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Costa Rica 1-1 Grécia (5×3 g.p.): Gregos beberam do seu próprio veneno

André Conde · 4 min

Costa Rica 1-1 Grécia (5×3 g.p.): Gregos beberam do seu próprio veneno

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O RESCALDO

Costa Rica e Grécia encontravam-se naquele que era o duelo mais improvável de se imaginar nos oitavos-de-final. A Costa Rica não precisava de apresentações. Para muitos o saco de porrada do grupo da morte, agigantou-se e fez de três campeões do mundo equipas banais. Do outro lado, a Grécia. Fernando Santos, adorado como um Deus, subiu ao Olimpo depois de ter apurado os gregos pela primeira vez para os oitavos-de-final num jogo à imagem dos gregos, de sofrimento e raça. Seria um encontro interessante para ver como se comportaria a Costa Rica. Nos outros jogos, os costa-riquenhos jogaram contra equipas que assumem o jogo, mas hoje enfrentariam uma equipa que joga a partir da defesa e no contra-ataque e teria de ser a Costa Rica a assumir o jogo. Uma coisa seria certa, quem passasse faria história no seu país.

E foi mesmo assim que a Grécia se comportou na primeira parte. Muitos dirão que é um futebol feio, mas a Grécia não tem armas para mais. Os gregos sentem-se bem a segurar o jogo e partir para o contra-ataque, dando o controlo ao adversário. A Costa Rica viu-se em dificuldades para contrariar a estratégia grega. Fernando Santos ganhava na primeira parte ao povoar o meio-campo com três elementos, que por vezes eram cinco, com a participação dos laterais. Ao intervalo, o empate a zero era o espelho do jogo. De baixa qualidade, com a Costa Rica a não conseguir impor o seu jogo e com dificuldades neste papel de ter de assumir o jogo. Os gregos até estiveram melhor em campo. A jogar como queriam, sempre no contra-ataque, até tiveram a melhor oportunidade do primeiro tempo.

O segundo tempo mostrou uma Grécia mais perigosa nos minutos iniciais, mas quem marcou foi a Costa Rica, por Bryan Ruiz, na primeira vez em que foi à baliza. A fazer lembrar uma certa equipa do mediterrâneo que também já ganhou muitos jogos assim. A Costa Rica acordou, viu na jogada a seguir um penálti que não foi marcado (mais um erro a juntar a muitos outros), mas a expulsão de Duarte acabou com o ímpeto costa-riquenho e trocou os papéis das selecções. Agora era a Costa Rica a defender, a fazer de Grécia,  e os gregos tinham de tomar conta do jogo. Arriscaram; Fernando Santos meteu Mitroglou e Gekas, mas parecia que podiam fazer mais. Apesar de ter o controlo, a Grécia não fazia a pressão que se esperava e a Costa Rica ia aguentando. Quando se parecia que os costa-riquenhos iam continuar a sua grande aventura no Mundial, Sokratis marcou, já nos descontos, e levou o jogo para prolongamento. Outra vez a Grécia a ser feliz nos minutos finais.

A tristeza de Gekas Fonte: FIFA
A tristeza de Gekas
Fonte: FIFA

Os deuses estavam com os gregos, que mais uma vez fizeram um jogo à sua imagem. Sofredores, crentes, nunca baixaram os braços. No prolongamento, seria a Grécia a dominar, como todos esperavam, mas sem criar grandes oportunidades. Quase sempre a apostar nas bolas paradas ou em cruzamentos, os gregos mostravam vontade mas não assustavam a Costa Rica, que ia controlando o jogo como podia. Karagounis era o comandante deste exército grego. Incrível como aos 37 anos ainda se mostra fresco. O grande momento do prolongamento foi a defesa de Keylor Navas ao remate de Mitroglou, a fazer a mancha ao avançado grego no último minuto e a manter vivo o sonho .Chegavam os penáltis. Aquele momento que ninguém quer, aquele momento onde o peso de um jogo fica nos ombros de um jogador. Todos acertaram, menos Gekas, que permitiu a defesa a Navas e atirou a Grécia para fora deste Mundial.

O futebol é curioso. Hoje quem jogou à defesa, porque teve de segurar o resultado, foi a Costa Rica. Uma exibição que fez lembrar uma certa selecção europeia, que até ganhou um europeu assim. Hoje os papéis trocaram; a Grécia tomou conta do jogo mas provou do seu próprio veneno. Injusto para os gregos, que mereciam ganhar nos 120 minutos, mas um prémio para a Costa Rica, que soube aguentar.

Fernando Santos sai de cabeça erguida. Fez história com os gregos e mostrou o porquê de ser adorado por eles. Fez tudo para passar, mas hoje era dia não. Quanto à Costa Rica, começam a faltar elogios para esta super equipa. Acreditaram no seu próprio trabalho quando ninguém mais acreditava e estão nos quartos-de-final com toda a justiça. Aconteça o que acontecer, esta equipa ganhou a admiração dos adeptos. Vem aí a Holanda, mais outro teste para estes enormes jogadores, e coloca-se a questão. E porque não? A partir de agora, todos os sonhos são possíveis.

A Figura

Keylor Navas – É difícil apontar só um jogador. De ambos os lados, tivemos grandes figuras, mas o guarda-redes Navas foi decisivo. Teve duas grandes defesas, uma no fim do prolongamento, e defendeu o penálti. Mostrou por que razão foi eleito o melhor guarda-redes da liga espanhola.

O Fora-de-Jogo

Benjamin Williams – Mais um caso. Logo a seguir ao golo da Costa Rica, devia ter sido marcado penálti para os costa-riquenhos e aí a história poderia ter sido diferente. Já são vários erros neste Mundial.

André Conde

Redação Bola na Rede · ver artigos

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