30 minutos pela frente que, tendo em conta os 90 anteriores, se adivinhavam frenéticos. Ninguém se arriscaria a prever quem iria sair vencedor. Mas a Alemanha acordou e logo após o início do prolongamento, aos 92 minutos, fez o primeiro golo. Um bom lance do ataque germânico acabou nos pés de Scürrle, que rematou de forma atrapalhada, de calcanhar, para o fundo da baliza defendida por Mbolhi.

A selecção argelina tinha 28 minutos para dar a volta a esta situação. A qualidade do futebol apresentado pelas duas equipas continuou a existir e fez com que a Alemanha não se conformasse com o 1-0 e fosse à procura do golo da tranquilidade. Com o passar do tempo, o jogo foi ficando mais partido, com lances de contra-ataque constantes. Foi já no fim do encontro, aos 119 minutos, que Özil, numa dessas jogadas de contra-ataque, acabou com as dúvidas e ampliou o resultado para 2-0. Os restantes dois minutos de jogo – os de compensação – serviram para repor alguma justiça no marcador e para que a Argélia fizesse o golo de honra aos 121 minutos, através de Djabou, que finalizou da melhor maneira um cruzamento vindo da direita do ataque argelino.

Fica para história um belo jogo de futebol, com duas equipas muito bem organizadas e merecedoras de um lugar nos Quartos-de-Final. Uma Argélia que lutou até ao fim e que nunca desistiu perante o gigante germânico, que não se deixou quebrar apesar da surpreendente força com que a selecção argelina abordou este confronto. A Alemanha segue em frente e terá de enfrentar uma poderosa França nos Quartos-de-Final. Quem diria, à entrada para este encontro, que este seria o melhor jogo destes oitavos-de-final até à data? Eu não, admito.

A Figura:

Schürrle – o jogador do Chelsea entrou muito bem em campo, dando mais profundidade e dinâmica ao futebol germânico. Foi Schürrle quem desfez o nulo do marcador e permitiu à Alemanha respirar fundo e abordar o prolongamento com mais calma e segurança, sem ter de correr atrás do prejuízo.

O Fora-de-Jogo:

Brahimi – pedia-se mais ao jogador argelino que entrou nos minutos finais da segunda parte. Um jogador com tanta técnica como Brahimi podia ser o elemento que faria a balança pender para o lado argelino. Mas não só não o foi como não trouxe nada de positivo à selecção argelina.

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