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O RESCALDO

Na última jornada do Grupo C estava praticamente tudo por decidir. A selecção colombiana já tinha a passagem para os oitavos-de-final garantida, mas ainda tinha de confirmar a sua posição: se primeiro ou segundo lugar. As restantes três equipas tinham tudo em aberto, embora o Japão tivesse a tarefa mais complicada, pois era a única selecção que não dependia de si mesma para seguir em frente.

Foi neste contexto que Japão e Colômbia se defrontaram no Arena Pantanal, em Cuiabá. Los Cafeteros entraram com um onze muito alterado (oito mudanças), enquanto que o Japão apostou no seu melhor onze para atacar uma difícil partida. O jogo começou com um domínio da Colômbia, que durante os primeiros cinco minutos procurou abrir espaços na defesa nipónica, mas esta manteve-se sólida e não quebrou. Passada a pressão inicial por parte dos sul-americanos, o Japão começou a ficar por cima do encontro, tendo criado perigo em algumas ocasiões. E é precisamente por este crescente domínio asiático que se pode dizer que o golo de Cuadrado, na conversão de uma grande penalidade bem assinalada por Pedro Proença ao minuto 17, veio um pouco contra a corrente do jogo. Um pontapé fortíssimo para o meio da baliza que abria o marcador e punha a Colômbia bem posicionada para alcançar o primeiro lugar do grupo – marca que seria conseguida apenas com um empate.

O Japão teve de reagir e fê-lo da melhor forma. Apresentou um futebol ofensivo e rápido, explorando sobretudo o corredor direito do ataque e chegando por diversas vezes a zonas de finalização. Foi, aliás, através de um ataque pelo franco direito que os nipónicos, mesmo em cima do intervalo, chegaram à igualdade, repondo alguma justiça no marcador. Uma bela jogada de Honda que acabou num cruzamento milimétrico para a cabeça de Okazaki, que não vacilou e colocou a bola nas redes colombianas.

Na segunda parte, a parceria James-Jackson resultou em três golos  Fonte: Getty Images
Na segunda parte, a parceria James-Jackson resultou em três golos
Fonte: Getty Images

A segunda parte foi algo diferente. E isso deveu-se, em grande parte, a um dos dois jogadores que Pékerman decidiu lançar no regresso do descanso: James Rodríguez. As duas equipas entraram com vontade de tornar o resultado mais favorável. Mas foi a Colômbia, através do inspiradíssimo jogador do Mónaco, que começou a fazer das suas bem cedo, dando mais dinâmica aos ataques dos cafeteros.

Aos 55 minutos o futebol ofensivo dos sul-americanos acabou em golo. Uma jogada em que Santiago Arias deixou a bola nos pés de James Rodríguez, que desmarcou Jackson Martínez, com o jogador do FC Porto a atirar para o fundo da baliza. Uma conclusão perfeita que devolveu a Colômbia à liderança do resultado.

Os vinte minutos seguintes foram muito disputados de parte a parte, com o Japão à espera de encontrar o golo que pudesse devolver alguma esperança à equipa e com a Colômbia à procura de acabar com quaisquer dúvidas sobre quem iria sair vencedor. Um jogo bem jogado e do agrado de qualquer apreciador de futebol.

Mas foi a selecção sul-americana que ampliou o marcador ao passar do minuto 77 com um lance magnífico: um excelente passe de James Rodríguez desmarcou Jackson Martínez, que, com a frieza e classe que lhe são reconhecidas, dominou o esférico, sentou um defesa nipónico e, sem tomar balanço, rematou para o confortável 3-1 que punha a Colômbia no primeiro lugar do grupo.

Foi a altura ideal para Pékerman voltar a mexer na equipa e dar a oportunidade a Mondragón, de guarda-redes de 43 anos, de entrar em campo e fazer história. Esta substituição permitiu ao guardião colombiano tornar-se no jogador mais velho de sempre a disputar um Campeonato do Mundo.

O encontro estava decidido mas James Rodríguez não quis acabar a partida sem espalhar mais magia. Num lance de génio e só ao alcance dos melhores, o ex-jogador do FC do Porto brindou todos aqueles que assistiam ao jogo com um golo brilhante. Depois de driblar Yoshida, um dos dois centrais japoneses, picou a bola por cima de Kawashima, estabelecendo o resultado final em 4-1.

James deitou por terra quaisquer esperanças que o japoneses ainda tivessem  Fonte: Getty Images
James deitou por terra quaisquer esperanças que o japoneses ainda tivessem
Fonte: Getty Images

O Japão diz assim adeus ao Mundial 2014, ao passo que a Colômbia segue em frente com um pleno (três vitórias em outros tantos encontros) e com dez golos marcados contra apenas dois sofridos. Uma selecção a ter em conta para o que resta da competição, com um protagonista que pode vir a tornar-se numa das figuras deste Mundial: James Rodríguez. Agora, Los Cafeteros terão de defrontar a selecção do Uruguai nos oitavos-de-final.

 

A Figura

James Rodríguez – a sua entrada revolucionou por completo o jogo colombiano. Apenas com 45 minutos de jogo conseguiu fazer duas assistências e um golo fundamentais para este triunfo seguro da selecção sul-americana. Apesar do bis de Jackson Martínez, o protagonista deste encontro foi o jovem jogador do Mónaco.

O Fora-de-Jogo

Quintero – não soube aproveitar a oportunidade que Pékerman lhe deu ao oferecer-lhe a titularidade. Jogo discreto do jovem jogador do FC Porto, que não conseguiu dar seguimento à boa exibição no jogo contra a Costa do Marfim.

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