FC Porto 32–32 ABC: Um duelo elétrico, onde Diogo Rêma brilhou e o ABC mostrou alma de gigante

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A 12.ª jornada da Liga de Andebol trouxe ao Dragão Arena um daqueles jogos que fazem respirar o andebol: intensidade, emoção, incerteza no marcador, e guarda-redes em noite inspirada. O empate 32-32 entre FC Porto e ABC foi uma demonstração de carácter de duas equipas que se recusaram a ceder.

As equipas comandadas por Magnus Andersson e Filipe Magalhães respectivamente, protagonizaram um duelo tático rico, intenso e de leitura rápida, onde emergiram as verdadeiras figuras da noite: Diogo Rêma, num recital impressionante de defesas, e Diogo Ribeiro, que manteve o ABC em vantagem durante grande parte do encontro, nomeadamente com grandes defesas no início da segunda parte, que travou a reacção portista.

Os primeiros cinco minutos foram de enorme equilíbrio, sem ascendente claro de nenhuma das equipas. Um jogo estudado ao detalhe, com ataques longos e prudentes de parte a parte, e onde a equipa do FC Porto ressentiu-se bastante da ausência do central internacional português Rui Silva, que apenas cumpriu parte do período de aquecimento, mas não pôde dar o seu contributo num jogo tão importante.

À passagem dos dez minutos da etapa inicial, os dragões começaram a distanciar-se no marcador, e os adeptos presentes na bancada exultaram de alegria, na expectativa de que a sua equipa pudesse conseguir uma vitória essencial para manter a perseguição a Benfica e Sporting na tabela classificativa.

O 8-5 a favor do FC Porto refletia uma entrada mais agressiva dos dragões, cuja diferença também se pode explicar em Diogo Rêma, que uma vez mais brilhou entre os postes.

O técnico do ABC, sentindo que a sua equipa estava perdida e sem encontrar soluções para travar o ímpeto portista, interrompeu o jogo com um desconto de tempo, e a resposta dos bracarenses foi imediata.

Pouco depois, a exclusão de dois minutos para Timmy Petit e um livre de 7 metros convertido por Gonçalo Meireles, foi o tónico para a recuperação e cambalhota no marcador por parte da equipa do ABC.

Ao mesmo tempo, o guardião Tiago Ferreira começava a crescer na baliza do ABC, acumulando intervenções importantes que sustentaram a recuperação.

A exclusão de Fábio Magalhães paradoxalmente dificultou ainda mais a vida ao FC Porto, que não conseguiu aproveitar a superioridade numérica, e os bracarenses foram disparando gradualmente no marcador.

A oito minutos do intervalo, o ABC já tinha dois pontos de vantagem (12–10), sustentado num bloco central muito sólido e num jogo portista demasiado centralizado, previsível e com pouca utilização das pontas. O inconformismo de Vasco Costa era notório, mas insuficiente para virar a maré.

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O ABC mantinha-se muito organizado e, com a primeira defesa de Humberto Gomes (histórico guarda-redes português que ainda consegue defesas decisivas aos 47 anos de idade, podendo ser pai da generalidade dos jogadores contra quem competiu) a um livre de sete metros de Mamadou Diocou, aumentava ainda mais a confiança bracarense.

A três minutos do descanso, o ABC vencia por 16–13. André José, o motor ofensivo minhoto, somava já quatro golos (acabou com nove) e uma exibição cheia de personalidade.

O FC Porto chegou ao intervalo a perder por 17–15, um resultado justo para a qualidade coletiva do ABC e para a irregularidade dos dragões, que não têm tido exibições convincentes desde o início da época.

Fez bem o intervalo à equipa de Magnus Andersson. Os portistas entraram mais intensos no início desta segunda parte, beneficiando de uma maior agressividade de Diocou e Vasco Costa. Alguns golos do pivô Daymaro Salina permitiram ao FC Porto restabelecer o equilíbrio, mas o ABC respondeu de forma imediata pela dupla João Gamboa Reis e Gonçalo Meireles, sempre decisivos neste encontro.

Os primeiros dez minutos da segunda parte tiveram dois claros protagonistas: Diogo Rêma e Diogo Ribeiro. Ambos guarda-redes fizeram defesas de grande nível, sendo que o guarda-redes do ABC foi garantindo durante largos minutos que o ABC mantivesse a vantagem de três golos no marcador.

Um FC Porto demasiado dependente da inspiração de Doucou e da sua eficácia da linha de sete metros e do jovem lateral-esquerdo Vasco Costa, que tentava romper e furar insistemente a defesa do ABC.

A meio da segunda parte, registava-se 24–22 para o ABC. André José mantinha-se inspirado, ditando ritmos e parecendo encontrar soluções para todos os ataques da equipa bracarense.

A 12 minutos do fim, o FC Porto finalmente empatou. Dois contra-ataques rapidíssimos finalizados pelo ponta-esquerda Pedro Oliveira, sempre veloz e preciso, e mais duas defesas colossais de Diogo Rêma, permitiram aos dragões recuperar terreno, beneficiando igualmente de algumas imprecisões do ataque do ABC.

A dez minutos do fim, 27–27. O jogo estava completamente aberto. A tensão era palpável entre os adeptos presentes nas bancadas. A exclusão de Claudio Morales a 8 minutos do fim parecia poder complicar o ABC, mas o equilíbrio manteve-se até aos instantes finais.

A cinco minutos do fim, o FC Porto voltou para a frente do marcador por 30–29 (a sua primeira vantagem desde meio da primeira parte), em parte sustentado pelos livres de sete metros de Mamadou Doucou, que acabou este jogo com dez golos, sendo o melhor marcador da partida. Logo depois, Fábio Magalhães falhou um livre de sete metros e, no contra-ataque seguinte, Pedro Oliveira colocou o FC Porto na frente do marcador (32-31), já a entrar no último minuto.

Mas a história ainda não estava fechada. Nuno Pando Vieira empatou novamente a 32, com menos de 30 segundos por jogar. No último lance do jogo, Vasco Costa tentou dar a vitória aos dragões, mas o bloco bracarense ganhou esse particular duelo, garantindo o empate.

A pequena claque do ABC, ruidosa e incansável, foi sempre um precioso combustível para um ABC, que fez um jogo de uma grandíssima personalidade, num jogo que foi uma excelente promoção da modalidade.

O empate final traduz perfeitamente aquilo que se viu: um ABC muito organizado, inteligente e eficaz, e um FC Porto que lutou contra ausências importantes, mas encontrou em Diogo Rêma, e na eficácia de Doucou a força para reagir e as suas traves-mestras.

Um 32–32 que deixa um amargo sabor de boca para as duas equipas, mas que prova porque ambas são pilares da Liga de Andebol. Um duelo elétrico, onde Diogo Rêma brilhou, e o ABC mostrou alma de gigante.

Tiago Campos
Tiago Campos
O Tiago Campos tem um mestrado em Comunicação Estratégica mas sempre foi um grande apaixonado pelo jornalismo desportivo, estando a perseguir agora esse sonho. Fã acérrimo do "Joga Bonito".

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