logo mundial bnr

Clique para ver os golos.
Clique para ver as estatísticas.

O RESCALDO

Impossível voltar a fazer um rescaldo sobre esta equipa da Argentina sem descarregar as minhas frustrações em Alejandro Sabella, tal como fiz no meu último artigo. Está à vista de todos e já não existem comentários possíveis para tanto analfabetismo tático. Tanta qualidade e matéria-prima desperdiçadas por um homem que simplesmente não sabe ler um encontro de futebol. Sem querer falar da ausência de Enzo Pérez das opções, pergunto como é que este iluminado técnico pretende fazer movimentar um meio-campo com Gago ao lado de Mascherano? Ninguém sabe. Depois do 5-3-2 (ou 3-5-2), do 4-4-2, a Argentina, hoje, pareceu mais apresentar-se num 4-2-4, em que era Di María o único capaz de pegar na bola e levá-la até Messi. É completamente frustrante vermos todos os grandes jogadores que a Argentina tem à sua disposição e percebermos que tudo aquilo daria para mais. Sim, os argentinos seguem para os oitavos com o pleno de vitórias. Mas nada altera o meu pensamento: esta Argentina produziria muito mais, se tivesse outro treinador.

Sem saber ler nem escrever, Sabella pode até ser campeão do mundo, mas tudo se deve ao vastíssimo leque de opções de qualidade que tem à sua disposição. O quarteto da frente composto por Di María, Messi, Agüero e Higuaín (ou Lavezzi) é que será responsável por toda a sorte da Argentina no Mundial. Se Sabella não insistir em fazer disparates como estes últimos, quem sabe, até poderemos estar a olhar para o futuro campeão do mundo. Um ataque de sonho que tem em Messi o seu expoente máximo de criatividade e de capacidade de decisão. Uma das (poucas) boas opções de Sabella durante este Mundial foi colocar o craque do Barcelona solto atrás dos avançados. Os dois golos (3′ e 46′) marcados pelo argentino exemplificam bem aquilo que se esperava: Messi está de volta à melhor forma. Não tenho dúvidas em afirmar que se arrisca a ser a grande figura deste Mundial, caso a Argentina chegue longe na fase a eliminar. Para que tal aconteça, basta que a Argentina mantenha a sua forte aposta nas transições rápidas e fé para que Messi e Di María estejam em dia de inspiração. Ao contrário de muita gente, não vejo a defesa como um ponto fraco, muito embora esteja longe de ser o maior dos apreciadores de Federico Fernández e de Rojo no lado esquerdo – ele que hoje até marcou o golo do triunfo aos 50 minutos. Quem tem Garay, Zabaleta e um trinco como Mascherano a apoiar todos os processos defensivos, arrisca-se a ser eficaz. E é assim que tem sido para os comandados de Sabella.

Quem tem Messi arrisca-se a ser campeão do mundo Fonte: FIFA
Quem tem Messi arrisca-se a ser campeão do mundo
Fonte: FIFA

Por outro lado, a Nigéria hoje comprovou aquilo que já tinha vindo a observar: depois de um início comprometedor frente ao Irão, recompôs-se e está agora na luta por uma campanha histórica neste Mundial. Há muita qualidade nos nigerianos. Desde o guarda-redes Enyeama, aos laterais Omeruo e Oshaniwa, que conferem alguma dinâmica ofensiva à equipa, passando pelo craque da equipa, John Obi Mikel, e acabando numa tripla ofensiva que tem em Musa a sua principal referência desequilibradora. Se não existisse Messi, hoje estaria tudo a falar neste extremo muitíssimo rápido do CSKA, que tantos problemas deu aos defesas argentinos. Fantástica atuação deste jogador que tem as portas abertas do Mundial para continuar a espalhar talento nos jogos que vai disputando.

Sobre a partida em si, vitória natural da Argentina, que se fez novamente valer das individualidades para vencer o encontro. A Nigéria tem algumas debilidades a nível defensivo e nunca teve grandes argumentos para travar o ímpeto atacante dos argentinos. Foi provavelmente este o grande motivo para que neste encontro tenha havido um vencedor e um vencido. Ainda assim, tanto uma equipa como a outra, fizeram por merecer o apuramento para a fase seguinte da competição.

A Figura:

Lionel Messi volta a ser decisivo. Dois golos (já vão 4 na competição) e muita confiança adquirida. Está mais do que pronto para ser ele a comandar a equipa Alvi Celeste ao título de campeã do mundo.

O Fora-de-Jogo:

Podia ser Sabella, mas como não quero continuar a bater na mesma tecla, opto por Fernando Gago. Não acrescenta rigorosamente nada ao meio-campo argentino e está num baixíssimo estado de forma. Muito lento e pesado, bem diferente do jogador que foi noutros tempos.

Comentários