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O RESCALDO

O futebol é impressionante! Entusiasmem-se os aficionados pelo futebol espetáculo e imprevisibilidade total. Hoje, nem o mais louco dos adeptos poderia esperar um desfecho assim. Uma vitória implacável, sem dó nem piedade dos alemães, perante um Brasil que buscava o sonho de ser campeão mundial no seu próprio estádio. Uma vitória inexplicável, que valeu “olés” dos próprios brasileiros, e que contou um cheirinho de tiki-taka do novo “alemão” Pep Guardiola. Sete tiros certeiros e um Brasil moribundo, que não perdia por uma diferença de 6 golos há 94 anos!

Na abordagem ao encontro, Scolari apostou em Dante e Bernard para colmatar as ausências de Thiago Silva e do azarado Neymar. Joachim Löw escolheu Toni Kroos, Khedira e Schweinsteiger para limpar o meio-campo brasileiro composto por Luís Gustavo e Fernandinho.

O primeiro murro no estômago dos brasileiros foi logo aos 11 minutos, com Thomas Muller, após a marcação de um canto, a aparecer sozinho ao segundo poste e a finalizar com um remate (!) rasteiro e sem hipóteses de defesa para Júlio César.

Com um estilo de jogo muito direto, sem ninguém para pegar na equipa e com dois extremos (Hulk e Bernard) que raramente auxiliavam os dois laterais nas tarefas defensivas, não houve como combater o domínio germânico. Uma Alemanha muito pressionante, que não dava espaços aos brasileiros e que rapidamente criava perigo no último terço do terreno. David Luiz e Dante estiveram desastrosos e Luís Gustavo e Fernandinho não conseguiram suster a pressão do meio-campo opositor. A equipa brasileira não se encontrava em campo e os alemães rapidamente abateram as esperanças de um povo que sonhava com uma presença na final – 1… 2… 3… 4 golos em 7 minutos e o Brasil estava de rastos. Aos 28 minutos, o impensável acontecia no Mineirão: os pupilos de Luís Felipe Scolari perdiam por 5-0!

Toni Kroos, com 2 golos, foi um dos responsáveis pelo massacre alemão Fonte: FIFA
Toni Kroos, com 2 golos, foi um dos responsáveis pelo massacre alemão
Fonte: FIFA

Até ao intervalo, o sofrimento brasileiro prolongou-se e ninguém conseguia acreditar no que estava a acontecer. Sem muito para refletir, Scolari, durante o descanso, só podia tentar minimizar alguns estragos e evitar o que já muitos anteviam: o pior resultado de sempre de uma equipa nas meias-finais de um Mundial de futebol. Assim, saíram de campo Fernandinho e Hulk e entraram Ramires e Paulinho. As melhorias foram ligeiras, mas serviram para atenuar o domínio alemão após o intervalo. Até que aos 58’, Low retirou de campo o consagrado Klose – que se tornou no melhor marcador de sempre em fases finais, superando Ronaldo (outra desilusão para os brasileiros) – e colocou o avançando móvel Schurrle. Diante uma dupla de centrais completamente apática e sem reacção, não surpreendeu que as transições alemãs se tornassem ainda mais mortíferas. Completamente letal, o avançado do Chelsea foi a tempo de marcar mais 2 golos (69’ e 78’) e aumentar ainda mais a tristeza e estupefação dos jogadores e adeptos brasileiros. Até final, o máximo que os moribundos jogadores brasileiros conseguiram fazer foi marcar um golo pelo apagadíssimo Oscar.

Fim de contas, a Alemanha, mais do que ter vencido, humilhou o anfitrião Brasil por 7-1 e seguiu para a final do Mundial’2014. Como previa desde o início, os germânicos são os maiores favoritos à conquista da final e faço já a minha aposta em como nem a Holanda, nem a Argentina terão grandes argumentos para superar esta fortíssima equipa alemã. O Brasil, por sua vez, sai devastado e com muitas lacunas por corrigir. Desde logo, Scolari. A motivação não é tudo e hoje a imagem de Scolari fica demasiado frágil e ligada a uma das maiores humilhações do futebol mundial.

A Figura:

Impossível escolher um jogador alemão. A catástrofe brasileira contrastou com a fantástica exibição coletiva dos alemães. Um verdadeiro banho de bola, com cheirinho a tiki-taka de Guardiola.

O Fora-de-Jogo:

Luís Felipe Scolari é, obviamente, o principal responsável pelo descalabro. Opções duvidosas, incapacidade para colmatar as ausências de Neymar e Thiago Silva e descredibilização total do futebol brasileiro. O fim de uma era.

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