Depois de um Mundial 2014 e um Euro 2016 pouco conseguidos, a Espanha, a seleção mais titulada dos últimos 10 anos, decidiu mudar de técnico. Para o lugar do experiente Vicente del Bosque, entrou Julen Lopetegui, treinador basco com uma passagem mal-sucedida por Portugal, mas um historial de qualidade ao comando das seleções jovens de Espanha.

Tendo concluído a fase de apuramento para o Mundial com grande facilidade, e no primeiro lugar do seu grupo, a La Roja mostrou estar a voltar aos níveis de épocas anteriores. No entanto, talvez pela falta de currículo do seu selecionador, ou pelo facto de, nos últimos anos, ainda não ter aparecido em Espanha um craque que se destaque dos restantes grandes jogadores espanhóis, a seleção não é, à partida, considerada uma candidata tão forte como noutras provas transatas.

A base da seleção continua a mesma, com jogadores como Sergio Ramos, Piqué, Iniesta, Busquets, ou Alba, a serem há várias épocas das principais figuras da equipa. Se, por um lado, continuam a manter um nível alto, em termos futebolísticos, também é verdade que ficaram associados a dois falhanços seguidos da Seleção, no Mundial no Brasil, e no Euro em França. Ao partir para a Rússia sem um conjunto de jogadores novos, que consiga rivalizar com os mais antigos em termos de qualidade, a Espanha é vista um pouco de lado pela crítica, que talvez ache que a época da maioria destes futebolistas já passou.

Mas a verdade é que a chegada de Lopetegui reavivou e uniu um pouco a equipa, apaziguando ao mesmo tempo as divergências entre jogadores do Real Madrid e Barcelona. Para além disso, a entrada de novos valores na seleção, como Ñiguez, Vázquez, Asensio, ou Rodrigo, fez com que, atualmente, a equipa seja muito completa, com jogadores experientes, mas também com a juventude que faltou noutras convocatórias.

Anúncio Publicitário

Ao contrário do que se tem apontado, a Espanha é tão candidata à conquista do Mundial como outras grandes seleções, nomeadamente o Brasil, a França, ou a Alemanha.

Com um grupo de jogadores muito heterogéneo, mas também mais coeso que em outras alturas, a La Roja é, provavelmente, a equipa de topo mais subvalorizada do Mundial.

A seleção espanhola goleou, recentemente, a Argentina por 6-1
Fonte: SE Futbol

Curiosamente, para este Mundial verifica-se uma inversão na percepção das seleções de Portugal e Espanha. Durante anos, a seleção portuguesa era vista como um coletivo de jogadores talentosos, que, por inexperiência, acabava por perder em momentos decisivos das competições. Foi assim no Euro 2000, Euro 2004, e Mundial 2006. Nessa época, era possível afirmar que os espanhóis tinham seleções inferiores a Portugal, no entanto, foram sempre vistos como superiores, ou mais favoritos à conquista das provas em que estavam inseridos.

Atualmente, a seleção de Fernando Santos tem o estatuto de campeã europeia, e graças a contar com o melhor jogador do mundo, entra, pela primeira vez, num torneio de seleções apontada como uma das candidatas à vitória. A expetativa é muito alta, mas a verdade é que, quando comparados, o conjunto espanhol é mais forte, mesmo que não tenha a efusividade que rodeia Portugal neste momento.

O facto das duas equipas estarem no mesmo grupo no Mundial, realça a subvalorização do conjunto de Lopetegui. A seleção portuguesa é uma equipa operária, unida, com forte rigor defensivo, que gira em torno do seu melhor jogador, Ronaldo. A Espanha tem um futebol de posse e ofensivo, sendo os seus jogadores ou veteranos, ou futebolistas que ainda não atingiram o auge das suas carreiras. A La Roja pratica um futebol mais atrativo que os portugueses, mas a falta de um jogador de classe mundial, que esteja no topo das suas capacidades, e que consiga resolver encontros sozinho, pesa na apreciação das duas equipas.

O confronto entre as duas seleções na fase de grupos do Mundial permite avaliar qual a verdadeira qualidade de ambos os países; se Portugal é realmente tão forte como se tem falado, e se a Espanha é um candidato sério, ou apenas uma equipa em construção e em fase de transição, e, portanto, não merecedora de mais elogios do que aqueles que têm sido feitos.

Porém, entre os espanhóis, há algo que é comum, dos jogadores mais velhos aos mais novos, e incluíndo até Lopetegui: a necessidade de provar algo. É com essa motivação extra que a seleção parte para a Rússia, o que é uma vantagem em relação aos seus adversários, e pode também ser a sua maior força.

Foto de capa: SE Futbol