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Ontem foi-me impossível escrever. O sinal de wi-fi no Brasil é como a capacidade goleadora do Postiga (oscila muito) e, à hora em que deveria ter enviado o artigo, não havia internet para ninguém no hotel. Estava em Brasília, uma cidade moderna e extremamente desenvolvida, projectada do zero há pouco mais de 50 anos por Juscelino Kubitschek e Óscar Niemeyer, mas que ainda não consegue estar online a 100%. Tal como todas as outras, aliás, pelo que tenho tido oportunidade de saber.

No entanto, e isso é que importa, está engalanada para receber a Copa. O Estádio Municipal – antigo Mané Garrincha, palco onde vi a Suíça obter uma reviravolta fantástica ao cair do pano frente ao Equador – é imponente e tem todas as condições para acolher jogos de primeiríssimo nível. A única coisa que lhe falta para ser verdadeiramente útil de futuro é mesmo ter uma equipa, já que a capital brasileira não tem nenhum clube a disputar a divisão principal. Os habitantes da cidade, que nos dias que correm até os edifícios do sector público (situados na Esplanada, como eles dizem) têm iluminados de verde e amarelo, não se mostram no entanto muito preocupados com isso. A Dilma dorme ali ao lado, uma grande percentagem da população trabalha para o Estado, e pelo menos a estes não lhes deve vir a faltar nada por causa do dinheiro gasto num estádio de futebol. Tanto assim é que eles responderam em massa à primeira chamada: a loucura em torno de um jogo aparentemente de segundo nível, este Suiça-Equador, levou mais de 60.000 pessoas às bancadas.

Não espere, no entanto, por uma recepção calorosa se lá se deslocar para ver Portugal nesta primeira fase da competição. O brasiliense é educado, amigável e disponível, mas não é tão dado aos turistas como por exemplo são os baianos de São Salvador (palco do jogo de hoje entre Portugal e Alemanha). Por outro lado, encontrará certamente uma das mais bem pensadas e construídas cidades do Mundo. A estrutura é idêntica ao desenho de um avião, com o Eixo Monumental (uma via com 4 faixas para cada lado) a separar a Asa Norte da Asa Sul, e com imensos espaços verdes a decorar os edifícios de linhas curvas que vemos a cada virar de esquina, desde a Catedral até à ponte JK. E ainda poderá ter a sorte de se cruzar com Avram Grant e Roberto Carlos, como eu me cruzei hoje. Já agora, se lá for, tire um tempinho para dar uma volta pelo lago Paranoá e pelo Parque da Cidade: dizem que é maior do que o Central Park de Nova Iorque…

Hoje deixo-vos também com uma fotografia tirada por mim, no palco onde todos nós queremos ver a Selecção das Quinas ganhar daqui por uns dias.

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Obrigado e um abraço,
João Cunha.