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O RESCALDO

Era lógico que, há umas semanas, quando se olhasse para o calendário do Mundial e respectivo agendamento das jornadas, se pensasse que este Costa Rica-Inglaterra viesse a colocar frente a frente, nesta fase, uma equipa já eliminada e outra com o passaporte para os oitavos-de-final previamente garantido. Esse raciocínio imperou mas a lógica do (suposto) mais forte nem tanto: a equipa centro-americana estava já apurada e apenas precisava deste encontro para confirmar o primeiro lugar no grupo D; a Inglaterra, por sua vez, com boas prestações mas zero pontos, jogava a honra e o desafio de não terminar o grupo a seco.

A equipa costa-riquenha apresentou uma equipa titular semelhante à do jogo diante da Itália, apenas trocando Umanã e Bolaños por Miller e Brenes, mantendo um esquema de 5-4-1 muito móvel e dinâmico; do lado inglês, Roy Hodgson promoveu uma série de alterações, com uma onze claramente a olhar para o futuro.

Por certo relacionado com alguma falta de motivação da equipa inglesa, a Costa Rica tomou conta da partida bem cedo: os artistas do costume – Bryan Ruiz e Joel Campbell – voltaram a dizer ‘presente’ e foram assumindo as despesas do jogo, recuando para ajudar a organizar, dando show e espalhando perfume, sempre com muita qualidade técnica e mobilidade, deixando Brenes como uma espécie de avançado mais fixo e tendo nas costas, no espaço ‘6’, um ponto de equilíbrio de nome Celso Borges e uma estação de serviço por onde todo o jogo costa-riquenho passa – Tejeda –, antes de chegar, precisamente, aos elementos ‘mais’ desta equipa.

Do lado inglês, Wilshere e Barkley tentavam dar um ar da sua graça, com vários pormenores de classe – eles que têm tanto futebol nos pés quanto sonhos para esta Inglaterra do futuro. Sturridge surgiu sempre muito sozinho na frente, Milner pouco apareceu em jogo e Lallana nem sempre foi consequente (ainda que a equipa dos três leões tenha subido ligeiramente de produção quando estes, sensivelmente a meio da primeira parte, trocaram de flanco).

A primeira parte disputou-se sempre muito a meio-campo e as oportunidades de golo rarearam – as excepções foram remates perigosos de Campbell e Sturridge e um livre cobrado por Celso Borges, que beijou a barra, depois de um toque precioso do keeper Foster.

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Bryan Ruiz foi um quebra-cabeças para a Inglaterra
Fonte: Fifa.com

Depois de um primeiro tempo em que se dispensaram as balizas e em que a equipa comandada pelo colombiano Jorge Luís Pinto deu sempre a sensação de, se não dominar, controlar o jogo, a segunda parte foi bastante diferente. Os ingleses vieram do intervalo com outra disposição e, por consequência, mostraram-se mais motivados e com vontade de colocar outra velocidade no seu jogo. É certo que nunca dispuseram de oportunidades flagrantes mas assumiram a partida e foram para cima de uma equipa costa-riquenha que, à medida que o tempo foi passando, se retraiu e foi pensando mais no jogo dos oitavos-de-final (as saídas de Campbell e Borges foram paradigmáticas).

Por outro lado, a cada substituição operada por Roy Hodgson, a Inglaterra ia melhorando: primeiro Sterling, depois Gerrard e a seguir Rooney, para as saídas de Lallana, Wilshere e Milner. Os ingleses estiverem muito mais em jogo, dominaram e procuraram sempre o golo –foi Sturridge, ao minuto 64, quem mais perto esteve de desfeitear o sempre seguro e eficaz Keylor Navas – mas, por um motivo ou por outro, nunca conseguiram concretizar as oportunidades de que foram dispondo.

Tudo somado, o resultado acaba por aceitar-se: a Costa Rica esteve sempre por cima da partida nos primeiros quarenta e cinco minutos, enquanto que a Inglaterra, com outros índices motivacionais, surgiu na segunda parte muito mais proactiva e à procura dos primeiros três pontos, algo que acabou por não lograr.

A equipa costa-riquenha consumou a passagem aos oitavos-de-final (e em primeiro lugar do grupo), o que significa o igualar da sua melhor marca na história dos Campeonatos do Mundo, sendo que a disciplina, o fervor e qualidade técnica que demonstrou nesta primeira fase abre boas perspectivas àquela que está a ser a maior surpresa desta ‘Copa’. Por seu turno, a Inglaterra apresentou um futebol muito interessante e envolvente, pelo que a marca de um ponto em três jogos é claramente amarga e, até, um pouco cruel do ponto de vista da qualidade futebolística demonstrada; sobra, no entanto, o consolo e a ilusão de uma equipa que tem ainda muito por onde crescer e com intérpretes com um potencial tremendo, que, por certo, com outros níveis de maturidade, farão da Inglaterra um adversário a temer nas próximas competições. Mesmo que jogadores como Lampard ou Gerrard, muito provavelmente, estejam apenas aí presentes enquanto adeptos.

A Figura

Bryan Ruiz – o costa-riquenho de 28 anos tem distribuído classe, qualidade técnica e visão de jogo pelos estádios do Brasil’2014 por onde tem passado. Hoje não foi excepção e na primeira parte, principalmente, voltou a causar estragos e a deixar o sector defensivo dos ingleses à nora com as suas movimentações (muitas vezes em parceria com o craque Joel Campbell).

O Fora de Jogo

James Milner – é um jogador muito voluntarioso e esforçado, e isto não soa a elogio, pois é tudo o quanto se diz normalmente de um jogador que não seja propriamente talentoso. No jogo de hoje, Milner nunca causou grandes estragos, pois nunca deu grande profundidade ao jogo inglês nem se juntou ao meio-campo quando tal era necessário para garantir a supremacia (ou, pelo menos, igualdade) numérica face ao opositor. Esteve longe do jogo durante muito tempo e a sua saída pecou por tardia.

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